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A caracterização é fundamental para que alguns atores interpretem seus personagens. Murilo Benício, o Wilson de Força-Tarefa, faz parte desse grupo. Para viver o policial da série da Globo, Murilo engordou na segunda temporada e, para a terceira e última, raspou parte do cabelo para mostrar Wilson ficando careca. “Gosto de pensar em características físicas para o papel. Sem dúvida acrescenta demais e, de certa maneira, colabora na minha atuação”, explica ele, que foi repreendido pelos filhos por conta do novo visual. “Já escutei um ‘você está feio, pai’ assim que raspei as entradas. Mas eles já entendem mais essas mudanças”, conta.

– Por que você optou por não engordar nesta fase?
– Achei que tinha relação o Wilson aparecer com cara de mais velho, de cansado. Justamente por ele estar passando por essa situação extrema de estresse. Mas desisti de engordar porque deu muito trabalho para emagrecer depois. Meu metabolismo já não é mesmo e o sacrifício foi enorme. Acho que ele não precisava necessariamente estar gordo. Esse negócio de engordar muito para depois emagrecer não dá muito certo. Então a careca foi uma boa solução para mostrar como aquela situação de estresse o deixou mais acabado, o fez envelhecer com mais rapidez.

– Aparecer gordinho e careca no ar em algum momento te fez temer perder o status de galã?
– Em nenhum momento me assustou. E não sou galã. Eu sou ator e, desde o primeiro momento em que eu escolhi a profissão, o motivo era ser ator e não galã. Então para mim não tem mistério. Já ouvi muito “que coragem a sua, de raspar o cabelo!”. Quando escuto isso, paro e penso: “coragem?”. Ainda se eu estivesse arrancando um dedo. Isso não é nada. Vou raspar e em três meses já está tudo grande de novo.

– Você vê alguma semelhança entre o Wilson e o Capitão Nascimento, personagem de Wagner Moura, em Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro?
– Ele faz uma polícia completamente diferente da feita pelo Capitão Nascimento. O Wagner (Moura) representa o (capitão reformado) Rodrigo Pimentel. Ele foi o cara que, praticamente, criou o Bope. Era uma polícia de choque. Era um exército que foi treinado para fazer aquele tipo de coisa. A gente mostra uma pegada mais investigativa. Nós lidamos com a polícia e não com o bandido. Ele não entra na favela para apreender droga, atrás do tráfico. O capitão Wilson, da Corregedoria, lida com a corrupção, casos mais misteriosos. Esses casos que, volta e meia, envolvem a própria polícia. Quando acontece alguma coisa de errado na polícia, vai para a corregedoria e nós resolvemos.

– Constantemente você se refere ao Wilson como “eu”. Você consegue deixar o personagem quando termina o dia de gravação?
– Isso aqui é teatro. Desde os 11 anos de idade eu faço teatro. Então tem uma carga que eu jogo aqui e que fica aqui. Não é uma coisa que vai para casa, de jeito nenhum. Eu não vivo essa coisa de ator que fica com personagem, sofre com ele, se consome. Eu sei onde ponho e depois eu saio e aí sou eu, normal. Isso é muito claro e muito fácil. Não faço parte dessa escola que sente tudo que o autor propõe para o papel.


 

Guia da TV: O que Ti-Ti-Ti trouxe para você como ator?
Murilo: Não sei, mas voltando à questão da língua, essa coisa do Espanhol foi bem legal. Hoje eu sei diferenciar um espanhol de um argentino, por exemplo. Era uma coisa que eu não sabia. Eu falo bem inglês, sei detectar de onde é aquele inglês, sei se é da Inglaterra, sei se é de subúrbio, e hoje eu estou melhor nisso com o espanhol.

Guia da TV: Você estava disposto a deixar de lado os papéis cômicos por um tempo. O que o fez aceitar estar em Ti-Ti-Ti?
Murilo: Essa novela, especificamente, eu quis fazer. Não quis fazer comédia, queria era fazer Ti-Ti-Ti mesmo. Antes, quis dar um tempo em papéis cômicos porque quando a gente faz uma coisa e dá certo, isso passa a ser um problema. O sucesso traz junto um perigo muito grande: das pessoas acharem que você fez tão bem aquilo que deve ganhar só isso. Eu quis me afastar da comédia por isso. Mas quando veio Ti-Ti-Ti, bateu um lado sentimental também. Eu assistia à novela no chão da minha casa, ainda jovem, já estudando teatro. Acho que eu tinha uma relação muito afetiva com a novela. Foi um outro campo. E eu sempre achei o Luis Gustavo um gênio e quando o Jorge me chamou, aceitei na hora.

Guia da TV: E você pôde cruzar, em cena, com o Luís Gustavo. Como se sentiu?
Murilo: Foi ótimo. Ele me recebeu muito bem, foi um cavalheiro.

Guia da TV: Nas ruas, como são as reações das pessoas?
Murilo: O que mais me impressiona é a forma como as pessoas estão lidando com Ti-Ti-Ti. Já é dessas novelas que o público não perde nem um dia. Eu sinto a diferença de um sucesso como esse. Em A Favorita, por exemplo, acontecia muito. Quando a pessoa faz questão de falar com você, deixa de fazer coisas para ver a novela, é muito gratificante. E isso acontece com Ti-Ti-Ti.

Guia da TV: Você sentia isso também com o Força-Tarefa?
Murilo: São sucessos diferentes. Primeiro, porque era semanal. Senti um sucesso grande, sim, mas não é uma série popular. Não como uma novela às 9 ou às 7 da noite. Era uma coisa mais alternativa. Eu acredito muito nesse segmento que a Globo está formando, de temporadas. Requer mais trabalho, mais tempo para fazer. Eu fazia cinco, três, às vezes duas cenas por dia. É um sucesso mais específico.

Guia da TV: Quando começam os trabalhos da próxima temporada do Força-Tarefa?
Murilo: Eu encontrei com o José Alvarenga (diretor) e ele disse que eu ia descansar uns dois meses. Acho que devemos começar a gravar em junho.


        

RIO - Luis Gustavo não para de repetir: não se lembra de nenhum outro ator que tenha passado pela mesma experiência que ele está vivendo na novela "Ti-ti-ti". No folhetim de Maria Adelaide Amaral, ele encarna Mário Fofoca, o atrapalhado detetive lançado em "Elas por elas", de 1982. Mas, nos últimos dias, seu personagem ganhou mais uma tarefa: agora, Mário Fofoca também finge ser Victor Valentim, personagem de Murilo Benício, mas que foi de Luis Gustavo na primeira versão da trama, em 1985. Parece confuso, mas tudo se encaixa no universo fantástico da novela que, na opinião do empolgado Tatá - como ele é conhecido pelos colegas -, é uma verdadeira festa.
Do outro lado, Murilo Benício também está animado com essa reunião entre passado e presente.

- Nossa... O Tatá é um gênio. É um ator diferenciado. Ele é tão bom que os personagens dele continuavam após as novelas. Foi assim com uns dois. Inventavam uma série ou um filme só para ele. Esse é o Luis Gustavo, nem precisa dizer mais nada - derrete-se em elogios o ator, citando Mário Fofoca e Beto Rockfeller, que deram origem a filmes e séries.

A rasgação de seda é mútua: Luis Gustavo diz que é fã de Benício há muito tempo, destaca sua atuação nas comédias e sua composição de um Victor Valentim totalmente novo e igualmente bem-sucedido.
- O Murilo é ótimo. Só ele tem esse tempo de comédia, essa pausa, essa ironia. Adoro o trabalho que ele está fazendo. É um Victor Valentim próprio, que não tem nada a ver com o meu. O dele é mais atual, moderno e engraçado. O meu era mais austero e tradicional. Ele montou um novo personagem, do qual eu gosto muito.

Quem assistiu à primeira versão de "Ti-ti-ti" faz uma espécie de viagem no tempo. Luis Gustavo conta que a ideia discutida com os diretores da novela foi buscar as referências de seu antigo personagem e não criar um terceiro Victor Valentim. Esse exercício, diz ele, tem sido difícil, mas recompensador.

Benício afirma que se sente privilegiado em ver a performance de Tatá. Um dos aspectos que mais fascinou o ator, um iniciante na língua espanhola, foi o domínio demonstrado pelo veterano.
- Ele fala espanhol, não é como eu que preciso ficar estudando. O mais engraçado é que, em algumas cenas, eu não entendia nada do que ele estava dizendo. Era muito rápido, e ele ainda enfiava os palavrões no meio sem ninguém perceber - revela, rindo: - O meu Victor Valentim fala um espanhol totalmente enrolado, porque eu tive muitas dificuldades. Na primeira cena que fiz como Valentim, o estúdio teve que ser cancelado porque eu não conseguia dizer as falas. Tive muita ajuda do Rodrigo Lopez ( o Chico, na trama), que é filho de espanhol e ia lá em casa me ensinar. Coitado, ficava até 2h da manhã e eu não entendia nada.

Já na reta final da novela, o ator comemora o sucesso, mas admite que teve medo das comparações. Segundo Benício, o fato de reviver um personagem tão querido de uma novela tão bem-sucedida só atrapalhou sua preparação.
- O remake trouxe uma expectativa muito grande. Era, de certa forma, minha responsabilidade que a novela fosse boa. E o Tatá estava genial na versão original. Ou seja, era tudo contra. Mas deu muito certo. Acho que a Maria Adelaide superou qualquer expectativa. Além de juntar dois folhetins e reescrever maravilhosamente, ela partiu para esse universo de brincadeira entre os atores que é sensacional. Na verdade, eu diria que é mais que uma novela, é uma verdadeira homenagem ao Cassiano, esse autor maravilhoso que tivemos.


 

Quando ainda era estudante de teatro, Murilo Benício já se divertia com as brigas dos estilistas rivais Jacques Leclair e Victor Valentim da primeira versão de "Ti-Ti-Ti", há 25 anos. Assim, quando foi convidado para dar vida ao personagem que foi interpretado por Luís Gustavo, sentiu-se como na época da primeira exibição. "Eu tinha uma relação muito afetiva com 'Ti-Ti-Ti'", conta, com um tom de voz baixo e um ar discreto. Bem diferente do espalhafatoso estilista espanhol que interpreta. Apesar da empolgação inicial com o trabalho, Murilo teve muitas expectativas com as prováveis comparações entre a obra de Cassiano Gabus Mendes e a atual, escrita por Maria Adelaide Amaral. "Pensei 'será que vão dizer que a outra era melhor?'. Não teve isso. Não se fala em melhor ou pior, mas em repetir o mesmo sucesso. Isso que é legal", avalia ele, escolhido Melhor Ator do ano pela eleição "Melhores de PopTevê 2010", realizada em parceria com o portal UOL.

Murilo aceitou o convite para protagonizar a novela das sete, mas voltar para comédia, não estava nos seus planos .
"Queria dar um tempo disso. O sucesso tem um perigo muito grande. As pessoas pensam 'fez tão bem comédia, vamos dar só isso para ele'", explica. Quando Victor Valentim tiver aprontado todas para cima de Jacques Leclair e a novela terminar, em março, Murilo vai se afastar do gênero. Em junho, o ator vai voltar ao ar como o Tenente Wilson, na terceira temporada da série policial "Força Tarefa". "Acho importante investir nesse tipo de produção que requer mais trabalho e tempo para fazer. Novela gravamos até 30 cenas por dia. Na série, a gente faz cerca de duas cenas por dia. É quase cinema", destaca.

Nos anos 80, "Ti-Ti-Ti" fez muito sucesso. Isso deixou você receoso com a repercussão da nova versão?
Tinha muitas expectativas com o que as pessoas iam achar, porque, além do sucesso, o público ainda lembrava da primeira versão. Temi comparações, mas não teve isso. Não se fala em melhor ou pior, mas, sim, em repetir o mesmo sucesso. Isso que é legal, porque era um risco.

Você já tinha ressaltado que estava querendo dar um tempo de comédia. O que fez o convenceu a atuar em "Ti-Ti-Ti"?
Quando veio o convite, ele me remeteu a um sentimento que tive ao assistir essa novela, no chão da minha casa, ainda jovem e estudando teatro. Essa novela, especificamente, eu quis fazer, não escolhi comédia ou drama. E, por ser um papel que foi do Luiz Gustavo, que eu sempre achei um gênio. Quando o Jorge Fernando me falou, eu aceitei na hora.

Além da sua relação afetiva com a novela, o que mais chama a sua atenção no personagem?
Uma coisa boa do Victor Valentim é poder falar uma língua estrangeira sem a responsabilidade de estar certo. Dá para inventar mais, porque ninguém pode dizer se está certo ou errado. Na realidade, o certo é estar errado. No começo, a Maria Adelaide Amaral me disse que eu tinha de falar certo. Eu tentei e foi muito sofrido. Depois, ela viu que o meu errado são coisas pequenas como dizer "senorita" em vez de "señorita" e me deixou à vontade para brincar.

Como você fez para encontrar o tom do sotaque do Victor Valentim?
O Rodrigo Lopez é filho de espanhóis e foi alfabetizado em espanhol. Ele fala muito bem. A gente trabalhou juntos em cima da musicalidade da língua. Eu aprendi a música e não o idioma.


Revista Joyce:

         

Os 25 mais sexy


Sobre sensualidade:

Visão
"Os filmes revelam um pouco dessas paixões platônicas".

Audição
"Música, em geral, é sensual".

Olfato
"Um bom perfume feminino".

Paladar
"Chocolate e Vinho".

Tato
"Nada mais erótico e sensual do que a química da pele".


 

 

      

 

- Se fosse mais responsável não teria aceitado o papel. Luis Gustavo é um ator brilhante e respeito muito quem sabe fazer humor.

- Não sou um cara que critica a caricatura. O Arthur Fortuna (de "Pé na jaca") era caricato e funcionava. Errado é quando você foge da proposta do restante do time da novela.

- Com 20 anos eu andava na rua de short de tactel e tênis Reebok de cano alto - lembra. - Hoje estou jogando fora as coisas mais ousadas do meu armário. Tinha muita estampa de flor e peças listradas demais.

 

- Eu era muito tímido e isso me levou a ser uma pessoa reservada. Acabei sendo muito julgado por isso .


- Eu era o David Brazil. Mas descobri que 100% da gagueira de uma pessoa é emocional. Até hoje sou gago dentro da casa dos meus pais. Engraçado é que justamente perto de pessoas que me conhecem intimamente é que fico assim.


- Os meus personagens fazem com que eu tenha uma empatia maior na TV do que na vida. Nem todo mundo é a Claudia Raia ou o Jorge Fernando - diz, citando a atriz e o diretor conhecidos pelo jeito expansivo.


- No começo, eu queria matar um paparazzi que tirava foto de um dos meus filhos. Hoje me seguro, mas ainda tenho a mesma raiva.

 


 

 

Como enxerga o casamento hoje?
Penso mais no ser humano, no direito de ser feliz da mulher e do homem. Hoje as coisas ficaram mais verdadeiras, você não fica casado a vida toda com uma pessoa porque se casou com ela. Casou, não deu certo, separa. Não só a mulher tem que ser independente, o homem também. Montei um apartamento pequeno para ficar sozinho, mas aí a Guilhermina apareceu na minha vida...

Ainda pretende ter mais filhos?
Eu já tenho dois, não tenho tanta ansiedade. Ter filhos é um divisor de águas na vida de uma pessoa. Ainda está muito no rascunho, não é uma coisa concreta.

Você entende de moda?
O homem ainda está engatinhando na moda. Tenho voltade de aprender o que me cai bem, e não ser um comprador. Não sou uma pessoa de forte consumo, nem pretendo trocar o meu armário inteiro. Quando fui à loja da minha figurinista, ela pegou umas fotos minhas antigas e disse: você nunca mais me faça isso! (risos)

Você compra roupas de presente para a Guilhermina?
Prefiro passar por outro caminho, que eu conheço. Dei um lindo cavalo para ela, é mais legal que um anel. Não sei se a Guilhermina entende muito de moda ou dela mesma, mas é complicado comprar roupa para ela que tem um gosto bem particular. Então procuro ser criativo onde eu conheço.

 


 

Como está o ritmo das gravações?
O clima da novela está muito gostoso. Tudo o que eu imagino que uma novela tem que ter estou vendo aqui. Ti-Ti-Ti era uma trama romântica, alegre, engraçada... É essa a lembrança que eu tenho da primeira versão. Acho que a gente está no caminho certo para que a adaptação tenha esse clima.

O que fez para emagrecer 10 kg?
Mudei a minha vida inteira. Só como o cardápio que a minha nutricionista fez para mim, não vou mais à churrascaria, faço exercícios aeróbicos...

E isso chegou a ser um sacrifício?
Não, fiquei até muito surpreso porque minha dieta é uma delícia. Não foi exatamente um sacrifício, um sofrimento... Mas não posso fazer o que eu fazia, que é comer o que eu quero, na hora que eu quero.

 

Fazer comédia tem um sabor especial?
Acho que tem. Meu objetivo é que as pessoas assistam à novela sorrindo. Não tem nada mais legal do que você fazer uma pessoa sorrir. A única herança que eu quero deixar para meus filhos é o dom do humor. É o talento para você ver o humor nas coisas. Não posso fazer isso o tempo todo na Globo porque estarei me desviando do que me propus quando comecei a estudar essa profissão. Mas não existe nada mais nobre do que o humor. 

 

Qual é a referência que você tem da primeira Ti-Ti-Ti?
Referência de final da minha infância, de assistir à novela no sofá com minha mãe... Do genial Luís Gustavo... Nessa idade eu já fazia aulas no Tablado, comecei com 11 anos, e sabia que queria ser ator. Eu já tinha um olhar diferente para uma novela e entendia o que o Luís fazia. Tinha admiração por ele...

Você já falou isso para ele?
Acredita que nunca o vi? Não o conheço pessoalmente. Estou há 17 anos na Globo e nunca tivemos a oportunidade de estar juntos.

 

Como foi gravar com sua namorada?
Normal. Eu sou muito brincalhão quando estou gravando. Até agora só tivemos uma cena juntos.

Vocês pensam em casar, ter filhos...
A vida está ótima, temos uma rotina de família. Tem muita gente que está casada e não leva a vida que a gente leva. Casar e ter filhos não é o assunto lá de casa, não. Quem sabe mais pra frente?!

 


Nesta terça-feira (13/7), Murilo Benício completa 39 anos. E o ator tem ficado melhor com a maturidade. Se antes ele era avesso às entrevistas, agora fala sobre quase tudo. O que não quer responder, faz piada. Modo clássico - e educado - de não constranger o entrevistador. Murilo sabe que mudou. "Antigamente as coisas me irritavam. Hoje isso não acontece mais. Isso vem com a idade. E também com anos de terapia", brinca.

UOL - Você namora a Guilhermina Guinle há três anos. Não pensa em casar?
- Você está me cobrando? [risos]

UOL - Estou.
- Estou encarando isso como uma cobrança mesmo [risos]. Acho que não precisa casar. A gente já leva uma vida em família. Muito mais família do que muito casal que eu conheço. Casamento não é o assunto lá de casa [risos].

UOL - Você já é pai de Antônio e Pietro, de seus relacionamentos com Alessandra Negrini e Giovanna Antonelli, respectivamente. Não pensa em ter mais filhos?
-Não pensamos em filhos. Só em cachorros [risos].

UOL - Como você lida com a educação dos seus filhos?
-Eu fico com o lazer e as mães colocam os dois na linha [risos]. Na educação, a única certeza é a de que você vai errar. O Antônio tem 13 anos. É quase um adolescente e procuro passar responsabilidades para ele. Quando meu filho repete o ano no colégio, digo que é uma pena porque vai ser o mesmo ano para ele. Para mim, os anos são diferentes uns dos outros. Para quem repete, é igual, porque vai ver as mesmas coisas que já viu no ano anterior. Outro dia a gente estava na fazenda e o Pietro deixou a chave do triciclo na ignição. É claro que o brinquedo descarregou a bateria. Eu até poderia ter feito uma chupeta na bateria do meu carro, mas não fiz. Ele ficou sem brincar para aprender a ter mais responsabilidade com as coisas. Não bato e também nunca coloquei meus filhos de castigo.

UOL - Sua mãe te botava de castigo?
-Ela me botava de castigo, mas dizia a hora que ia voltar para me tirar. Aí, eu pulava a janela e voltava cinco minutos antes de a minha mãe entrar no quarto. Mas eu acho que no fundo ela sabia que eu saía escondido. Quando queria bater na gente, jogava o sapato. Mas ela jogava longe, para não acertar mesmo [risos].

UOL - Você se considera um ator de sucesso?
-Já tive sucesso. Minha carreira foi feita em cima de coisas muito concretas. Nunca tive sorte. Sempre batalhei. Mas, como todo mundo, tive altos e baixos na minha carreira.

UOL - O peão Tião, de "América" [2005], foi um dos pontos baixos da sua carreira?
-Tião foi super bem. Até hoje as pessoas lembram dele. Acho que o que não rolou foi uma química entre Tião e Sol [papel de Deborah Secco]. Graças a Deus, a autora Glória Perez teve a sensibilidade de mudar a história e colocou o Tião para ficar com a Simone, feita pela Gabriela Duarte. Glória é uma visionária.

UOL - Você quebrou um dente da frente para fazer o Juca Cipó em "Irmãos Coragem", em 1995. O que mais é capaz de fazer por um personagem?
-Depende do momento. Posso dizer que hoje abro mão de um personagem interessante para estar com uma turma melhor de trabalho. Não aceito papéis em novelas que tenham muita gente vaidosa. Quis fazer o Dodi de "A Favorita" [2008] pelo elenco, que era sensacional. Meu personagem não era protagonista, mas eu estava no meio de pessoas maravilhosas. A Cláudia [Raia, que fazia a Donatela] é uma palhaça.

UOL - Vocês dois estarão em "Ti Ti Ti", mas a personagem da Cláudia vai ser apaixonada pelo seu rival, Jacques Léclair, de Alexandre Borges. Você se diverte com ela nas gravações?
-Alexandre é como se fosse um amigo de infância. Ele tem o mesmo estilo família que eu. Gosta de sair com a Júlia [Lemmertz, mulher de Alexandre] e a gente sempre que pode vai jantar em algum restaurante. Ele é alguém que eu posso confiar em cena. A Cláudia é uma irmã desde "A Favorita". Todo mundo se ajuda aqui. As gravações são muito engraçadas e a gente se diverte bastante. Falo frases que não estão no texto e todo mundo rebate sem perder a piada. Me lembra de quando eu estudava teatro.

UOL - Como você recebeu o convite para fazer "Ti Ti Ti"?
-Fiquei tão feliz quando recebi o convite para fazer essa novela que fui logo ligar para minha mãe para avisar. Lembro que sentava no sofá da sala ao lado dela para assistir à novela. Comecei a fazer curso no teatro Tablado aos 11 anos, no Rio de Janeiro, e tinha um olhar diferente para os folhetins. A minha admiração pelo Luís Gustavo, que fazia o meu personagem na época, era muito grande.

UOL - Você conversou com o Luís Gustavo para montar o seu Victor Valentin?
-Eu não conheço o Luís Gustavo. Ele até veio gravar um dia no Projac, mas a gente não se esbarrou. Acho que sou capaz de beijar os pés dele se passar na minha frente [risos].

UOL - Sentiu vontade de rever a novela antes de começar a gravar?
-Não quis ver para não ficar intimidado com a atuação do Luís Gustavo.

UOL - Guilhermina Guinle também está na novela. Como é contracenar com ela?
-
Só gravei uma vez com a Guilhermina e achei tudo muito normal. Sou muito brincalhão em cena. Estou na Globo há 17 anos e me sinto muito à vontade aqui. Conheço desde o faxineiro até pessoas do alto escalão da emissora. Falo com todos eles igualmente.

UOL - Você já perdeu dez quilos para fazer o Victor Valentin em "Ti Ti Ti". Foi difícil fazer dieta?
- Não chegou a ser um sacrifício. Tenho acompanhamento de uma nutricionista e fui me reeducando. Não vou mais a uma churrascaria. E coloquei os exercícios na minha vida. Corro bastante. Quando estive no São Paulo Fashion Week, cheguei a procurar uma esteira no hotel para correr [risos]. Há dois anos que eu não vestia uma calça 42.

UOL - Quem você acha que o Victor Valentin gostaria de vestir?
- Acho que ele gostaria de ter a Britney Spears como cliente [risos]. Ele não é um estilista. Victor Valentin é um teatro!

UOL - Comédia é um estilo que te atrai?
- Fazer comédia é especial.Quero que as pessoas assistam a essa novela sorrindo. Digo que a única herança que vou deixar para os meus filhos é o humor. Ver as coisas com humor atrai as pessoas para perto de você.

UOL - Como é voltar a trabalhar sob a batuta de Jorge Fernando, que dirige a novela?
- Jorginho me deu um dos meus primeiros protagonistas na Globo. Isso aconteceu em "Vira Lata" [1996]. As pessoas não me queriam porque me achavam muito novo e o Jorginho apostou em mim.

UOL - Você está fazendo um costureiro em "Ti Ti Ti". Fazer o Victor Valentin mudou o seu modo de se vestir?
- Não vou vestir outras coisas não! Continuo do mesmo jeito [risos].

Para completar: http://www.avozdaserra.com.br/noticiaslight.php?noticia=1177


 

O ator Murilo Benício, protagonista de "Ti-ti-ti" ao lado de Alexandre Borges, é um apaixonado pela versão original da trama de Cassiano Gabus Mendes. Então com apenas 11 anos, ele cumpria o mesmo ritual quase todos os dias: saía do Centro Educacional de Niterói, onde estudava, jogava bola na rua com os amigos e ia correndo para casa assistir à novela. Na lembrança, ficaram as broncas da mãe, que não o deixava sentar no sofá com a roupa ainda suja do futebol. "Eu tinha que assistir sentado no chão", conta. Coincidência ou não, foi justamente nessa época que Murilo Benício começou a dar os primeiros passos como ator, entrando para o teatro "O Tablado".

A história de Cassiano Gabus Mendes resistiu ao tempo?
Eu acho que "Ti-ti-ti" existe para os jovens verem. Os jovens merecem ver essa novela. Obviamente, repaginada, porque aquela está lá parada naquela época. Mas vale muito a pena, porque era uma novela maravilhosa. Uma novela que marcou a minha vida. Eu via com a minha mãe. É uma coisa da qual eu tenho uma lembrança muito romântica. É uma oportunidade muito legal rever essa história.

O que havia de diferente em "Ti-ti-ti"?
Não sei o que tinha... Não sei se as novelas eram diferentes naquela época. Mas é uma novela que não tem mocinho e bandido. Tem dois mocinhos que se odeiam. É muito interessante. Eu passo a perna em não sei quem para ficar mais rico que ele. Eu não estou interessado em ter dinheiro. Estou interessado em ter mais dinheiro que o André Spina (Alexandre Borges).

Você chegou a rever alguns capítulos da primeira versão da novela?
Não. Não quis rever nada. Eu não queria ver e me decepcionar. Ah, quando tem algo que a marca a sua vida, ela vai crescendo na sua cabeça. Outro dia comprei O Minotauro, do Sítio do Pica-Pau Amarelo para ver em DVD. Eu não dormia por causa daquele Minotauro. Agora, fui ver... É um boneco, com cabeça dura. É horrível. Meu filho está na época do Toy Story, de produções sofisticadas, efeitos especiais. Foi uma decepção muito grande para mim. Por isso, eu não quis rever a novela. E também não queria ter a responsabilidade de refazer uma coisa que foi tão bem feita.

O remake mantém a essência da versão original?
Fiquei muito feliz porque vi um clipe que tinha tudo que eu lembro da novela. Tinha o romance, um elenco bonito, a graça, a leveza. Essa leveza é bacana para o horário das sete, sabe? É um horário que tem criança de 5 anos vendo televisão. Era uma ideia que eu tinha lá de trás, desde quando eu fiz Arthur Fortuna ("Pé na Jaca"). Eu falava “gente, isso é para criança”. Vou fazer para criança, fazer para os meus filhos. E levar alegria. Esse horário é para levar alegria.

Murilo, você disse que há alguns anos se irritava muito com algumas coisas. Com o que exatamente? Não se irrita mais?
"É como disse Nelson Rodrigues: 'Jovens, envelheçam'. Veio a idade, a terapia, os filhos... Você passa a ver que algumas coisas não são tão importantes, outras não têm jeito. E aí a gente amadurece. É bom envelhecer com autoconhecimento".

Você comentou que é um cara muito bem-humorado e relax na intimidade. Quando seus filhos precisam levar aquela bronca, você deixa essa parte para as mães ou também sabe puxar a orelha?
"Pode ser (que eu deixe). Nunca coloquei os dois de castigo. Não dou limite, mas responsabilidades. Deixo as decisões da vida sob responsabilidade deles, ao invés de ficar dizendo o que devem fazer. Não sou aquele pai que briga. Mas converso. Explico: 'Se você for reprovado na escola, o próximo ano vai ser completamente diferente pra mim, mas você vai ficar no mesmo lugar. Vou continuar pagando tudo pra você até morrer, mas e o dia que eu não estiver mais aqui?' Na verdade, em educação, a única certeza é que você vai errar".

Foi dessa maneira liberal que você foi criado?
"Mais ou menos. Minha mãe me colocava de castigo, mas ela sabia que eu fugia pela janela e fazia vista grossa".

Pensa em ter filhos com a Guilhermina (Guinle)?
"Só cachorros (risos). Isso não é um assunto lá em casa. Mas somos uma família. Nem penso em casar no papel. A gente não precisa disso".

Você disse que prefere trabalhar com uma turma bacana que fazer um superpapel com gente chata. O sucesso não é o mais importante pra você?
"Já tive muito sucesso. E nunca tive sorte. Sempre batalhei e fiz minha carreira em cima de coisas muito concretas. O que acho é que você não precisa ser sempre o protagonista. Tem que ter humildade para aceitar coisas menores e simplesmente estar ali pra ajudar o resto do elenco. Uma novela não é uma hierarquia. Desde o início, quando meus personagens eram pequenos, sempre me achei protagonista. Só que aparecia pouco. Todo mundo é importante".


 

Empolgado com o novo desafio?
“Quando cheguei ao hotel, o Jorginho (Jorge Fernando, o diretor) falou: ‘Está preparado? O Alexandre (Borges, que fará Jacques Leclair, rival de Víctor) arrasou!’. Aí é que eu fiquei com um frio na barriga mesmo!”

Como se preparou para o papel?

“O personagem ainda não veio. Para mim, é novidade. Acabei ‘Força-Tarefa’ há dois meses. Só me preparei perdendo peso. Perdi 7 quilos e quero perder mais 4. 

Aprendeu espanhol?
“No início, queria aprender. Agora resolvi que não. O que eu inventar pensando que estou falando espanhol vai ser mais divertido. Também não quis rever nada da versão original, porque o Luis Gustavo é um gênio e eu ia ficar intimidado. Aliás, ele é tão genial que seus personagens até ganhavam séries próprias, como foi o Mário Fofoca”.

Foi proposital engordar para fazer o Tenente Wilson do ‘Força Tarefa?
“Eu me permiti uma construção, o que é raro na Globo. Foi opção minha fazer o Tenente mais cheinho, assim como quis emagrecer para o Víctor Valentim. Às vezes, sinto necessidade de criar vida, uma outra pessoa que não seja eu, me divirto assim, sendo ator. Mas, para a terceira temporada do ‘Força’, não quero engordar novamente”.

Qual a sua dieta?
“Fiquei cinco dias em um spa e lá perdi três quilos. Depois, fiz reeducação alimentar e aprendi a não comer com fome, porque, quando você está com fome, come sempre mais. Agora nada de arroz e pão. Doce, só uma barrinha de chocolate daquelas de 70% de cacau por dia”.

Assiste a seus trabalhos na TV?

“Não. Sou muito crítico e perfeccionista. Se assistir, vou achar que não está bom, que deveria ter feito de outra maneira”.

É vaidoso?
“Demais. Se eu me visse na TV, ia achar que tinha que ter levantado o rosto para ficar com o nariz mais arrebitado... Mas levo mais a sério a minha profissão do que a vaidade. Aos 38 anos, procuro ter mais disciplina, equilíbrio e moderação”.

Como define Víctor/Ariclenes?

“É o típico malandro carioca e faz tudo para ganhar um dinheiro fácil. Vive de expedientes. O negócio dele é dar o grande golpe!”.


 

   

 

 

Encharcado de suor depois de gravar uma cena de "Força-tarefa" no Cemitério do Caju, um gaiato Murilo Benício tira onda ao contar que José Mayer tem inveja dele. O garanhão de "Viver a vida", diz o colega ator, também gostaria de estar na pele do tenente Wilson, protagonista do seriado policial que estreia sua segunda temporada no dia 6, às 23h, na Globo.

- É um luxo estar nesse programa dificílimo. Todo mundo na emissora vem me dizer que queria fazer parte do projeto. Zé Mayer tem inveja de mim! - brinca Benício, que mantém o bom humor apesar do calorão carioca. - Mas quando falam do programa digo que essa é a deixa para eu contar minha história: nossas cenas são quase todas gravadas em externas. Trabalhamos de segunda a sábado, direto. É muito sacrificante, mas gosto muito de fazer - garante.

Falante, Benício pede dois minutos para trocar o figurino de Wilson por uma bermuda e camiseta antes da entrevista. Durante o papo, num trailer da produção do programa estacionado do lado de fora do cemitério, dá para perceber o apreço do ator pelo seriado, escrito pela dupla Fernando Bonassi e Marçal Aquino, com direção de José Alvarenga.

- Só um projeto como esse me possibilita engordar 10 quilos. Não me vejo dessa forma numa novela - compara o ator, que vai para um spa antes de encarar seu próximo personagem, o estilista Victor Valentim, um dos protagonistas do remake de "Ti ti ti", com estreia prevista para julho, às 19h.

Orgulhoso, o protagonista da série levanta parte da camisa para mostrar a barriga e conta ter pulado dos habituais 82 quilos para os atuais 92.

- Sofro um pouco (por estar acima do peso). Mas, por outro lado, existe a vaidade do artista de ser desprovido de vaidade - explica Benício, mascando um chiclete. - Eu me sinto super à vontade de fazer o papel assim, gorducho. Wilson é um cara meio bronco. Ele não é gordo, mas tem a sua barriga.

 O ator, que praticamente emendou a primeira temporada do seriado policial - exibida no ano passado - após o bandido Dodi, de "A favorita", lembra que já estava com três quilos a mais quando recebeu o convite para "Força-tarefa".

- Estava naquela de emagrecer ou engordar depois de "A favorita". Acabei ganhando mais 7 quilos. Nunca tive esse peso de agora. Mas imagina o que é você acordar às 8h e tomar uma Coca-cola normal - revela Benício, de 1,77 metro.

Mas ele faz questão de esclarecer: não chutou o balde por estar mais roliço.

- Faço ginástica, pilates e corro todos os dias - afirma Benício, que rodou a segunda temporada do programa em locações como Benfica e Ricardo de Albuquerque, na Zona Norte do Rio. - Tenho ido a lugares que nunca iria. Mas não reclamo. Uma das coisas especiais do programa são essas locações.

Gravado durante os últimos três meses, "Força-tarefa" teve 70% de suas cenas feitas fora dos estúdios da Globo. A série terá agora episódios com mais cinco minutos de duração - serão 40 minutos ao todo. Segundo o protagonista, este acréscimo fez toda a diferença na dinâmica do programa.

 


 

- Os episódios da primeira temporada traziam temas interessantes e profundos, mas muitas vezes tínhamos que terminar a história abruptamente, sem ter a possibilidade de desenvolver mais os desfechos - argumenta.

Na nova temporada, Wilson será acusado de um crime que não cometeu. E também irá enfrentar a notícia de uma gravidez inesperada da namorada, Jaqueline (Fabíula Nascimento). Diante disso tudo, terá que amadurecer na marra.

- Wilson se vê obrigado a enfrentar suas grandes dúvidas - adianta.

O personagem também estará num contexto em que a ação ganha ainda mais força.

- A gente está atirando mais. Já demos 150 tiros para gravar apenas três takes. É bala para tudo quanto é lado! - exagera o ator, que apesar de ter intimidade com as armas de outros trabalhos, conta não ficar 100% à vontade nessas cenas. - Fico muito nervoso com essa coisa toda. Sei mexer em revólver, dar tiro. Mas a verdade é que nunca gostei de pegar em arma - entrega.

Louco por carros, Benício afirma gostar das cenas de perseguição envolvendo veículos. Mas admite que muitas vezes é o seu dublê quem assume o papel do tenente nas sequências mais tensas.

- Tenho um dublê que se parece muito comigo. Usamos ele num plano médio e passa. Ninguém diz que é outra pessoa - avisa.

Depois do universo policial, o ator irá mergulhar nos bastidores do mundinho da moda. Ele já está com os primeiros capítulos de "Ti ti ti" em casa. Mas ainda não sabe como será o seu Ariclenes Almeida, sujeito que se passa pelo estilista espanhol Victor Valentim e foi vivido por Luís Gustavo na primeira versão. Escrita originalmente por Cassiano Gabus Mendes, a novela agora ficará a cargo de Maria Adelaide Amaral.

- O Murilo foi uma sugestão do Jorginho Fernando (diretor) que abracei imediatamente, mas confesso que desde sempre pensei nele para Victor Valentim - conta a autora, que primeiro escalou o ator para o papel de Jacques Léclair.

Benício admite que interpretar um papel tão marcante na carreira de outro ator é uma responsa.

- O Luís Gustavo é um gênio. Eu não tenho a menor ideia de como farei um costureiro espanhol! Morro de medo - confessa o ator, de 38 anos.

Pai de Antônio, de 13 anos (do casamento com Alessandra Negrini), e de Pietro, 4 (com Giovanna Antonelli), Benício terá pouco tempo de intervalo entre os dois trabalhos. Mas dá a deixa:

- Os meus momentos de lazer são sagrados para a família - avisa. - Sou o tipo de pai 100% grudado nos filhos.


  ENTREVISTA PARA ARGENTINA

Sale en revistas, trabaja en cine, en teatro y en televisión y es uno de los actores preferidos de la audiencia brasileña. Galán, dentro y fuera de la ficción, protagoniza las telenovelas más populares de la cadena O Globo y tiene amoríos con las más bellas jóvenes de su país. Murilo Benicio, este brasilero que nació hace 38 años en Niterói, Río de Janeiro, en el seno de una familia acomodada, insiste, a pesar de su fama, en remarcar que sigue siendo tímido, casero y constante en sus promocionadas relaciones de pareja:
“Creo que uno puede mantener su esencia, sin hacer que la fama se te suba a la cabeza, haciendo lo de siempre, juntándose con la gente que uno quiere, y buscando no perder la simpleza”.
Conocido mundialmente por su trabajo en la telenovela El clón, desde la semana pasada a Murilo Benicio se lo puede ver por Telefé a las 15 en La favorita donde hace de Dodi, un personaje definido por João Emanuel Carneiro, creador de la tira, como
“un malandro sin carácter que sigue la línea de los villanos de Quentin Tarantino”.
“Es un hombre con una dosis de humor negro muy alto. No es exactamente un bon vivant pero sí un tipo muy carismático y entrador. Tiene esa cosa cínica, de un humor muy extremo que es verdad que sacamos de Tarantino”, dice desde Río Benicio, quien se encuentra de vacaciones esperando retomar las grabaciones de la segunda temporada de Força-tarefa, la serie policial en la que está trabajando para la cadena brasileña, a la que define como “una maquinaria gigante” que le permitió, también, hacer cine y teatro.
 Desde chico tuvo problemas de tartamudez, pero supo capitalizarlos y, durante unas vacaciones en Brasil, consiguió un papel en la novela Fiera herida en 1993, lo que le abriría las puertas a la televisión.
“Desde pequeño supe llevar bien el tema, con humor. Jugaba, hacía bromas sobre eso y la gente no lo tomaba en serio. Cuando en la novela interpreté a un tartamudo pude hacer catarsis de todo eso y fue realmente muy bueno”, recuerda el actor que, a base de años de tratamientos, logró superar ese trastorno.
A partir de allí, al galán brasileño no le faltaron papeles pero fue, sin dudas, su experiencia de interpretar a tres personajes en El clon (2001), una historia de drogas, islamismo y clonación humana lo que marcó un quiebre en su carrera.
“Con esa novela lo que sucedió fue que Gloria Pérez, su autora, escribió de cosas muy inusitadas e hizo una gran historia”, sostiene Benicio. “Ella siempre habla de mundos diferentes y ahí escribió sobre el mundo árabe, algo que al brasileño le llamó mucho la atención. La verdad es que El clón puso a las telenovelas brasileñas en otra dimensión, algo más surreal. La gente estaba acostumbrada a que las historias sucedieran en Río de Janeiro o en otro lugar de Brasil y esto fue algo totalmente diferente.”

 —En su momento hiciste de Lucas, el protagonista, su clón y su hermano gemelo y, aunque tu trabajo fue muy valorado, también recibiste muchas críticas... ¿Te afectaron?
 —No mucho. La verdad es que leo todo pero cuando las críticas no tienen demasiado sentido, no me incomodan. Ahora, si creo que dicen algo positivo y tienen algo que me aportan, las veo y las valoro para poder mejorar.

—¿Todas sus parejas fueron actrices o mujeres vinculadas a los medios?
—Yo me quedo mucho en casa por lo que la gente que conozco es generalmente de mi trabajo. No salgo de noche, no voy a eventos ni a fiestas, así que no me queda otra que ponerme de novio con gente del trabajo.

—Sin embargo, Ud. tiene una gran fama de mujeriego...
—No sé de dónde viene esa fama ni por qué circula ese rumor. Estuve casado dos años, después tuve otra novia de cuatro, una de tres y ahora estoy con mi novia actual desde hace tres años, también. Todas fueron relaciones largas.

—¿Y entonces?
—No sé, creo que las revistas tienen necesidad de inventar cosas de mi vida porque no doy muchas excusas para que salga nada.

—¿Le gustaría tener más hijos?
—La verdad es que tengo un poco de miedo por la situación de inseguridad que hay hoy en Río. No se si me animaría a tener más.

—Ud. es una de las figuras preferidas de los paparazzi de su país ¿Cómo se lleva con la fama?
—Estamos viviendo un momento muy malo para la intimidad en Río de Janeiro. En cada esquina hay un fotógrafo, por lo que hay que tratar de aprender a convivir con eso. Los actores no podemos caminar más por la ciudad. Al menos una vez por día, nos intentan sacar fotos, sin respeto. No tenemos ninguna posibilidad de intimidad y eso me tiene un poco harto.

—Más de una vez dijo ser amante del cine ¿Cómo ve la actualidad de la industria en su país?
—La gente está batallando para que mejore. Acá se toma a Argentina como ejemplo en cine y también en teatro, porque tienen productos buenísimos y muy exitosos, muy inteligentes. Soy un enamorado del cine argentino, porque es algo que va directo al alma, que cubre las áreas sensibles del ser humano, historias muy bonitas y bien contadas, que nos permiten conocer el alma de su pueblo a través del cine. Creo que ni el cine de Brasil ni el de Estados Unidos entendieron eso y nosotros estamos buscando mejorar el contenido de nuestras películas para hacerlas más humanas.

La favorita fue desde su debut en Brasil un suceso de rating. Para Murilo Benicio, gran parte de su éxito tuvo que ver con la mixtura de géneros “suspenso, policial, algo a lo que no estamos muy acostumbrados acá, en Brasil”, dice y se entusiasma:
“Cada capítulo te deja atrapado y eso marcó la diferencia. Entre los cortes comerciales, la gente se quedaba pegada frente al televisor viendo qué es lo que iba a pasar”.
La telenovela, que cuenta la historia de una mujer condenada a 18 años de prisión acusada de matar al marido de su mejor amiga y que sale para vengarse y probar su inocencia, se transmitió en ese país el año pasado, en el prime time del canal O Globo, y arrancó con 39 puntos de rating y 61 por ciento de cuota de pantalla.
El final marcó otro hito en las mediciones del país vecino con 50 puntos.
“Fue algo excepcional. Me acuerdo en Río que el último capítulo no se lo perdió nadie. Nadie quedaba para cenar ni salir en la hora de la novela. Fue uno de los grandes sucesos de Globo, que siempre hace muchos números. Creo que después de El clon, fue mi personaje favorito y el que mejor recepción tuvo”, recuerda Benicio.


     

ENTREVISTA PLAY-(POR www.fotolog.net/murilobeniciomb )


Nos últimos três meses, Murilo Benício mergulhou numa rotina de tiros, explosões, perseguições e investigações sobre policiais corruptos. Além, é claro, de ter que contracenar com um encosto (interpretado pelo ator Rogério Trindade). Na pele do Tenente Wilson, protagonista da série “Força Tarefa”, exibida pela Rede Globo, Benício retoma o papel que lhe cai melhor: o de cara durão. Essa característica o acompanha na vida privada, sobretudo quando o assunto é o assédio dos paparazzi, com os quais já se atracou mais de uma vez.
“O tal preço da fama é uma coisa que eu pago. Agora, deixa meus filhos fora dessa palhaçada!”, defende-se, referindo-se à privacidade de Antônio, 12 anos (seu filho com Alessandra Negrini) e Pietro, 4 (com Giovanna Antonelli).
A postura “família”, no entanto, não é suficiente para abafar a fama de “pegador” – sobretudo no trabalho -, algo que ele nega de maneira enfática, embora o rol de beldades com que tenha se relacionado (Alessandra, Giovanna, Carolina Ferraz e Guilhermina Guinle, sua atual mulher) o desminta de forma categórica.
Nascido em Niterói em 13 de julho de 1971, filho de um empresário e uma dona de casa, Murilo mudou-se para o Rio no começo da adolescência. Até entrar na oficina de atores da Globo, passou uma temporada de dois anos nos Estados Unidos, onde, segundo suas próprias palavras, “comeu o pão que o diabo amassou”. Sua estréia em novelas ocorreu aos 21 anos, em “Fera Ferida” (1993). O nervosismo o fez reviver a gagueira da infância. Em vez de abreviar sua carreira, a característica, para sua surpresa, acabou incorporada ao personagem. Desde então, ele participou de 11 novelas, seis séries, incluindo “Força Tarefa”, 12 filmes e quatro peças de teatro.
Murilo adimite que se dá melhor na comédia ou em papéis de vilão. Por causa disso, coleciona personagens memoráveis, como o jagunço Juca Cipó, de “Irmãos Coragem” (1995), o Toninho, de “Os Matadores”(1997), o Dr. Botelho Pinto, de “Seus Problemas Acabaram!” (2006) e o escroque Dodi, de “A Favorita” (2008). Há 15 anos na Globo, diz manter o entusiasmo do começo da carreira, embora acuse a existência de
“muito atorzinho preguiçoso” na emissora.
Depois de dois meses de negociação, o repórter Rodrigo Levino encontrou o ator numa tarde de quarta-feira em seu confortável apartamento na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O apartamento, decorado por ele, tem boa parte do espaço dedicada a discos e filmes. Num lado da sala está uma foto de Al Pacino, seu maior ídolo. Bem-humorado, inclusive quando precisou acalmar o ímpeto da saltitante Lilá, sua cadelinha yorkshire, Murilo falou de tudo. Só se irritou quando se viu confrontado com insinuações de que estaria “de caso” com uma colega de elenco em “Força Tarefa”, que acaba de ter a segunda temporada confirmada pela Globo.

Você é o maior pegador e...
[Interrompendo] Eu não sou pegador!

De cabeça eu cito Carolina Ferraz, Alessandra Negrini, Giovanna Antonelli, Guilhermina Guinle. E com um detalhe: todas ex-colegas de trabalho. E você diz que não é pegador?
Não, é o contrário. Gosto de casar. E essa coisa de que eu só namoro colega de cena é lenda. Pô, eu não saio de casa! Se eu não namorasse atrizes, não ia namorar ninguém! Se você faz faculdade e dedica sua vida a isso, onde você vai conhecer mulher? Na faculdade, claro. A diferença é que sou famoso e isso toma uma proporção exagerada.

Notinhas insinuam que você anda muito “entrosado” com Fabíula Nascimento, com quem contracena em “Força tarefa”...
[Irritado] Isso é sacanagem, né? Pô, se as pessoas soubessem quanto isso pode ferrar um casamento... Uma relação em crise e prestes a se recuperar vai por água abaixo depois de uma nota dessas.

Já aconteceu com você?
Já, e desestabilizou. Se você está numa crise, tentando resolver, e sai uma nota dessas, é ruim. Não acontece agora porque estou bem com a Guilhermina (Guinle), porque sou amigo da Fabíula e do marido dela, o Alexandre (Nero). Mas aí neguinho divulga que eu fico conversando com ela no set...P***, que problema tem nisso? Insinua, enche de veneno... Já pensou se ela estivesse com problemas no casamento? Jornalista que faz isso devia ser preso.

Você tem conseguido conviver bem com a fama?
Tenho conseguido. Inclusive estou numa boa com os paparazzi. Aceito que falem da minha vida da parte que for pública, desde que eu esteja na rua. Insinuação mentirosa da vida privada, não.

Mas nem sempre foi assim. Há dois anos, você teve problemas com um paparazzo e chegou a bater no cara. De onde vem essa birra?
Não é birra, é incômodo. Hoje lido melhor com isso, mas já joguei coisa em fotógrafo, já fui tirar satisfação. P***, não vem com essa história de que é o preço da fama! O preço, se tiver, eu pago. Agora, meu filho, não! E foi isso que aconteceu. Eu estava com o meu filho, e o cara lá, fotografando. Se perdi a paciência, foi para proteger o meu filho, que não tem nada a ver com essa cultura de interesse pela vida alheia.

Mas seja sicero: você sempre fez sucesso com as mulheres ou foi a fama que te deu um upgrade?
Sempre me dei bem com as mulheres, mas nunca fui galã! E, porra, eu era gago! (risos) E mesmo assim conseguia levar um papo. É uma coisa que sempre falo com o meu filho mais velho, o Antônio: "Você não precisa ser o mais bonito, precisa ser o mais esperto, ter o melhor papo, der divertido, bem-humorado".

Como você curou a gagueira?
Nos Estados Unidos. Eu tinha 19 anos. Me ferrei tanto que aprendi a falar direito (risos).

Você se ferrou como?
Eu morava em San Rafael, na Califórnia, não dominava a língua, não tinha amigos. No auge da crise, fiquei uma semana me alimentando de leite e pão porque não tinha grana para comer outra coisa. E o pior de tudo é a solidão.Nada no mundo pode ser pior do que não ter gente perto, família, amigos. E eu fui tão tonto que ajudei a piorar isso! (risos)

Como?
Pô, comprei uma secretária eletrônica porque achava que, enquanto eu não estava em casa, alguém podia me ligar. Mas, pensa bem, quem iria me ligar? (risos) Então aquilo se transformou numa autoflagelação. Eu chegava da pizzaria onde trabalhava e entrava em casa tremendo, desviando o olho da porra da secretária, querendo que ela estivesse sinalizando algum recado. Mas eu sabia que não ia ter nenhum! (risos)

E Quando a má sorte pasou?
Quando consegui o emprego na pizzaria.Fui limpar chão, peão mesmo. Só que, quando as coisas estavam melhorando, bati no carro de um cara e o meu não tinha seguro (risos).

Você foi em cana?
Não, mas tive de me defender sozinho num daqueles júris, igualzinho a filme americano.

Bom, mas pelo menos se livrou da gagueira...
Mais ou menos. Às vezes volta. Eu devia ter continuado a tratar com um fonoaudiólogo, mas não levei adiante.

Foi essa gagueira que se manifestou nas gravações de "Fera Ferida" (1994)?
Isso! Mas ali teve o nervosismo, né? Pô, eu era um molequee chego para atuar com a Cássia Kiss e a Giulia Gam. Não deu outra: gagueira! Só que o diretor gostou e o personagem ficou nessa até o fim. O que naõ foi nenhum esforço para mim (risos).

Você voltaria aos Estados Unidos para protagonizar mais um fracasso, que foi o filme "Sabor da Paixão" (da venezuelana Fina Torres)....?
(Interrompe) Não foi um fracasso. Eu diria que deixamos de fazer sucesso. São coiusas diferentes. Fracasso é um filme ruim, e não é esse o caso. Acho simpático. Ele cumpriu a meta de todo filme "independente". Acho que foi aquém do que a gente esperava, mas muito mais do que ocorre com 90% dos filmes independentes produzidos nos Estados Unidos.

Bem, nesse filme você atuou com a Penélope Cruz. Rolou um clima?
Não, não rolou nada.

Pô, mas ela é muito gostosa...

Mas não tem bunda! (risos) Como é que um mulher é gostosa se não tem nada de bunda? Quando eu penso em gostosura , penso em curvas. Não rolou, nem rolaria (risos).


Como foi atuar com ela?
Ah, muito bacana. Ela não estava ainda no patamar atual, de estrelar filme Woody Allen, por exemplo. Ela tinha acabado de estourar na Espanha.Estava chegando aos Estados Unidos. E a diretora me falou: "Demos uma puta sorte porque ela assinou esse contrato um ano antes!". Ela é uma palhaça, deixava as gravações muito divertidas.

Esse, como você diz, "não sucesso", criou dificuldades para que tivesse uma carreira internacional?
Não, pelo contrário.Permanecer lá era uma coisa que dependia muito mais de mim. A agente chegou pra mim assim que o filme foi lançado e falou: "Agora tá tudo certo! Aos poucos você começa a fazer filmes e se muda para Hollywood". Ficar longe dos meus filhos? Eu não seria capaz. A equação é simples.Então eu não vou poder pegar o Antônio ou o Pietro na escola quando eu bem entender porque moro nos EUA e tenho uma carreira no cinema? Não é o caso. Não vale a pena ter um Oscar na mão e estar infeliz.

Trabalhando no campo das hipóteses, se surgisse uma nova oportunidade, com quem você gostaria de contracenar?
(Pensativo) Olha...Não sei se a questão é com quem eu gostaria ou não gostaria. Veja só, eu tenho uma foto do Al Pacino na sala, já assisti a todos os filmes dele. Agora, será que eu quero atuar com ele? Tenho medo de desmistificar as pessoas que admiro. Inclusive já tive a oportunidade de jantar com ele.

Quando?
Há uns quatro anos, nos Estados Unidos. Temos um amigo em comum. Ele tinha marcado um jantar com o Al Pacino e falou: "Vamos comigo". Não fui. Preferi não conhecer. Já pensou se o cara é um mala? (risos). Eu vou lá, todo empolgado, achando o máximo as opiniões dele sobre atuação, cinema, e, de repente, ele fala: "Ah, não é nada disso, o que eu falo é só pose". Aí fodeu! Prefiro preservar o mito. Deixa como está que está bom (risos).

Falando de Força Tarefa, a série acaba de ter a segunda temporada confirmada para o ano que vem...
Isso (a confirmação da segunda temporada) é mérito do Zé (Alvarenga Junior, diretor), que fez um ótimo trabalho. Inclusive por ter tido a sacada de me ver atuando como o Doutor Botelho Pinto, no filme do Casseta & Planeta ("Seus Problemas Acabaram!", de 2006), e acreditar que eu conseguia fazer um papel mais pesado.

Você não acha que a série demorou para se ajustar em formato, roteiro e fotografia?
A série é nova e vai melhorar. Desde o primeiro capítulo até agora, sinto que a coisa foi "amaciando". Os últimos episódios já foram mais redondinhos. Agora, temos uma dificuldade em relação à duração dos episódios. São muito curtos. O que senti no começo, é que a gente tinha grandes idéias mas não se aprofundava. A gente caía na correria porque os capítulos não têm um to be continued e tudo precisa se resolver em 40 minutos.

Você é fã de séries policiais? Inspirou-se em alguém para compor o personagem?
Assisto porque gosto, mas não fico pensando no meu personagem , uma vez que ele tá muito distante da realidade americana. Agora, claro que me indicaram algumas coisas mais específicas, como "The Shield" (AXN), que acho interessante. Mas sou apaixonado pela "Família Soprano" (HBO). Vi tudo. Também gosto de "Roma". Mas o personagem do Tenente Wilson foi moldado pelo diretor.

Como você deu forma ao Tenente Wilson? Teve de conviver com os policiais?
Antes de começar, fiquei naquela de "como vou fazer o personagem?". Comecei a correr, fazer regime, só que, à medida que fui intrevistando policiais, percebi que ninguém tinha o físico que eu achava que seria o ideal. Era pura vaidade minha querer ficar magrinho para fazer a série na linha "bonitinho para a televisão". Só que a realidade era outra: eles não são gordos, mas fortes. Tem um Tenente que acompanha as gravações que não tem nada de marombado, mas é forte, mesmo tendo lá sua barriguinha. A vaidade dos caras é não ter vaidade.

É verdade que você engordou 4 quilos?
Não é que eu tenha enhordado, eu deixei de emagrecer. È diferente (risos). Me liberei, saca? Depois, uma imagem que me veio à mente. e que acabei usando como parâmetro, é a do Robert De Niro em "Touro Indomável" (1980), quando ele aparece a primeira vez ajoelhado, com a camisa aberta. Ali ele já está meio gordinho, mas forte também, Daí pensei: "Esse é o Tenente Wilson!"

Você acompanha as outras séries policiais que qstão em cartaz no Brasil, como "A Lei e o Crime", da Record e 9 MM: São Paulo, da Fox?
Acompanho para ver quem está fazendo, mas raramente. Eu nem me assisto muito.

Essa mania de segurar a arma deitada , e não diretamente apontada, não é muito "Trantiano", não?
Mas eu não seguro a arma assim!

Segura sim. Marquei algumas cenas.
Discordo completamente! (risos) Duvido! Nem gosto disso porque acho "americanóide". Vamos apostar como não seguro assim? Acho quie já fiz isso, mas em "A Justiceira" , de 1997. Não faço mais! (risos).

Você teve de aprender a atirar?
Não, isso eu já sabia por ter feito outas coisas dentro desse estilo, como "Os Matadores" (1997), "A Justiceira" (1997), "O Homem do Ano" (2002). O que rolou foi um upgrade em novas armas, entender como um policial carrega a arma - nunca encostada ao peito porque, se cair, dá merda etc. A vantagem é que fiz mais bandido que mocinho na minha carreira (risos).

Isso é verdade. Em "Matadores", por exemplo, você conviveu com algum assassino de aluguel?
Sim. Foi chocante. O cara ficava no set, dando dica, contando das mortes, das armas que usava.

O que mais chocou você nessas histórias?
Tem uma história sobre como ele matava no meio da multidão. Isso é impressionante. Porque ele calculava a hora certa, o movimento, o lugar, a maneira de se aproximar da vítima. E o mais curioso: ele sabia como tirar proveito do pânico das pessoas, de modo que ninguém era capaz de reconhecê-lo depois. Ele saía caminhando do local do crime, enquanto as pessoas corriam, se agachavam ou tentavam se esconder. Até hoje penso nisso porque pode acontecer até num quiosque de praia.

Você acha que, em "Força Tarefa", o mix de atores conhecidos, como você e Milton Gonçalves, com outros que estão começando na TV, como Hermila Guedes e Fabíula Nascimento, funciona?
Muito! Acho ótimo. Porque tem muito diretor agora que inventou uma moda de "não quero ator famoso, gente nova é que se entrega e entende o papel". Isso é uma estupidez. Pô, eu sou famoso graças ao que fiz na TV, no cinema e no teatro. Não sou menos nem mais do que um ator iniciante. Então porque essa coisa de criar uma hierarquia?

Falando em atores estreantes e veteranos, você acha que, estando na Globo, ou a fama sobe à cabeça ou o ator se acomoda?
Claro. tem muito ator preguiçoso. A Globo é de certa forma um paraíso. E isso pode virar um veneno. Nem se trata de a fama subir à cabeça. Antes fosse. Falo de quem deixa de ser artista, de quem se acomoda com o bom salário e faz a mesma coisa há mil anos, sem interesse pelo lado artístico da profissão. Tem gente que já não erra nem acerta há muito tempo, fica num limbo artístico como se fosse só um emprego.

Você já se sentiu acomodado alguma vez?
Não. Aconteceu de eu errar. Em situações de todo mundo achar que está ruim, mas eu dizer: "Olha, tomei essa estrada e vou embora nela".

Isso aconteceu em "O Clone" (novela de Glória Perez, de 2001), por exemplo, quando você interpretou dois irmãos gêmeos e um clone deles?
Aconteceu. Mas no começo, porque no final as pessoas adoraram. Mas o começo foi difícil, e por um problema alheio à minha vontade. Eu interpretava dois gêmeos com a mesma criação, com poucas diferenças entre si. A diferença na atuação eu quis realizar no papel do clone, o Léo, que estava previsto para entrar no capítulo 25 e só entrou seis meses depois! Pô, eu fiquei no vácuo, com as pessoas achando que eu ia virar uma Ruth e Raquel (papel de Glória Pires em "Mulheres de Areia")! (Risos). Mas não foi uma falha da Glória, foi o cronograma. Novela é assim.

O personagem não tinha, digamos, um "comodismo" inerente ao papel do galã? Algo que pode ser percebido na sua carreira , como se você se desse melhor na comédia ou interpretando bad boys?
O rótulo de galã tem, sim, essa coisa, mas eu tento tirar um pouco disso. Realmente é chato ser o galã da novela. Você acaba tendo que cuidar da parte mais careta da trama. Pô, como você pode subverter isso? Não tem muito espaço para manobra, mas, por exemplo, vivendo o Danilo, em "Chocolate com Pimenta" (20003), acho que consegui. Pus ali uns elementos "chaplinianos", uma graça, sem ser tão chato.

E quando a crítica vem de uma colega de profissão, como foi o caso da atriz Leandra Leal, que foi irônica ao usar seu nome no blog dela?
Eu não leio blog.

Vou fazer um resumo: ela falava sobre o trabalho de um colega de maneira depreciativa e, para isso, usava a expressão "escola Murilo Benicio de interpretação".
Eu não sabia que ela tinha esse desafeto com a minha pessoa! (Risos)

Se a encontrasse, você lhe diria algo?
Não, não ligaria. Ela não é uma pessoa que faça parte do meu dia a dia. Agora, o que eu posso fazer é gravar umas novelas que fiz e mandar para ela, aí ela teria uma idéia do que é atuação. Ou ela pode rever três, quatro filmes que eu fiz. Aposto que ela vai ficar satisfeita. É uma pena porque a acho talentosa.

Nesse rol de atuações, há algum personagem que você considere o melhor da carreira?
"O Homem do Ano". Foi o mais difícil e aquele em que obtive um resultado final melhor. A atuação me deixou tenso. mergulhei no personagem, que foi se tornando violento. Acompanhei a escala de tensão. Recebi o maior elogio da minha vida da Patrícia Melo, que escreveu o livro em que se baseou o filme. Ela dfisse que eu tinha feito um personagem melhor e maior do que ela tinha escrito. Sensacional!

Você acha que há excesso de nudez no cinema nacional, como disse Pedro Cardoso em seu manifewsto publicado na Folha de S. Paulo?
Não conheço detalhes do manifesto, mas acho que isso (a nudez) já foi muito mais grave no cinema nacional. Não grave no sentido de ser um problema, mas de acontecer mais vezes. Óbvio que até hoje tem cena que você assiste e fala "Não precisava ter ninguém nu aí", mas aconteceia mais nos anos 1980. Por oitro lado, existem cenas lindas de nudez que são essenciais ao filme. Não acho que o apelo do cinema nacional de hoje se baseie na nudez. Agora, liga o Canal Brasil. Está todo mundo lá! O (Miguel) Falabella costuma dizer: "Quem deve teme: Canal Brasil" (Risos).

E você teme alguma coisa da sua carreira?
Não. (Risos). Não há papel do qual eu me arrependa ou tenha vergonha.

Onde você se sente mais à vontade: no teatro, no cinema, ou na TV?
No teatro. Ele me dá poder. Quando estou no palco, percebo que consigo levar a platéia para onde quero. Ali sinto que tenho talento para a coisa.

É a sua maior vaidade?
Acho que a única. Porque fisicamente, não tenho a menor disciplina. Não fumo, bebo moderadamente, mas em compensação acabei de sair do Porcão (churrascaria carioca) para esta entrevista.

E o cinema? Você já pensou em dirigir?
Sim. Acho que tenho um olhar para a direção. Mas o processo é muito complicado. No Brasil é praticamente inviável. Já tive um filme na mão, que era "O Beijo no Asfalto", baseado na obra de Nelson Rodrigues, mas a coisa emperrou na burocracia. Tinha um p*** filme na cabeça, mil idéias, e nada!

Onde parou?
Na dificuldade de captar recursos.Procurei investimento da Petrobras, e foi aprovado 100%...

Maravilha, então.
Maravilha nada! fiquei um ano esperando. Aí aconteceu algum problema, vieram cortes e eu dancei. Um dia me ligaram dizendo que, em vez de 100%, eu só teria 30% do patrocínio e que, para usar essa grana, teria de garantir ontem os outros 70%. Daí comecei a ir à Brasília fazer uma coisa para a qual não tenho o menor talento, que é lidar com burocracia. Nisso, fui perdendo o tesão. Um dia o meu produtor perguntou: "Você ainda quer fazer esse filme?" Ali eu vi que, querer, eu queria, mas não valeria a pena fazer sem a mesma emplogação sob pena de comprometer o resultado final.

Mas você é à favor de patrocínio público para eventos, filmes, discos, balés...
Claro que sou. Qualquer coisa ligada à arte, ao esporte, coisas que ajudem a tornar a vida das pessoas melhor, precisa de patrocínio.Dia desses, eu estava vendo uma entrevista com o (ginasta) Diego Hipólito. Porra, o cara não recebe há seis meses! Não tem patrocínio para viajar! É um absurdo! E olha que ele ganha uma medalha atrás da outra. Vergonhoso.

Mesmo assim o cinema nacional está cheio de patrocínios públicos. BNDES, Ministério da Cultura, RioFilmes e, geralmente, direcionado para os favela movies. Não lhe parece um monopólio temático?
O problema é que "Cidade de Deus", que é um p*** filme, virou uma marca no cinema nacional, como um daqueles "filmes iranianos", que são todos iguais, sempre sobre pobreza. Acho lindo, mas uma hora cansa. Agora, não acho que a gente só faça filme assim. Veja o caso de "Se Eu Fosse Você 2". De "Divã", de "Mulher Invisível". filmes que tem um apelo mais popular sem deixar de ser bem-feitos e que fogem dessa tônica de favela, violência.

Recentemente, o ator Marcelo Anthony declarou que não se atrela sua imagem a nenhum produto, até porque se paga muito mal para fazer merchandising em novela. Concorda?
Em parte. A parte que eu concordo não diz respeito nem à grana em si, mas à maneira como é feito. Não existe merchandising bem-feito no Brasil. Já fiz e não me arrependo, mas gostaria que aprendessem a fazer. Basta prestar atenção nas séries americanas. Agora, em relação à grana, não vejo problema.

E campanha política, você faria para alguém?
Até faria para algém em que eu acreditasse. Mas nunca foi o caso.

Você acompanha a cena política do país?
Na medida do possível.

Em resumo, temos um quadro em que o Presidente Lula passou dos 70% de aprovação e a candidata do governo à Presidência da república, Dilma Russef, começa a subir nas pesquisas...
(Interrompe) Mas a troco de quê? Valeu a pena? Veja que triste a história do PT, as concessões que fez quando chegou ao poder, a corrupção.Votei no Lula e foi decepcionante. Então você me pergunta se eu faria campanha política? Faria, mas em quem a gente pode acreditar de verdade? Ainda não apareceu quem me convencesse disso.

Como foi a sua primeira vez?
Olha, é a primeira vez que eu falo sobre isso (risos). Mas a verdade é que eu não sei!

Você estava possuído na hora?
(Risos) Não, não é isso! É que firam tantas tentativas que eu não sei dizer o dia, a hora que começou a valer. A namorada também era virgem, então, quer dizer, duas pessoas sem experiência, sem saber muito o que fazer, dá nisso.

E a sua Play preferida?
O primeiro ensaio da Luciana Vendramini (1987). Foi um fato histórico! (risos). Imagino que muito casamento tenha acabado...

Você teria algo contra sua mulher, a Guilhermina Guinle, posar para a gente?
Contra,eu não tenho nada. Ela é muito independente, tem a carreira dela. È uma decisão pessoal.

Então podemos contar com a sua ajuda?
Não! (Risos) Nem pensar. Nada contra, mas não contem comigo (risos). Se quiserem, até ajudo com algumas amigas minhas, mas a Guilhermina não!


REVISTA PODER (por http://fotolog.net/murilobeniciomb )

  

No início de 2008,Murilo Benício deu adeus à vida de bom rapaz e, decidido a explorar picos mais dark, mudou-se para o submundo. É claro que não estamos falando da pessoa física, que continua morando na Barra da Tijuca e trabalhando no Projac, e sim do ator. Depois de uma longa estadia na comédia, escolheu privilegiar o drama. Como é dos poucos artistas no mundo com total controle sobre sua carreira, só tem aceito convites para personagens complexos.
De quantos atores você já não comentou: “Lá vem ele como mais um psicopata “ ou “Olha ela fazendo a femme fatale pela milésima vez?” Poucos atores têm a prerrogativa de escolher para que lado querem virar o leme da sua carreira. Murilo Benício faz parte desse clube seleto. Há alguns anos, depois de protagonizar “O Homem do Ano”, filme do diretor José Henrique Fonseca, percebeu que estava sendo levado muito a sério e resolveu mudar de perfil.
“Venho de uma família em que o que importa é o humor. Achava injusto da minha parte não dividir essa habilidade com o espectador”.
Tomada a decisão, por mais que fosse chamado para fazer o mocinho, como aconteceu nos folhetins “América” e “Chocolate com Pimenta”, encontrava sempre uma forma de levar graça para os seus personagens. O auge dessa fase foi o advogado Botelho Pinto, no filme “Seus Problemas Acabaram!!!”, da turma do Casseta & Planeta, que Murilo aceitou fazer pensando em seus filhos.
“Foi o maior pastelão da minha vida”.
Inquieto, assim que se firmou como ator de comédia, começou a sentir nostalgia dos papéis mais sérios.
“è aquela coisa do dar certo e ficar engessado num tipo de personagem. Rapidamente você tem de colocar uma trava”. Decidido a dar outra guinada, passou a recusar convites para fazer humor. O primeiro deles foi para a novela “A Favorita”. Um dos poucos atores que goza deste privilégio na Vênus Platinada, Murilo não foi questionado por sua decisão. Pouco depois, quando Fábio Assunção saiu do elenco, ligou para a diretoria da emissora pedindo o papel de Dodi – um personagem ao mesmo tempo cafajeste, galã, ladrão e assassino. “Com o Dodi felizmente consegui resgatar esse outro lado. Estou vivendo uma fase de conquista: As pessoas estão percebendo, agora mais do que nunca, que eu faço de tudo”.

Ainda no fim das gravações de “A Favorita”, veio o convite do diretor José Alvarenga Jr. para fazer o tenente Wilson, um policial que investiga irregularidades na Polícia Militar, no seriado “Força Tarefa”. Para viver o tenente, conversou com policiais da Corregedoria do Rio de Janeiro e foi buscar na memória os personagens dos livros “O Silêncio da Chuva” e “Uma Janela em Copacabana”, de Luiz Alfredo Garcia-Roza, que leu há anos, por puro deleite.
No novo trabalho, seu exercício é não atuar.
“Quando você se propõe a isso, os tempos mudam. A gente está explorando pausas, climas. Silêncio é tempo”. O fato de estar fazendo uma comédia ou um drama não influencia seu estado de espírito. “Faço as mesmas brincadeiras de sempre com a equipe. A gente condiciona o cérebro para brincar, mas também estar concentrado. Você pode ficar morrendo de chorar numa cena e em seguida fazer uma piada”. A dica para realizar tal façanha: “Muito suor e frustração. Até aprender, você tem de ter muito tempo de prática. Só então começa a ter um campo maior para explorar a concentração no, meio da bagunça, que é o que se precisa para fazer televisão”.
Murilo não sabe bem explicar como consegue essa concentração, mas tem uma imagem clara para descrever seu efeito:
“É como estar num shopping e receber uma notícia muito séria. Você fica um pouco surdo para o que está acontecendo. Vê as pessoas falando, entende, mas não está tão entregue àquilo que ouviu. Entra num outro mundo, ao mesmo tempo em que está ali”.
Outra característica de Murilo Benício é ser racional, brechtiano, na construção de seus personagens. Com distanciamento crítico, ele tem uma percepção aguda do que está à sua volta e do que faz ou não sentido para um personagem. Um exemplo curioso foi uma decisão tomada na preparação para “Força Tarefa”. Quando aceitou o convite para fazer o tenente Wilson, resolveu mudar de hábitos. Convenceu-se que iria correr, malhar, emagrecer, ganhar massa muscular. Então conheceu um tenente de verdade, que não era nada magrinho, e percebeu que nenhum deles é.
“Você sente que o cara é forte. Mas a vaidade deles consiste em não ter vaidade”. Diante dessa percepção, decidiu que Wilson seria gordinho, normal, como os policiais que conheceu na corregedoria. Porque esse corpo o aproximaria mais da realidade do que de uma propaganda de xampu. “Tive a sensibilidade de entender que a minha vaidade queria interromper um trabalho que poderia ser muito mais interessante”. Depois disso, já apareceu até de cueca, em plano aberto, na maior tranqüilidade.

Toda essa confiança, acredite, vem de um ator, que, até os 21 anos, era completamente gago. Para curar-se, fez tratamentos com fonoaudiólogas e até regressão. Curiosamente, não foi parar no Egito como faraó gago, e sim perdido numa praia deserta. Nessa altura, ouviu: ”Volta, você está muito longe. Esquece esse trabalho”. O que praticamente o curou foi, na vida real, viajar para muito longe. Quando morou na Califórnia, passou por uma série de sufocos, entre eles uma semana à pão e leite – ganhou a certeza de que pode se virar em qualquer lugar do mundo. E é o que vem fazendo desde então, com galhardia.
A primeira grande prova de que poderia lidar com qualquer situação foi sua estréia na televisão.
“Na Globo, algumas pessoas chegam para fazer uma participação especial com uma única frase e erram 15 vezes. Porque ficam intimidadas com aquela grandeza, estúdios que são um gelo, câmeras em cima de você”. Ele, que tinha estudado teatro a vida inteira, fez sua primeira cena numa novela com Cássia Kiss e Giulia Gam. O estreante ficou tão tenso que deu uma fala gaguejando. O diretor, em vez de mandá-lo repetir, elogiou: “isso é legal pro personagem, hein?”. Murilo, sem gaguejar, nem titubear, respondeu: “Pois é, estudei!”. E o personagem virou gago. “Você tem de usar as coisas da vida a seu favor. Acho que esse é o caminho, e não ficar se defendendo. Se souber se desviar de uma força que vem contra você, e usá-la a seu favor, você vai embora”, diz. “Esse é o grande barato da vida”.


CENAS DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS

Quando terminar as gravações de “Força Tarefa”, Murilo Benício pretende aprender a tocar guitarra, cursar arquitetura e escrever. Apaixonado pelo "stund-up comedy", Gênero que no Brasil foi batizado de "comédia em pé", resolveu ser autor do seu próximo espetáculo.
"Para quem vai estar de férias", brinca, "está mais do que bom". Esperemos.

 


 'O BONZINHO É O PAPEL MAIS DIFÍCIL DE FAZER NA TV' ( www.fotolog.net/murilobeniciomb )


Já sei que o Tenente Wilson é radicalmente honesto. Qual o cuidado que você está tomando para que o personagem não se torne um chato?
Pois é, temos pouco do Wilson no texto, sobre como ele é. Estou tendo uma experiência muito interessante com a Fabíula Nascimento (Jaqueline, namorada de Wilson). Estamos buscando uma agressividade maior quando ele está no trabalho, para ter a contrapartida do carinho que ele demonstra por ela. Por causa do trabalho, ele decepciona a namorada às vezes. Ela quer sair, ele não pode - e quando pode, está cansado. Acho bom também que ele tenha um pouco de humor, mas ainda não encontrei o humor dele.

É complicado encontrar o tom do bonzinho?
Em televisão, a coisa mais difícil é fazer o protagonista bonzinho. Por isso, a gente vê tanto vilão fazendo sucesso. É porque o vilão não tem limites, não segue cartilha, ele é incorreto. O maior desafio para o ator é fazer o bonzinho, e as pessoas que veem de fora acham que é o contrário. Normalmente e naturalmente, o mocinho é meio chato.

Então, é mais difícil para você decifrar um personagem feito o Wilson do que um Dodi, por exemplo?
Ah, muito mais! O Dodi é mole fazer. Quer dizer, não é mole.... É o tipo de coisa que é extremamente difícil quando você cria. Briguei comigo mesmo durante dois meses da novela, pensando que isso e aquilo estava meio ruim. Esse momento é muito humilhante para o ator, na minha opinião. Porque a gente não tem preparação em novela. É meio assim "então tá, amanhã você está gravando". Eu faço, mas com a certeza de que vou começar errado. Depois, vai endireitando. Mas acho que é melhor errar alguns capítulos, e depois fazer uma coisa diferente, do que entrar no certinho, e nunca mais mudar. O Dodi partiu para uma coisa meio surreal.

E em Força Tarefa a coisa é mais pé no chão.
Sim, aqui é mais próximo de mim, e esses personagens existem na vida real. Então, o limite é muito maior para você ser fiel ao que acontece, diferentemente do Dodi.

Por falar em tempo de preparação, você mal tinha saído de A Favorita quando foi chamado para ser o Wilson. Teve tempo para se preparar desta vez?
Não. Quando é assim, você atua, não tem jeito. Tem muita gente que acha estranho o meu jeito de trabalhar. A única coisa que me importa é saber como é o personagem. Quando estou fazendo novela, não estudo um dia antes - graças a Deus tenho uma memória ótima. Chego e decoro tudo fácil. Se eu sei como é o personagem, sei como ele vai se portar em qualquer circunstância. Se eu chegar na Globo e o meu personagem for receber a notícia de que a mãe dele morreu ou que ele vai ficar noivo, para mim não interessa. Estou pronto para qualquer coisa.

Para atirar, com certeza. Tem prática com armas de fogo, não?
Tenho. Sabe o que é engraçado? Sei mexer em todos os tipos de armas - 12 mm, AR-15, pistola, revólver, tudo. Só não sabia segurar direito, porque nunca tinha interpretado um policial, não tinha precisado ainda desse tipo de treinamento.

Só fez bandido...
É, e bandido segura de qualquer jeito.

Mas você teve consultoria de um pistoleiro uma vez, não foi?
Sim, para Os Matadores, do Beto Brant (1997). O pistoleiro fez ponta no filme, aparece várias vezes. Aquela época foi doida. Ele me deu uma arma de presente, que joguei no mar, de medo. Acho que, até hoje, aquele filme é o melhor do Beto. E não digo isso porque é o que eu fiz.

E do Dodi, não sente saudades?
Ah, tenho saudade de tantos personagens... Morria de rir com o Arthur, de Pé na Jaca (2006). Daquele tenho saudade, porque eu estava impossível. Tinha cena que eu não fazia porque achava tão engraçado que não conseguia fazer. Gostei também do Maiquel de O Homem do Ano (de José Henrique Fonseca, 2002). Foi um personagem muito difícil, mérito meu mesmo. Tenho uma espinha interna que sempre que estou estressado, estoura. E eu fiz o filme todo com ela esturando, imagina só. Tanto é que a gente deixou, virou uma marca do personagem. Dá saudade de um monte deles... Mas não é que eu fique fazendo em casa, na frente do espelho...(risos)


 

- Wilson é o novo Capitão Nascimento?
- Não tem nada a ver. O Nascimento é um soldado que sobe o morro para dar tiro. Apesar de todo capítulo ter tiro e morte, é mais do que isso, é um pano de fundo para o mais importante, que é a investigação.

- Você fica tenso com as cenas de ação?
- Qualquer cena de tiro me deixa tenso. Não me sinto à vontade. Me dá nervoso essa coisa de efeito especial, sempre acho que algo vai dar errado.

- E você é hipocondríaco...
- Sou, da pior espécie. Parei de ver “House” (seriado médico) porque achava que tinha todas aquelas doenças (risos) . Não tomo remédio, sou alérgico a AAS. Sempre acho que remédio vai me fazer mal (risos).

- Faz terapia?
- Isso é um toque de amiga? (risos) tenho um médico maravilhoso que me acompanha, o que, para qualquer hipocondríaco, é o melhor dos mundos. Ele tem um telefone que jamais é desligado. Posso ligar às 3h da manhã É mais que análise, ele é psiquiatra, então, se as coisas não derem certo na conversa, ele dá logo um ansiolítico (risos).

-Você já é pai de um pré-adolescente de 12 anos e daqui a três faz 40. Como está sendo viver esta experiência?
- O ruim é ficar velho .Outro dia vi da janela uma festinha de adolescentes. Fiquei com uma inveja deles...meninos de um lado, meninas do outro, o cara sem coragem de chegar...Fiquei horas olhando aquilo, lembrando do que já vivi, o medo de levar um não. E me deu vontade de descer. Estou revivendo isso com o Antônio. Ele já vai para matinê em boate. Inventamos frases de efeito para ele paquerar as meninas.

-Então o tímido tem seus truques?
- Sou tímido, mas dou minhas cacetadas (risos).


MURILO BAIXA A GUARDA (Parte I) -divulgado por Barbara( http://www.fotolog.net/murilobeniciomb )


Um Murilo que gosta de uma boa conversa, é gentil e dá risada da própria hipocondria. Foi esse que encontrei numa gravação de “Força Tarefa”, seriado em que encarna o honesto Tenente Wilson:


-Você tem fama de antipático e difícil. De onde vem isso?
- Vem da gerra que tinha com os paparazzi. Já fui de jogar coisa em fotógrafo, xingar. Não faço mais porque essa porcaria só se agrava. Sempre quis ter uma vida privada, já que a profissional é muito exposta. Quis proteger meus filhos (Pietro, de 3 anos, e Antônio, de 12). Não sei se querem ser apontados na rua. Se quiserem ser famosos, vão cantar, fazer Tv ou até pedir: “Pai, vamos ali no Leblon para eu sair na revista?”

- A fama atrapalha a sua vida?
- A imprensa me julga do jeito que quer. Quando defende a intimidade, o ator é mal visto. Mas ninguém pensa no quanto é ruim ser fotografado o tempo todo. A gente está vivendo um momento em que ser famoso ultrapassou o entendimento. Antigamente, as pessoas eram reconhecidas e depois, viravam famosas. Hoje, as pessoas ganham fama com um escândalo e estão na capa da “Playboy”! E todo mundo acha legal.Mas tem quem seja famoso e queira uma vida comum. Não sou a Madonna!

- E a relação com os fãs?
- Com o público não existe isso. Público é eternamente perdoado, por mais que venha tirar uma foto no meio do seu almoço, o que é de extrema falta de educação. Sempre poso para foto. Raramente digo:”Espera aí que depois eu tiro”. É por isso que o fã que me conheceu, que se aproximou de mim, não vai deizer que sou antipático.

- A timidez propagada é verdadeira?
- Sou tímido mesmo, e não acho isso o máximo. Adoro gente. A Fabiula Nascimento (que faz Jaqueline, a mulher de Wilson, no seriado) é a melhor pessoa para lidar comigo. Ela chega gritando, fala com todo mundo, é expansiva.... Assim a pessoa me ganha. Se ela vem tímida e eu também, pô, vai ser um tempão até engrenar uma conversa.

- O que tem de Niterói nesse jeito meninão do interior?
- Minha essência é essa. Não sou o famoso da Tv Globo, sou o Murilo Benício, filho da Berenice e do Mário de Niterói. Fim de semana, estou com minha família no meu sítio. Você não me vê com um amigo famoso num iate, ou perambulando pelo Leblon. A minha vida é simples, minha vida é minha família. Acho que consigo ter tanta responsabilidade criando meus filhos, estando presente na vida deles, porque levo minha vida da forma mais discreta possível.

- Fazer um policial incorruptível o fez mudar o olhar sobre a polícia?
- Descobri que tem muito mais policiais honestos do que imaginava. Claro que não conversei com todos, mas percebi que a coisa do corrupto também é generalizada. É fácil ser honesto quando se tem dinheiro, mas é difícil quando o dinheiro falta e as chances estão bem na frente. Manter a honestidade nesse patamar é complicado.

- Qual o maior conflito do Tenente Wilson no seriado da Globo?
- É com a mulher. Ele não quer casar e não é porque não gosta dela. Ele tem medo de ter um filho porque lida com a violência, com a morte. E não quer mais chances de sofrer.

- A violência te assusta?
- Me assusta muito mais a violência do exterior, de um cara que põe uma bomba no metrô, de um louco que entra numa escola e mata todo mundo. A nossa está vinculada à desigualdade social. Nós somos culpados por tudo isso, mas é reversível. Não tenho nada em casa que seja pirata. Tenho dois filhos para dar exemplo. É claro que é muito fácil dizer isso porque tenho condições de comprar o que é original, entendo quem compra o CD pirata porque quer ouvir seu ídolo. A pessoa nem sabe a besteira que está fazendo. A gente tem que melhorar isso. As classes rica e média são muito mais responsáveis do que a pobre.É do nosso costume corromper.

-Você já pagou propina para policial numa blitz, por exemplo?
- Nunca, e já fui parado. Estava com o carro do meu secretário e não sabia que tinha o IPVA atrasado. O policial disse que ia rebocar e concordei. Fiquei uma hora lá e ele me deu 12 dias pra regularizar. Em momento algum pediu dinheiro. Podia ter oferecido e me livrado? Claro, mas não vou fazer isso. A atitude de corromper sempre vem do cidadão comum. Nós damos a chance para nos passarem para trás.
 


 Exatamente três meses após o término de A Favorita, novela em que viveu o cafajeste Dodi e cujo último capítulo foi ao ar em 16 de janeiro, Murilo Benício volta à TV no seriado policial Força-tarefa, que terá 12 episódios. O personagem de Benício, o tenente Wilson, faz parte de uma equipe de policiais que investiga os desvios de conduta dos integrantes da própria corporação. Gravando intensamente desde 2 de março, ele preparou-se para o papel fazendo aulas de tiro e participou de palestras com policiais do serviço reservado, “dessa polícia que investiga a polícia”, explicou. O ator mora no Rio de Janeiro e confessa ter medo de criar ali os filhos, Antônio, de 11 anos, de seu casamento com Alessandra Negrini, e Pietro, de 3 anos, da união com Giovanna Antonelli.

QUEM: Você tem medo da violência carioca?
MURILO BENÍCIO: Temo a realidade que se impôs, mas não deixo de viver. Já fui assaltado uma vez, mas em São Paulo.

QUEM: Como se preparou para o papel? Fez laboratório em alguma corregedoria de polícia?
MB: Tivemos algumas palestras com policiais do serviço reservado, dessa polícia que investiga a polícia, e fiz aulas de tiro para aprender a usar a arma como um policial, pois esse é o primeiro trabalho em que não estarei do lado dos bandidos. O policial passa por um treinamento e realmente sabe usar uma arma. Já o bandido simplesmente pega a arma e dispara.

QUEM: Mal saiu de A Favorita e já está emendando um novo trabalho na TV. Não está cansado?
MB: Já tinha planejado férias, mas, quando recebi o convite do Alvarenga (José Alvarenga Jr.), não pude recusar. Temos uma parceria de longa data.

QUEM: Tem medo de criar seus filhos no Rio?
MB: Morro de medo. Mas meu medo vai muito além dos bandidos, porque a violência pode estar mascarada de diversas formas em uma cidade grande.

QUEM: Por que você acha que os policiais se corrompem tão facilmente?
MB: Não são todos que se corrompem, e nunca julguei esses profissionais. Com Força-tarefa, percebi mais claramente as dificuldades que enfrentam diariamente.

QUEM: É a favor da legalização das drogas?
MB: Essa não é uma questão de opinião pessoal, mas de justiça. Não sou um especialista, não tenho dados estatísticos ou uma tese. Venda e consumo de drogas são proibidos por lei, não compete a mim polemizar sobre um assunto sem os conhecimentos necessários.

QUEM: Teme comparações com o seriado A Lei e o Crime, da Rede Record? Já viu?
MB: Ainda não vi, mas já posso adiantar que são propostas muito diferentes. O ponto central de Força-tarefa é a investigação de membros da própria corporação.

QUEM: Parece estar um pouco mais “cheinho”. Engordou para o papel?
MB: Nem todos os policiais têm corpos atléticos. E nem todos são “cheinhos”, como você carinhosamente está chamando os gordinhos. Por isso, a aparência não foi uma preocupação para este trabalho. Mas também não larguei mão completamente, tenho feito pilates todo dia.


QUEM: No final de 2007, a Rede Globo mostrou interesse em transformar o filme Tropa de Elite num seriado para TV, mas as negociações foram canceladas. Você acredita que Força-tarefa está sendo produzida para cobrir esse espaço?
MB: Acredito que esse assunto está em voga há tempos. Tivemos esse universo da violência urbana, da favela, do crime, discutido em projetos como Cidade de Deus, Carandiru, Cidade dos Homens e também em Duas Caras, que discutia a questão da milícia com o personagem do Fagundes (Antônio Fagundes) na novela.

QUEM: Gosta de seriados policiais? Tem algum personagem favorito ou se inspirou em algum?
MB: Não chego a ser viciado. Por exemplo, devo ser o único que nunca viu um capítulo de Lost. E evito as séries de médico porque sou um pouco hipocondríaco (risos). Cada sintoma que o dr. House (Gregory House, personagem do ator Hugh Laurie no seriado americano House) fala, eu sinto (risos). Mas assisto CSI, Soprano e outros.



Em 16 anos de carreira, Murilo Benício nunca tinha tido a chance de encarnar um policial na TV. Talvez por isso o ator exiba tanto entusiasmo ao discorrer sobre o honesto tenente Wilson, de "Força-Tarefa", série dirigida por José Alvarenga que estreia na quinta-feira, dia 16, na Globo.
Na pele do braço-direito do coronel Caetano, de Milton Gonçalves, chefe da Corregedoria da Polícia Militar - ou seja, a equipe de policiais que investiga e assegura a disciplina e a apuração dos desvios de conduta da corporação -, Murilo tem descoberto um mundo que desconhecia: o da "polícia da polícia".
"O personagem me fez pensar muito em tudo que se tem de abrir mão para ser uma pessoa absolutamente honesta no Brasil", filosofa.
Apesar de já ter vivido bandidos em sua trajetória, Murilo confessa que teve problemas para aprender a segurar a arma da maneira correta.
"Descobri que não sabia segurar a arma como policial. No início, foi uma dificuldade para mim. Mas o elenco me ajudou muito", lembra ele.
Além da dificuldade inicial com o manejo da arma, Murilo também teve de enfrentar outro obstáculo: o cansaço. Afinal, mal se libertou do safado Dodi, de "A Favorita", e já engatou no íntegro Wilson de "Força-Tarefa". A rápida transição de uma produção para outra, contudo, não incomodou Murilo. Pelo contrário. Ele está visivelmente empolgado.
"O time está bem escalado. Torço para que seja um sucesso", conclui.

Como você fez para desconstruir a imagem do Dodi?
Não sou o Dodi porque interpretei o Dodi por sete meses em "A Favorita". Sou o Murilo. Sou um ator livre para atuar de novo. E confio plenamente no José Alvarenga. Na realidade, estava pronto para entrar de férias. Mas venho com uma parceria antiga com o Zé, desde "A Justiceira", em 1997. Também vivi com ele aquela peregrinação com "Os Amadores", que ganhava tudo quanto era prêmio e nunca ia para o ar. Então o Zé é uma parceria que jamais recuso um trabalho.

"Força-Tarefa" aborda o dia-a-dia da corregedoria, uma equipe de policiais que tem como tarefa principal investigar os desvios de conduta da própria polícia no Rio de Janeiro. Você já tinha ouvido falar sobre esse grupo?
Não sabia nem que existia. Para mim foi algo meio assim?: "Mas e aí? Como é que faço?". Eu e boa parte do elenco éramos completamente leigos em relação ao assunto. Então começamos a ouvir histórias para entender mais sobre esse universo que nunca tínhamos ouvido falar.

Qual foi, então, a opinião que você formou da polícia durante esse processo de conhecimento da corregedoria?
Vivemos em um país onde a corrupção vem da raiz, é algo histórico. Ser corrupto no Brasil é praticamente cultural. Por exemplo, tenho dois filhos que têm todos os jogos de computador imagináveis. E jamais comprei nada pirata para eles. É a minha forma de conscientização de ser um cidadão que tem esperança de que o Brasil melhore. Se 180 milhões de pessoas pensassem dessa forma, acho que o país seria bem melhor.

Você espera que o tenente Wilson vire um personagem emblemático assim como virou o capitão Nascimento, de "Tropa de Elite"?
Não. Acho que a pior coisa que se pode ter na vida é muita expectativa. A gente trabalha para que o seriado dê certo. Duvido que, em algum momento em "Tropa de Elite", as pessoas imaginassem que o capitão Nascimento fosse estourar da maneira que estourou. Até porque a história do filme é a mais inusitada do mundo. O "Tropa" ter sido pirateado, algo que é absolutamente reverso a tudo o que a gente quer, foi o que deu fama a ele. O futuro a gente nunca sabe. Só desejo que o sucesso seja de toda uma equipe, de toda a história do seriado. É a única expectativa que tenho.


 

O espetáculo está em cartaz até este domingo, no Theatro São Pedro, e ainda tem Marisa Orth no elenco. Antes de desembarcar na Capital, o ator respondeu ao auto-retrato por e-mail.

Qual a sua lembrança de infância mais remota?
Férias com os primos em Friburgo, no Rio de Janeiro.

Onde você passou as suas férias inesquecíveis?
Em Friburgo.

Qual a sua idéia de um domingo perfeito?
Em casa com a família.

O que você faz para espantar a tristeza?
Me concentro.

Que som acalma você?
Música.

O que dispara seu lado consumista?
Meu lado infantil: adoro loja de brinquedos.

Qual a palavra mais bonita da língua portuguesa?
Felicidade.

Que filme você sempre quer rever?
Atualmente, 25º Hour, de Spike Lee.

Que música não sai da sua cabeça?
Nenhuma fica por muito tempo.

Um hábito de que não abre mão.
Cinema.

Um hábito de que você quer se livrar.
Já me livrei. Cigarro.

Um elogio inesquecível.
De Mario Lago, sobre uma cena que fiz em minha primeira novela.

Em que situação vale a pena mentir?
Quando o outro não tem o direito de saber a verdade.

Em que situação você perde a elegância?
Invasão de privacidade.

Em que outra profissão consegue se imaginar?
Arquiteto.

O que você estará fazendo daqui a 10 anos?
Trabalhando.

Eu sou...
uma pessoa que sempre busca a felicidade.


Murilo Benício acredita que esse ritmo mais lento oferece a rara oportunidade de fazer um trabalho mais elaborado. "Novela é uma batalha contra o tempo porque há a preocupação para a entrega dos capítulos diários", diz

ISTOÉ - De que forma se preparou para viver um policial?
Murilo Benício -
Tivemos algumas palestras com policiais do serviço reservado, a polícia que investiga a polícia, e fiz aulas de tiro para aprender a usar a arma como policial, pois dos trabalhos que fiz até agora este é o primeiro em que não estarei do lado dos bandidos.

ISTOÉ - Qual é a marca do Tenente Wilson?
Benício -
A honestidade. Mesmo não ganhando tão bem, ele seria incapaz de compactuar com a corrupção. Ele não compra produtos piratas, não baixa música na internet, não aceita que a sua namorada compre uma bolsa falsificada.

ISTOÉ - Interpretar um policial mudou a visão que tinha sobre a polícia?
Benício -
Sim. Descobri que tem muito mais policiais honestos que desonestos.

ISTOÉ - O Tenente Wilson é um novo Capitão Nascimento (protagonista de Tropa de elite)?
Benício -
Não tem nada a ver uma coisa com a outra. O Capitão Nascimento é um soldado e o Tenente Wilson se preocupa muito mais com a investigação do que com o embate. A maior característica do Wilson é seguir as leis à risca. Ele jamais praticaria um ato de tortura, por exemplo.


  É impossível falar de tenente Wilson, personagem de Murilo Benício na série Força-Tarefa, sem lembrar do Capitão Nascimento, papel que consagrou Wagner Moura no filme Tropa de Elite (2007). Assim como o "herói" do longa, Wilson tem caráter inabalável. Mas Murilo prefere não criar expectativas, apesar de esperar que o seriado dê certo. "Duvido que, em algum momento em Tropa de Elite, as pessoas soubessem que Capitão Nascimento daria certo. Até porque a história do Tropa... foi a mais inusitada do mundo, a melhor coisa que aconteceu ao filme foi ter sido pirateado, algo contrário a tudo que a gente quer. Mas foi o que fez todo mundo ir ao cinema. Então, nunca se sabe como vai ser o futuro", filosofa o ator.

Você não iria dar um tempo de fazer televisão depois de A Favorita (2008)?
Estava pronto para entrar de férias. Mas eu e o Zé (José Alvarenga Jr., diretor) já temos uma parceria desde a série A Justiceira (1997). Sempre que ele me chamar para um projeto, jamais vou recusar. Confio completamente no Zé. Se acontecer algo de errado nesse trabalho, a culpa é toda dele (risos).

Acredita que a série vai trazer alguma esperança para a sociedade com relação à violência e à corrupção?
Trabalhamos com essa esperança. Vivemos num país em que a corrupção vem da história do Brasil. É cultural. A única forma de mudar isso é a conscientização. Tenho dois filhos (Pietro, de 3 anos, e Antônio, de 11) e é lógico que eles têm todos os tipos de jogos eletrônicos. Mas nunca comprei nada pirata. Jamais ofereci dinheiro a um guarda de trânsito para não rebocar meu carro...

Você não fez laboratório com o elenco. Está tendo algum tipo de dificuldade?
Eu tinha uma viagem marcada na época do laboratório deles, por isso não deu para fazer. Ao longo da minha carreira, já mexi muito com armas, sei montar e desmontar todas que existem. Minha dificuldade é usá-las como um policial, porque há todo um gestual. Mas, como o elenco está afiado, sempre tiro dúvidas com ele.

A série tem muitas cenas em externa. Como tem sido a recepção nas ruas?
As pessoas não sabem direito o que estamos fazendo. Só agora, com as chamadas na TV, é que estão sabendo. E aí me chamam de Dodi e até de Danilo, de Chocolate com Pimenta (2003) (risos).

Como é sua relação com Fabíula Nascimento, sua namorada na série?
É uma maluca, extrovertida... É perfeita para trabalhar comigo porque não tem timidez nenhuma e eu sou muito tímido. Não importa o que eu faça, filme, novela, sempre sou aquele menino tímido de Niterói. Eu não mudo nunca.




Aos poucos, a TV brasileira começa a refletir o cotidiano violento das grandes cidades do país. A Globo estreia no próximo dia 15 “Força tarefa”, que vai
mostrar a polícia investigando a própria corporação. Enquanto isso, na Record, “A lei e o crime” apresenta, com grande sucesso, a guerra entre bandidos,
milícia e polícia. Por isso, a Retratos da Vida convidou os protagonistas das duas séries para responder às mesmas questões. De um lado, Ângelo Paes Leme,
carioca, de 35 anos, que vive na telinha o chefe de tráfico de drogas do Morro da Alvorada. Do outro, Murilo Benício, niteroiense, de 36 anos, que será um
policial incorruptível. Ângelo e Murilo falam de suas experiências com a polícia e a bandidagem.

Você já foi assaltado?
Murilo Benício: Já, mas não aqui no Rio. Por incrível que pareça fui assaltado, à mão armada, emSão Paulo, em frente ao shopping Iguatemi. Levaram o relógio da

Giovanna (Antonelli).


Você já foi parado em blitz?
M.B.: Já. E não entendo o sentido de tantas blitzes aqui no Rio. Fica todo mundo parado, num engarrafamento mega. Morei nos Estados Unidos e nunca vi uma
blitz lá. Se um carro é suspeito, eles ligam a sirene e o carro encosta. Não atrapalha ninguém. Não acredito em blitz.


Você já foi extorquido em dinheiro por policiais?
M.B.: Eu acho que a extorsão não parte do policial, mas sim da pessoa que está em situação irregular. A polícia deixa a abertura para o cidadão. Por
inteligência, o policial não dá esse tipo de abertura.


A imagem que você tem da polícia mudou depois que começou a fazer a série?
M.B.: Mudou. Eu achei que ela fosse corrupta. Mas eu nunca julguei esses policiais. Eu sei a dificuldade que esses profissionais enfrentam diariamente
para receber nenhuma maravilha de salário.


Você tem mais medo de um policial corrupto ou de um bandido?
M.B. Eu tenho medo de andar do lado errado. O importante é que cada cidadão seja honesto.

Você acha que a sociedade não valoriza a polícia que tem?
M.B.: Acho que existe uma desvalorização da polícia, sim. E a própria polícia foi responsável por isso. Além, lógico, do governo.

Como foi a preparação para viver este personagem?
M.B.: Uma pessoa do serviço reservado da polícia deu uma palestra. Ele contou muitas histórias do que já viveu e passou.

Você acrescentou algumas características físicas no seu personagem, em relação
a postura ou comportamento dele?
M.B.: Percebi que os policiais são, em grande maioria, pessoas fortes. São cheinhos, mas não é gordura. Estou um pouquinho mais gordo, mas faço ginástica
todo dia. Faço, na verdade, pilates. E percebi também que tinha que segurar a arma de maneira diferente. O policial passa por um treinamento, não é como

 um bandido, que pega na arma e atira.

A sua série prejudica ou melhora a imagem da polícia?
M.B.: Acho que ajuda. Ainda mais o tenente Wilson. A honestidade dele é quase irritante. Ele não deixa nem a namorada comprar um CD pirata. Ele exige que as
pessoas ao lado dele também sejam honestas.



Como as pessoas te abordam na rua por causa da série?

M.B.: Ainda não me abordam. As pessoas conhecem pouco da série.



Você já viu “A lei e o crime”?
M.B.: Não. Mas o Alvarenga (José, diretor de “Força tarefa) já me disse que é muito bem feito. Eu quase não vejo TV. Mas ”A lei e o crime“ é feito por um grande amigo, o
Avancini (Alexandre, diretor).

 


 

     

 

Dodi já se envolveu em muitos crimes desde que ´A favorita´ entrou no ar. Mas o delito pelo qual vem sendo lembrado agora, pelos espectadores, é mérito de Murilo Benício: graças a um inspirado desempenho do ator, Dodi vem roubando cenas na novela das 21h, depois de um começo incerto
Emplacar no gosto popular no horário nobre é uma tarefa e tanto diante do show de vilania dado por Patricia Pillar, como Flora, e dos sofrimentos de Claudia Raia, na pele de Donatela - as protagonistas da história. Segundo o ator, a culpa é do texto:
´Um pouco do sucesso do Dodi vem do fato de que ele não aparece tanto. João Emanuel (Carneiro, autor da novela) encontrou a dose certa. A única coisa que o João me pediu foi que o Dodi fosse meio bronco. Nisso, acertei 100%. Dodi consegue ser naturalmente engraçado, sem se esforçar para fazer graça´, diz.
´Flora é o cérebro da ficção. Mas Dodi é uma dinamite. Quando necessário, a ignorância dele dá lugar à esperteza´, diz ele. Em um breve período de ´A favorita´, quando o Brasil se espantou ao ver que Flora não era a santinha que parecia ser, Dodi - ex-marido que conhece os crimes da vilã - ficou num cantinho da imaginação de João Emanuel Carneiro. Mas, na deixa certa, ele cresceu, explodiu.

Um mané?

´O João me disse que a trajetória de Dodi não corre em paralelo com a trama central. Ele entra e sai. Portanto, daqui para frente, ele pode dar mais uma sumida´, adianta Benício. Para João Emanuel Carneiro, o intérprete deu a Dodi a cara certa: a de bandido mané. ´O Dodi do Benício segue a linha dos vilões de (Quentin) Tarantino. É um malandro sem caráter. Benício entende a dramaticidade das cenas sem perder o humor´, elogia o autor.

Recusa

Aos 37 anos, pai de dois meninos, Benício, um niteroiense que despontou na TV em 1993, como o leninista Fabrício de ´Fera ferida´, de Aguinaldo Silva, recebeu um convite para integrar o núcleo cômico de ´A favorita´. Mas, recém-saído de ´Pé na jaca´, na qual fazia rir na pele de Artur Fortuna, ele preferiu mudar de lado na trama.
´Comecei a perceber que estavam me associando ao humor e não queria isso. Embora fique muito magoado ao constatar que mesmo gênios da comédia, como Buster Keaton, não são respeitados como deveriam, apesar da enorme dificuldade que é fazer rir, eu não queria estar marcado por um gênero. Além do quê, não fazia um vilão desde ´Irmãos Coragem´ (1995), com o Juca Cipó. Houve ´Esplendor´ (2000) também. Mas, ali, eu não era exatamente um vilão´, comenta.

Sem pudores

Para Benício, pedir um personagem, como ele pediu para viver Dodi, é algo que um ator não deve ter pudor de fazer.
´Com raríssimas exceções, ninguém é a primeira escolha para nada. Nem Al Pacino, que eu considero o melhor de todos, foi a primeira opção para Michael Corleone em ´O poderoso chefão´ (Ryan O’Neal era uma das opções iniciais). Eu já fiz tanta coisa boa em projeto que não prometia nada que aprendi que não há pudor em pedir um personagem. Hoje, se eu recuso um papel, a Globo sabe que não é por preguiça. Um ator precisa administrar sua carreira´, diz Benício, que costuma ficar à vontade quando vive o homem mau.

Cinema X TV

´Vilão é um cara que não tem amarras. Outro dia o Dodi disse para o Silveirinha (Ary Fontoura) que arrumaria um DVD pirata para ele. Um mocinho nunca diria isso. Mas vilões têm liberdade. Eles têm mais sal´.
Por sua grande preocupação em administrar bem a carreira no veículo que o projetou, Benício não se enquadra no bloco de astros de sua geração que torce o nariz para a tela pequena, acreditando que só no teatro e no cinema é possível atuar no sentido mais visceral do verbo.

´Quando você fica famosinho, o cinema começa a encrencar se você faz TV. Isso é coisa de diretor que só consegue fazer um filme a cada oito anos e não pode errar. A TV pode melhorar muito. Vejo muitas coisas com as quais não compactuo. Mas há outras tantas que nos encantam. Quando vejo Ary Fontoura atuar, dá vontade de parar e ficar só admirando. Se na televisão há profissionais como Ary, é sinal de que existe qualidade. Tudo é questão de escolha´, acredita.

´Faço escolhas baseado no desafio. Não quero ser mais um dos que pulam de trampolim de um metro em pé. Na profissão, eu mergulho sem rede de segurança´. Esse cuidado com as decisões na carreira deu a Benício o respeito dos colegas: ´Se Murilo pára para me admirar, eu faço o mesmo com ele´, diz Fontoura. ´Ele é um ator que faz tudo na medida certa. Sou fã dele´.

Bem antes de Dodi, a vida profissional de Murilo Benício teve dias tempestuosos com a crítica. Os ataques vieram por duas novelas seguidas de Glória Perez. ´O clone´ (2002), um fenômeno de audiência, rendeu a ele as primeiras alfinetadas. No folhetim, ele encarnava os gêmeos Lucas e Diogo Ferraz e o clone do título, Léo, na luta pelo amor de Jade (Giovanna Antonelli).
Três anos depois, na pele do vaqueiro Tião, teve que domar o boi Bandido, o coração de Sol (Deborah Secco) e a fúria dos críticos. Mas ele não tem queixas dessa época: ´
Acho interessante quando falam de mim sempre que começo a atuar porque eu me sinto vivo. Eu fico fascinado ao saber que um ator como Al Pacino, com todo o talento e a experiência dele, ainda fica tenso querendo acertar sempre que faz um filme. Por isso, experimentar, arriscar, errar, isso tudo é válido -diz ele, citando outra vez seu ator favorito´.
Se as críticas por ´América´ e ´O clone´ foram violentas, os elogios que Benício recebeu nas três edições do especial ´Os amadores´, ao lado de Cássio Gabus Mendes, Matheus Nachtergaele e Otávio Müeller, compensaram tudo. O especial chegou a ser indicado ao prêmio Emmy.

Academia

Mais bem-recebida ainda foi a atuação de Benício no longa-metragem ´Os matadores´ (1997), de Beto Brant. O filme valeu a ele um capítulo inteiro na dissertação de mestrado ´Vôo cego do ator no cinema brasileiro´, trabalho defendido na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) pela filósofa e atriz mineira Nikita Paula. O texto foi publicado em livro homônimo, lançado em 2001 pela editora Annablume.
À espera de um roteiro à altura de ´Os matadores´ ou de ´O homem do ano´, Benício ainda acalanta o projeto de dirigir um longa baseado em ´Beijo no asfalto´, de Nelson Rodrigues. ´A vontade de filmar essa peça permanece´.

Curiosidade

Murilo Benício já tem 15 novelas na bagagem e iniciou carreira em ´Fera ferida´ (1993). Dentre os projetos do ator está dirigir um longa baseado em ´Beijo no asfalto´, de Nelson Rodrigues.


    

Ah, a capa! Acreditem... Murilo Benício é tímido, e muuuuito!!!. Mesmo já tendo topado ser a capa da nossa revista (afinal, se considera um sócio do Porcão, tal sua assiduidade), ele só conseguiu se sentir realmente à vontade no seu lugar mais familiar, o palco. Lá conseguimos fazer um ensaio espetacular!

Em um simpático camarim no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, no Rio de Janeiro,o ator Murilo Benício, que divide seu tempo entre a novela “Pé na Jaca”, da Rede Globo,e a peça de teatro “Fica Comigo Esta Noite”, recebeu gentilmente a nossa equipe de reportagem.
Pacientemente, ele contou como começou sua carreira, falou sobre a arte de atuar,revelou o que pensa do teatro, da televisão, do cinema, e muuuito mais.
A versatilidade é a sua principal característica. Da comédia ao drama, no teatro,na televisão ou no cinema, ele constrói seus personagens de uma maneira muito particular e diz que atuar não é apenas ler o texto e ir embora para casa um ator que valoriza o que faz.



INÍCIO DA CARREIRA

 Antes mesmo de começar a estudar no Teatro Tablado, no Rio de Janeiro, aos 11 anos, Murilo Benício já sabia que queria ser ator. “Desde que decidi seguir esta profissão, nunca mais tive uma idéia diferente desta.”
E correu atrás do seu objetivo. Aos 18 anos, o ator foi para São Francisco, nos EU A, estudar interpretação.
“Ao contrário do que acontece atualmente, quando a maioria das pessoas já começa na televisão, para depois, quem sabe,ir para o teatro, foi em cima dos palcos que eu aprendi a fazer televisão e cinema”, explica Murilo.
“Engraçado que o teatro me preparou para fazer tudo, mas o próprio teatro ficou por último. Eu mais estudei do que fiz teatro. Só depois de 10 anos de estudo, fazendo peças amadoras, foi que eu atuei profissionalmente no palco, aos 26 anos.”
Em 1992, Murilo Benício voltou ao Brasil e, um ano depois, estreou na novela “Fera Ferida”, da Rede Globo, e não parou mais. Emendou uma novela atrás da outra e, já em 1995, fez seu primeiro trabalho no cinema: o filme “O Monge e a Filha do Carrasco”.



A ARTE DE ATUAR

 A versatilidade é, talvez, a principal característica do ator Murilo Benício. Da comédia ao drama, no teatro, na televisão ou no cinema, ele constrói seus personagens de uma maneira muito particular e afirma que atuar não é apenas ler o texto e ir embora para casa.
“Para mim, interpretar, atuar, é criar personagens. Você nunca sabe como ele vai ser. Então, a partir daí, você faz a sua própria construção do personagem. Essa é a minha maneira de atuar, não sei fazer de outra forma”, explica.
Mas, Murilo Benício disse, com aparente desilusão, que
“atualmente, atuar está bastante escasso”. "De uns tempos pra cá, as pessoas começaram a atuar menos. Não sei se é uma tendência. Parece que elas estão sempre reinventando uma forma de ser elas mesmas de uma maneira diferente. Eu quase não vejo mais um ator construindo um personagem. Quando comecei minha carreira, líamos muito a respeito do método de Stanislavski e sobre a escola Actors Studio. Hoje isso já não existe mais. As pessoas chegam pra gravar e falam o texto da maneira que elas bem entendem”, diz.
A base do método de Constantin Stanislavski, defensor de uma abordagem psicológica e socialmente realista do trabalho do ator, é a emoção específica do personagem. De acordo com esse método, o ator deve buscar, por todos os meios, sentir as ações como o personagem sente. O autor escreveu os livros “A Preparação do Ator”, “A Construção da Personagem” e “A Criação do Papel”. A escola de arte dramática Actors Studio foi fundada em 1947,para difundir o método de Stanislavski.



O PERSONAGEM DE “PÉ NA JACA”

  Ao revelar que o Arthur, da novela “Pé na Jaca”, é uma homenagem particular aos atores Evandro Mesquita, na sua maneira arrastada de falar e no sotaque carioca carregado, e ao Pedro Cardoso, que gesticula muito, Murilo Benício explica:“No Brasil, as pessoas têm uma falta de vontade muito grande de elogiar os bons profissionais. Faz parte da nossa cultura, talvez do nosso subconsciente, depreciar os outros. Eu sinto isso de uma forma geral, é uma coisa do brasileiro".
"A partir do momento em que eu percebi isso, resolvi agir diferente. Então esse personagem foi uma forma de demonstrar o meu carinho ao trabalho dos atores que eu admiro muito. Assim como o Luiz Fernando Guimarães".
“Quando eu assisti ‘Dois Filhos de Francisco’, por exemplo, fiquei uma semana atrás da Dira Paes e do Ângelo Antônio. Eu ia aos estúdios, mas não os encontrava. E não desisti até encontrar os dois e falar que eles estavam maravilhosos no filme.”



PRÊMIOS

 Além de peças de teatro, 14 telenovelas e 11 filmes, o ator Murilo Benício carrega ainda duas premiações de Melhor Ator em seu currículo, apesar de não dar muita importância para prêmios.
“Prêmio é uma bobagem. Eu não dou muito valor a isso. Eu vejo tanta gente que merece ser premiada e não é, e, ao mesmo tempo, muita gente que não faz nada e ganha os melhores prêmios.”
A primeira premiação veio através do curta “Decisão”, em 1997, no Festival de Gramado. Mas, para Murilo,não foi sua atuação o que determinou a vitória. “O curta, como um todo, deu muito certo. Não foi de muita importância a minha atuação”, ele confessa.
Com o filme “O Homem do Ano”, em 2003, ele recebeu o prêmio no Festival de Cinema Latino-Americano de Washington e no 7º Festival de Cinema Brasileiro de Miami.
 



SUCESSO

 “Todos os trabalhos em que participei, teatro, novela e televisão, foram sucesso.Acredito que, de uma certa forma, eu contribui para isso, mas a minha atuação não foi primordial. “
“Eu nunca tive essa coisa de deslanchar na carreira. Existe um processo muito lento,o sucesso foi surgindo aos poucos, durante muito tempo. Assim, eu criei um alicerce muito forte pra minha carreira. Não fui aquele tipo de ator que aparece fazendo um personagem, de uma determinada novela, que marca pra sempre e que as pessoas não esquecem. Aos pouquinhos, e com muitos acertos, eu construí essa posição muito segura que tenho hoje”
, ele diz.
Em sintonia com seu comportamento reservado, Murilo Benício acredita que,apesar da sua fama, apenas o seu trabalho é ressaltado, e não a sua vida pessoal.
“As pessoas pouco conhecem a minha vida pessoal, elas conhecem o meu trabalho,e isso não me incomoda. Essa é exatamente a direção que eu quero dar. As
pessoas não têm que saber onde eu moro, não têm que saber sobre a vida dos meus filhos. O que interessa é o meu trabalho, é isso o que eu quero.”



TEATRO, TELEVISÃO, CINEMA

  Com muitos anos de carreira, atuando no teatro, na TV e no cinema, o ator Murilo Benício analisa os três tipos de manifestação artística.
“O cinema é muito interessante, porque é eterno. Daqui a uns cem anos você pode alugar um filme que passou hoje, e isso não acontece com a televisão,muito menos com o teatro, que é absolutamente imediato.”
“Mas no teatro você tem a possibilidade de refazer a mesma coisa durante meses e ir aprimorando cada vez mais naquilo, o inverso da televisão, na qual você diz, todos os dias, uma coisa diferente, ou a mesma coisa durante meses,mas de uma outra forma.”
“De certa maneira, pelo fato de a novela ser uma coisa tão cotidiana, você não diz o indispensável, você praticamente só diz o dispensável. Então você tem que torná-la interessante. Às vezes, o texto, ou uma cena, não querem dizer nada, o interessante é apenas o personagem. Quando ele é bom, você nãose frustra se não ouvir alguma coisa que vá mudar a história, porque você está vendo apenas aquele determinado personagem.”



FICA COMIGO ESTA NOITE

 Depois de assistir à comédia “Fica Comigo Esta Noite”, há 10 anos atrás, com o ator Luiz Fernando Guimarães, Murilo Benício decidiu que queria fazê-la.
“Esta peça é engraçadíssima e me marcou muito. Eu achei o texto ótimo e fiquei com isso na cabeça. É um texto genial e inteligente, principalmente por ser muito simples. E pelo fato de ser simples, ele atinge qualquer público,de qualquer idade. Todo mundo se reconhece ali em algum momento. Às vezes, para uma peça ser mais engraçada, ela tem que ter sofisticação, e a sofisticação de ‘Fica Comigo Esta Noite’ é justamente o fato de ser muito simples.”
O fato de fazer, “ao mesmo tempo”, estas duas comédias, como é o caso do seu personagem na peça, e o Arthur,de “Pé na Jaca”, não é mera coincidência. Murilo Benício afirma que está vivendo um momento muito leve em sua vida pessoal e que, escolher esses trabalhos, foi uma tendência natural.
“Eu relaxo mais fazendo comédia, parece que eu tirei o ano para fazer esse tipo de trabalho”, ele diz.


Murilo Benício, o intérprete do mau-caráter Dodi, de A Favorita, chegou com uma hora de atraso para esta entrevista. No Terraço Itália, em São Paulo, numa fria e nublada manhã de sábado, o ator – nascido em Niterói, caçula de quatro irmãos – estava bem-humorado e falante. Do figurino separado pelo styilist, escolheu apenas a camiseta e o blazer, mantendo o jeans e o tênis All Star azul-marinho com que chegou. Seu assunto predileto durante a conversa: os filhos. Nos bastidores e também durante a entrevista, ele encaixa em quase todas as frases algum comentário sobre Antônio, de 11 anos, de seu relacionamento com a atriz Alessandra Negrini, e Pietro, de 3, que teve com Giovanna Antonelli. Assunto quase tabu é o relacionamento com a também atriz Guilhermina Guinle – eles nunca chegaram a admitir oficialmente o romance, que já dura cerca de um ano. Mas acabou falando sobre tudo enquanto comia um misto-quente.

QUEM: Você fica constrangido com a falta de moral do Dodi?
MURILO BENÍCIO:
Fico, porque ele é um cara muito bronco, faz umas coisas que eu jamais faria na minha vida. Mas, ao mesmo tempo, me divirto muito, acabamos as cenas e caímos na gargalhada. Ele é sem noção. E é mau.

QUEM: Existe alguma semelhança entre vocês?
MB:
Não... Mas tem coisas nele que são idéias minhas. O figurino, por exemplo, era terno, gravata. Aí sugeri um misto de 11 Homens e Um Segredo com o Scarface, do Al Pacino.

QUEM: Mas você nunca saiu com uma garota de programa, por exemplo?
MB:
Nunca! Ainda bem que eu tinha uma boa resposta, senão ia pegar mal, né? (risos) Nunca saí, olha que fofo que eu sou.

QUEM: Você mora sozinho. Cuida da casa? Cozinha?
MB:
Cuido, mas não cozinho. Não sou capaz de abrir uma geladeira e criar dali um prato, improvisar. A Guilhermina cozinha muito bem. Ela é despretensiosa, mas faz coisas incríveis. Estamos em casa e ela fala “vou fazer um negocinho”, e faz um banquete. Eu tinha até me prometido fazer um curso de culinária com os meus filhos. Queria passar isso para eles, acho que é tão bonito homem que sabe cozinhar.

QUEM: E como cuida da casa? Seu apartamento é o clichê do homem sozinho?
MB:
Sou superorganizado. A Coca-cola na geladeira fica alinhada. No closet, as roupas são separadas pelas cores, em degradê.

QUEM: Você já chega arrumando?
MB:
Não arrumo nada, eu delego (risos).

QUEM: Ahhhh...
MB:
Se dependesse de mim... (risos) Mas é como falo para minha empregada: “Eu moro aqui, não trabalho aqui”. O dever de arrumar é dela, não meu. Meu trabalho é em outro lugar.

QUEM: E como você relaxa?
MB:
Geralmente, eu vou para o sítio. Lá é toda a vida que eu tive na minha infância... melhor ainda, porque é nosso. Quando eu era pequeno, a gente saía para alugar cavalo, lá cada um tem o seu cavalo. E eu preciso de uma certa privacidade, ter os momentos só com a minha família. Não só pela preocupação de fotógrafo.

QUEM: E essa história de você ter desejado a morte de todos os paparazzi?
MB:
Aliás, põe aí, por favor, que aquilo que falei era uma brincadeira, uma piada fora de contexto. Veja bem, eu tenho um filho pré-adolescente, no Rio de Janeiro, que daqui a pouco vai para a balada, ou seja, fotógrafo hoje em dia é a coisa que menos me preocupa... a violência no Rio é o que me preocupa.

QUEM: Você consegue estar sempre com seus filhos?
MB:
Vejo sempre, o tempo inteiro. Hoje, o que importa na minha vida são os meus filhos, depois vem o resto.

QUEM: Como está hoje o relacionamento com suas ex-mulheres?
MB:
Eu e a Giovanna temos uma necessidade de nos relacionar maior porque o Pietro é pequeno. O Antônio já está com 11 anos, quase que resolvo a vida dele com ele. Eu adoraria que a Alessandra fosse para o meu sítio com o Antônio, mas não é da personalidade dela. Da Giovanna, consegui ficar amigo. Estou dentro da casa dela todos os dias, adoro o Arthur, o namorado dela, gente boa pra caramba. O meu desentendimento com a Giovanna foi quando ela quis levar o Pietro embora do país. Normal, ela ia se casar lá e queria levá-lo. Ou seja, nossa briga foi de amor pelo Pietro. Mas eu adoro a Giovanna, fico lisonjeado de ter um filho com ela. Vivemos uma história muito bacana que merecia ter um filho, e ele é um príncipe.

QUEM: E a Guilhermina com seus filhos?
MB:
Eles se adoram. Ela tem paixão por tecnologia e o Antônio é chegado nisso também, é a geração tecnologia. Então eles se entendem muito.

QUEM: Vocês estão juntos há quanto tempo?
MB:
Três anos... (risos) Mentira, né? Você acha? Três anos atrás ela estava lá, casada... (risos)

QUEM: Murilo, vamos falar sério agora...
MB:
Tá, eu tenho 37 anos...

QUEM: Por que você não gosta de falar da Guilhermina?
MB:
É um assunto meu. Ninguém vai ficar pagando IPTU pelo meu namoro com ela, não é uma coisa pública. Eu não sei mesmo quando a gente começou. Não foi assim... “vamos começar a namorar, um, dois, três e já...”

QUEM: Todo casal sabe quando começou a namorar. Ela vai saber responder...
MB:
Eu não sei, juro que não sei. A gente não tem uma data. Nos conhecemos filmando, ficamos amigos, depois ficamos.

QUEM: Vocês chegaram a terminar?
MB:
A gente se desentendeu. Todo mundo se desentende.

QUEM: Gostaria de ter mais filhos?
MB:
Olha, estou muito satisfeito, tenho dois filhos maravilhosos. À vezes eu gostaria de ter mais, pelo tanto que gosto de ser pai. Mas estou em pânico com essa coisa de o Antônio estar perto da idade de ir para balada... o que tem de drogas, de brigas, assalto!... Estou numa de que tenho que aproveitar agora a minha juventude, porque daqui a três anos eu vou envelhecer dez a cada ano. Aí, quando acabar, vai ser a vez do Pietro... ou seja, tenho mais dez anos de vida e acabou para mim.

QUEM: Enquanto esse momento não chega, o que pretende fazer com seus filhos?
MB:
O maior projeto é a viagem com meu filho mais velho. Isso já acontece uma vez por ano, e agora vamos para a Itália. Então vou chamar uma professora, vamos aprender tudo sobre o país, a cultura, a arte, a culinária, e aí vamos passar um mês lá. Depois, ano que vem, quero ir para a África. Todo ano, uma lua-de-mel de pai e filho, só o Antônio, porque o Pietro ainda é muito pequeno.


Questão resolvida, Murilo não teve muitas dificuldades na hora de encontrar o tom de sua nova empreitada. Primeiro, porque o figurino de Dodi já indicava ao ator um comportamento grosseiro e com certo ar de malandro.
Além disso, logo que começou a ler os primeiros capítulos, Murilo decidiu recorrer a sua prateleira de longas e assistir algumas produções com tipos próximos ao de seu personagem. E foi logo nos primeiros que ele encontrou o que procurava.
"O Tony Montana, que o Al Pacino interpreta em Scarface, foi minha maior referência. Até o figurino dos dois é parecido. Sempre que começo um trabalho novo, busco informações no cinema", explica.

Você recebeu um convite para fazer A Favorita, recusou e depois pediu para interpretar o Dodi. Por quê?
O João Emanuel Carneiro tinha me chamado para fazer uma outra coisa, seria um personagem mais voltado para a comédia. Não quero dizer que dessa água não beberei mais, só que a minha imagem já está começando a se desgastar nesses tipos cômicos. Passei um tempo fazendo papéis bem dramáticos, como Por Amor, Meu Bem Querer, O Clone, e decidi mudar essa imagem. Fiz Chocolate Com Pimenta, Pé na Jaca, o filme Seus Problemas Acabaram, dos Cassetas, enfim, acho que já estava na hora de dar um tempo de comédia. As pessoas já estavam achando que eu era o Zacarias e já estava vendo a hora de ir trabalhar com o Didi. Mas a sinopse dessa novela me chamou tanta atenção que fiquei com vontade de entrar no elenco.

Por que você se interessou tanto pela história?
A vida hoje é feita de puro marketing. A pessoa que está no poder nem sempre é a mais competente, mas com certeza a que soube passar mais credibilidade. O marketing já venceu a competência. E é essa a atmosfera da novela, essa incógnita de quem vai se vender melhor. Essa dúvida é o que a história do João Emanuel tem de mais interessante.

Essa dúvida atrapalha na construção do personagem?
O Dodi é um personagem que está diretamente envolvido na trama central, mas acho que esse ponto não me afeta. Pelo menos por enquanto. Eu o enxergo até como um personagem óbvio demais para o conjunto da obra. Interpreto um cara que não deixa dúvidas sobre o seu desvio de caráter. Ele é vilão e isso não vai mudar. Com certeza trata-se de um cara sem berço e que só venceu na vida porque foi esperto e malandro. E, é claro, soube trabalhar seu próprio marketing.

Você se inspirou em algum outro personagem?
Sempre que pego um papel para estudar e criar, eu corro para os filmes. No caso do Dodi, minha maior inspiração foi o Tony Montana, personagem do Al Pacino em Scarface. O Dodi ganhou um ar bronco, meio grosseirão, que enxergo no longa também. Mas outros elementos me ajudaram a definir melhor o estilo e o comportamento do Dodi.

Quais elementos?
Acho que o melhor jeito de compor um personagem é experimentando seu figurino. No caso do Dodi, uso ternos com camisas sociais abertas até quase a altura do peito. Ele usa um cordão grosso que ele leva até para o banheiro na hora de tomar banho, acho que esses elementos são cruciais para a gente entender como ele deve se comportar. Além disso, ocorreram algumas transformações físicas. Eu não estava com essa barba e pintei o cabelo para aparecer com alguns fios grisalhos. Melhor assim, porque todo mundo fala de idade e o Dodi foi casado com a mãe da Lara, personagem da Mariana Ximenes.

E não tem muito tempo que você e a Mariana Ximenes fizeram par romântico em Chocolate com Pimenta, interpretando jovens que estudavam na mesma escola.
Sim, foi pouco tempo depois de eu ter feito o pai da Débora Falabella em O Clone. E por isso mesmo não acho que esses detalhes sejam tão importantes. Fiz uma peça recentemente, Fica Comigo Essa Noite, onde eu fazia par romântico com a Marisa Orth e nós também não temos a mesma idade. Se existe uma preocupação com a caracterização e as interpretações são convincentes, não tem problema. A Cláudia Raia, por exemplo, faz par comigo na novela. Acho que as cenas estão ótimas e que temos uma química enorme no estúdio. Até o problema da altura já foi contornado. Estou usando sapatos com salto. Para envelhecer um pouco mais o personagem, criei um jeito de falar diferente, bem mais grosso. E a diferença não é tão grande. Eu vou fazer 37 anos mês que vem e o Dodi não tem muito mais que 40.

A mudança do tom da voz é um dos recursos que você sempre utiliza nos personagens. Não tem medo de errar ou receber críticas?
Não, penso exatamente o contrário. Acho fundamental colocar ingredientes diferentes em cada trabalho. Claro que essa é uma forma de abrir o campo do erro, mas a gente tem de experimentar para poder acertar. O artista tem a obrigação de inovar sempre para não se tornar cansativo. Acho que não se aprende nada acertando. Só se ganha elogios. É no erro que a gente cresce, anda para frente. Não tenho a pretensão de me tornar a maior estrela da Globo, mas de me aperfeiçoar e estar sempre crescendo como ator. E isso também é muito subjetivo. O Artur, de Pé na Jaca, é um bom exemplo. Alguns adoravam o jeito dele, outros achavam ele um chato.

Essa é a segunda vez que você se oferece para fazer um papel cuja opção inicial era Fábio Assunção. Isso não incomoda você?
Claro que é muito gostoso quando alguém escreve um papel para você, mas minha vaidade não chega a esse ponto. Acho que isso acontece com várias pessoas. Sempre fui segunda ou até terceira opção. Sou ator contratado da emissora e tenho de tentar direcionar minha carreira de algum jeito. Em novelas, fui vilão em Irmãos Coragem e Esplendor, depois nunca mais. Então, quando soube que estavam procurando outro ator, liguei e disse que estava disponível. Até porque não quero que pensem que eu não estou com vontade de trabalhar.

Você se sente seguro para dizer não a certas escalações da Globo?
Acho que em qualquer profissão é preciso haver diálogo. Claro que se sou chamado para um trabalho e recuso, depois me chamam para outro e recuso também, já sei que na terceira vez que isso acontecer eu vou ter de aceitar. Logo que me chamaram para A Favorita, conversei com o Ari Nogueira, diretor de recursos artísticos. Expliquei que queria dar um tempo no humor e ele me entendeu. Depois dessa novela, se demorar a aparecer algum papel que seja interessante para minha carreira e eu tiver de ficar uns três anos parado, esperando, eles vão entender. Mas a gente sempre toma cuidado para não passar a impressão de que não queremos trabalhar.

 Amor substituto

"Acho que todos os papéis da Rede Globo que eu fiz, a princípio, não eram para mim. Eu sempre fui a segunda ou a terceira opção. De repente, o Fábio (Assunção) não era a primeira escolha também. Acho que ele era do Ricardo Waddington, e não do João Emanuel Carneiro. Quando soube que Fábio não faria o papel, liguei para a emissora para pedir o personagem e dizer que eu estava disponível. Mas eles não estavam nem pensando em mim."

Chega de comédia

"Depois de me acharem muito dramático nos meus três papéis em O Clone (2001), optei pela comédia. Fiz Arthur Fortuna, de Pé na Jaca (2006), uma participação no Casseta e Planeta, Urgente!... E começaram a achar que eu era o Zacharias. Iam acabar me colocando para trabalhar com o Didi (risos). Como o último vilão que eu fiz na TV foi Juca Cipó, em Irmãos Coragem (1995), achei que seria bom para a minha carreira ser um vilão agora."

Salto alto

"Estão tão gostosas as cenas que eu faço com a Claudia Raia, que parece que a gente é realmente casado. Temos em cena a intimidade de um casal de verdade. E isso não é fácil, muitas vezes nem depende dos atores. Às vezes, não acontece a química. E com a Claudia rola. Como ela é enorme, coloquei até salto alto para ficar do tamanho dela (risos). Está sendo tudo ótimo. A cena flui perfeitamente."

Errar para aprender

"Estou me esforçando para falar mais grosso porque o Dodi tem a voz mais forte do que a minha. Observo muito o Fagundes (Antonio) atuando. Até hoje tenta imprimir alguma coisa diferente ao personagem que faz. Acho isso o máximo. É dar a cara para bater. Com o acerto a gente não aprende nada, só recebe elogio. É errando que a gente anda para frente. E eu, com certeza, já errei muito."

Sem vaidades

"A minha vaidade vai só até o ponto de eu estar limpinho o tempo inteiro. Pintar cabelo, tirar a barba, deixar a barba, ficar careca, com essas coisas eu não me importo. Acho tão charmoso cabelo grisalho. É lógico que se aparecerem só três fios brancos, eu vou pintar. Mas, se meu cabelo ficar todo grisalho, vou deixar. Gostei do grisalho do meu personagem, achei interessante. Talvez porque não seja o Murilo. Se alguém dissesse que agora eu seria assim para sempre, não sei se iria gostar. Ficou tão bom o resultado, que as pessoas acreditam que o grisalho seja meu."

Tempo para os filhos

"Não quero fazer teatro tão cedo. Gravava Pé na Jaca e viajava o Brasil inteiro com a peça Fica Comigo Esta Noite. Só que o que eu mais amo na minha vida são meus filhos e eu não os via. No aniversário do Pietro, no ano passado, não fui porque estava viajando. Foi terrível."

Babado: O que podemos esperar do Dodi no decorrer da novela?
Murilo:
O Dodi é um homem que tem o passado muito duvidoso e meio sombrio. Na vida, ele usa da malandragem para seu benefício. É casado com Donatela, personagem da Cláudia [Raia], mas também já foi marido de Flora, feita pela Patrícia Pillar. Mas o grande segredo dele está em uma tatuagem que ele tem no braço e faz questão de esconder de todo mundo. Ele é bem diferente dos personagens anteriores. Depois que fiz comédia, acharam que eu era o Zacarias dos "Trapalhões".

Babado: Além da tatuagem, você precisou modificar os cabelos [Murilo ganhou mechas grisalhas]. Como foi esse processo?
Murilo:
Eu não tinha nenhum fio branco na cabeça e agora estou me acostumando com o visual grisalho. Adoro essa situação de poder brincar com a minha imagem. As pessoas na rua às vezes comentam e elogiam meu cabelo. Semanalmente, tenho que retocar os fios.

Babado: As gravações começaram em fevereiro e você contracena bastante com a Cláudia Raia, que faz sua esposa. Como é o clima nos bastidores entre vocês?
Murilo:
Quando estamos gravando, parecemos marido e mulher de verdade. Tenho a sensação de que somos mesmo casados. A química que rola entre a gente na hora das cenas é excelente. O mais engraçado são as cenas em que ficamos muito perto um do outro. A Cláudia é enorme, muito alta e eu, um baixinho. Teve uma cena em que usei salto alto para alcançá-la.

Babado: Esse ano você vai se dedicar somente ao trabalho de “A Favorita”?
Murilo:
Sim, não quero fazer mais teatro enquanto estiver no ar com alguma novela. Na época de “Pé na Jaca”, eu me aventurei nessa de fazer teatro com novela e acabei esquecendo da minha vida particular. Vou me dedicar somente às gravações da novela e, quando terminar, descansarei um pouco.


    

Na peça Fica Comigo Esta Noite, você e Marisa Orth estão supersintonizados, bem à vontade em cena, parece que são velhos amigos. Você acha mais fácil contracenar
com amigos?
Eu não conhecia a Marisa antes. Essa coisa de 'panela', aliás, me irrita bastante. Acho que você tem que trabalhar com as pessoas porque elas são boas
profissionais. Mas eu vejo pessoas adultas e inteligentes fazendo isso o tempo inteiro, trabalhando com amiguinho porque já se acostumou. É uma postura que às
vezes a gente tem, até sem querer, sem saber que tem. Eu sou um cara que nunca conseguiu fazer análise direito. Tentei uma cinco vezes e não consigo. Então,
chegou uma hora em que eu resolvi me auto-analisar. Por isso, todo final de ano faço um levantamento de mim mesmo, vejo onde eu erro.

Por que nunca conseguiu fazer análise?
Fico meio sem graça. Parece que eu sou sozinho. Sabe aquele cara que não tem ninguém, dá uma grana para alguém e fala 'escuta esse problema aqui'? Me dá a
impressão que não tenho amigos e eu tenho um monte de amigos. É claro que esta é uma forma muito ingênua de ver as coisas. O analista é um profissional, que sabe
ouvir e direcionar você de uma forma que um amigo não sabe. Mas eu não consigo fazer análise. É uma coisa de simplesmente não ter habilidade para me abrir tanto
para um analista.

Consta em sua história que você resolveu ser ator aos 8 anos e, aos 10, foi fazer curso de teatro. Aí teve que vencer a timidez e a gagueira. Você era mesmo gago?
Eu sou até hoje. Entro na casa dos meus pais e fico completamente gago. Mas antigamente eu era gago mesmo, era mudo. Não era nem de ficar que-que-que, não
saía nada. Foi uma coisa que eu tive por volta de 8 anos e até hoje não sei por quê. Só fui melhorar quando, com uns 18 anos, eu fui para os Estados Unidos
morar. Passei por muito aperto lá. Fiz coisas que não desejo para ninguém. Sabe aquela máquina de frango de padaria? Eu limpava uma daquela todo dia em um
minimercado. No final do dia, era uma piscina de banha para limpar. Isso depois de ter lavado o chão. Aquilo tudo me deu uma sensação de responsabilidade e
independência, que foi muito importante para mim. Vi que eu me viro em qualquer lugar do mundo.

Foi a sensação de autoconfiança que ajudou a superar a gagueira?
Acho que sim. Gagueira é emocional. Mas imagina a cara do meu pai e da minha mãe quando eu disse que iria ser ator. Eu era péssimo aluno e gago. Eles me olharam e
devem ter pensado: 'Tadinho'. Quando eles foram ver uma peça minha, era como sefosse mágica. Eles se emocionaram, porque eu não gaguejava nada no palco.

Aos 18 anos, você foi para os Estados Unidos para aprender inglês ou ser estrela de cinema?
Fui para aprender inglês e estudar cinema lá fora. Era uma época em que quase não se fazia cinema aqui no Brasil. Eu aprendi muito bem o inglês, mas não fiz nada
importante lá fora (de cinema). Em dois anos, adquiri a experiência de vida que disse e vi que não era o que eu queria. Eu não queria virar um americano e acabei
voltando.

Você acabou fazendo cinema nos Estados Unidos anos depois, quando atuou no filme Sabor da Paixão, com Penélope Cruz, de 2000.
Eu tenho certeza absoluta de que daqui a dez anos todo mundo vai estar fazendo essa coisa de cinema lá fora. Mas hoje eu não me proponho mais a certos
sacrifícios. A minha agente nos Estados Unidos na época falou: 'Você fez esse filme agora com a Penélope e vai ter uma carreira maravilhosa aqui. Vamos
investir na sua carreira. Pega as suas malas e vem para cá. Você vai morar seis meses aqui'. Eu falei: 'Nunca que eu vou ficar seis meses longe de um filho meu
(o ator hoje tem dois filhos, Antonio, de 10 anos, fruto de seu casamento com Alessandra Negrini, e Pietro, de 2, da relação com Giovanna Antonelli).

Então, você desistiu de fazer cinema lá fora? Não fica a sensação de sonho não realizado?
Eu realizei, fui protagonista de um filme da Fox. Então, já tenho esse sonho realizado. É uma delícia filmar lá fora, e eu quero fazer outros filmes. Mas é no
meu esquema. Um esquema como o do holandês, o Laurence (Lamers, diretor do filme Paid, de 2006). Ele viu o Homem do Ano (de José Henrique Fonseca, de 2003), pegou
o telefone, ligou e disse: 'Eu quero o Murilo'. Fui, fiquei 40 dias filmando na Holanda e voltei. Esse é o esquema para mim. Meus valores hoje são outros. O que
tem valor hoje para mim são coisas como minha casa, minha família, meus filhos.
Não é ficar lá fora ganhando dinheiro, fazendo filme. Eu penso assim: se eu virasse um Antonio Banderas, por exemplo, o que seria bom nisso? Ser reconhecido
em mais lugares quando viajar?

Ganhar mais dinheiro?
Eu vivo bem com o dinheiro que tenho. Vivo como se fosse rico, sem ser. Tenho uma vida deliciosa, tenho minha casa, meu sítio. O que seria bom então? Ir para o
Japão e ter gente me pedindo autógrafo ou pedindo para tirar foto? E hoje em dia não tem mais aquilo de 'esqueci minha máquina em casa'. Todo mundo tem celular
que tira foto. Então, estou alertando quem quer fazer cinema lá fora: pode ser uma roubada (risos).

O assédio do público incomoda você?
Eu me obriguei a atender todo mundo, a tirar foto, a dar autógrafo. Jamais me recuso. O que incomoda é gente mal-educada.

E o assédio da imprensa?
O assédio da imprensa só incomoda quando ela se interessa por coisas que eu não ofereço. Acredito que tem gente que baseia uma carreira inteira em escândalo e em
capa de revista. Não recrimino, acho que é uma forma de ter uma carreira. Hoje, o mundo das celebridades não tem regra. Você estar na mídia e ganhar dinheiro com
sua imagem é um mercado louco que eu não consigo entender. Tem gente que hoje é celebridade sem fazer nada, apenas por um escândalo. Esse tipo de pessoa abre a
casa e deixa você tirar uma foto dela na privada. Eu não sou esse tipo de pessoa e, quando a imprensa me confunde com esse tipo de pessoa, me deixa maluco. Daí
existiram meus maiores destemperos. Eu já quis agredir fotógrafo. Em 97% das vezes, os paparazzi estão atrás de você quando você está em uma situação delicada
da sua vida, quando não necessariamente está equilibrado. Pode estar triste,frágil, pode ter acabado com um casamento, e tem gente atrás clec, clec, clec
(imita barulho de máquina fotográfica). Então, o destempero de qualquer ator num momento desses é compreensível.

Você se considera uma pessoa de pavio curto?
Não dá para dizer que sou um cara de pavio curto. Acho que se tem pavio curto para certas coisas na vida, para outras não.

O que tira você do sério?
Tanta coisa, né? Mas eu acho que falta de educação e de gentileza é o que me tira do sério. Minha mãe nunca me deu uma educação de berço de ouro, até por não saber
essa coisa de etiqueta. Mas ela deu uma coisa para a gente que se chama gentileza. Pela gentileza, as pessoas às vezes acham que eu sou extremamente
educado. Mas não. Nunca tive aquela educação de como pegar no garfo. Tive uma educação para ser gentil com as pessoas, respeitar as pessoas. Às vezes chego a
ser paranóico. Por exemplo, tem gente que odeia cinema com pipoca por causa do barulho. Eu adoro. Mas eu sincronizo a minha mordida (com o filme) para não
atrapalhar o cara do meu lado. Se o filme fica em silêncio, eu espero. Aí vem barulho na tela e eu mastigo. Ninguém me ouve comer pipoca no cinema.

Se seu filho mais velho, o Antonio, que tem a idade que você tinha quando foi fazer curso de teatro, 10 anos, dissesse que quer ser ator, qual seria sua reação?
Eu ia ficar muito preocupado. Ele tem uma imagem em casa de duas pessoas que conseguiram, a mãe e o pai. Eu tenho medo que ele misture tudo. A quantidade que
tem de ator desempregado no Brasil, que não ganha dinheiro, que rala pra caramba para fazer um teatro que ninguém assiste. Cada ano que passa o teatro perde mais
público. Ser ator no Brasil é uma coisa muito difícil. Você não pode escolher essa profissão, essa profissão tem que escolher você.

Mas se você visse que era mesmo uma escolha dele?
Daria todo o apoio do mundo. Seria como meu pai sempre foi: ele, que hoje é funcionário aposentado do Banco Brasil, bancava as maiores loucuras que a gente
queria. Ele dizia: 'Pode escolher qualquer coisa. Quer dançar balé? Vai. Agora vai ter um dia em que eu não vou estar mais aqui para bancar. Então, saiba
escolher'. Meu irmão mais velho é artista plástico, meu outro irmão é médico, meu outro irmão tem um bar-restaurante e eu sou ator. Cada um foi para um canto.


QUEM: Um trecho bem engraçado da peça é seu encontro com Jesus. Você tem religião?
MURILO BENÍCIO:
Minha mãe é supercatólica, vai à igreja, tem realmente todos os santos a favor dela. Esteve doente e o médico fala que ela segurou muito pela fé que tem. Sou católico. Não vou à igreja, mas rezo toda noite. Tenho pânico de avião e, quando piso em um, já começo a rezar. Quando pousa, agradeço logo a oportunidade de ver meus filhos de novo.

QUEM: Reza todo dia ou só no avião?
MB:
Toda noite, antes de dormir, eu rezo, como se fosse uma criança. O avião é um extra. Acho que a gente tem que acreditar em alguma coisa. Um homem sem fé é um indivíduo vazio.

QUEM: Você já foi bastante criticado por papéis na TV, como em O Clone. Como encara hoje a crítica?
MB:
Passei o diabo em O Clone. Eu fazia dois irmãos, que nasceram na mesma casa, tiveram a mesma educação, foram às mesmas festinhas... Então, não quis fazer um horrível e outro maravilhoso. Decidi fazer algo sutil, mas não deu certo. Um irmão morreu e o que ficou, o Lucas, era o mais sem graça. Era ele que iria deparar com o clone, o Leo, que entrou na novela só lá pelo capítulo 100. Aí tive que ir levando aquele cara sem graça. Não me lembro das críticas, só de ter sofrido bastante. Ali vi que consigo suportar pressão. Hoje, nenhuma crítica me abala por mais de cinco minutos.

QUEM: Teve apoio de colegas?
MB:
Tive. Mas fui cegamente no Jayme (Monjardim, o diretor). Lembro que falei da peruca. O Lucas usava uma peruca, um cabelo duro. Tinha uma passagem de tempo na novela e a Jade (vivida por Giovanna Antonelli) ficou linda de morrer, enquanto eu botei um enchimento na barriga e uma peruca. Falei: 'P..., nem o Marlon Brando segura isso'.

QUEM: Você é vaidoso?
MB:
Sou vaidoso até o ponto de não virar frescura. Não sou de passar creme. Mas você ver uma pessoa perfumada, bem vestida, com uma roupa de corte bacana, não é frescura. Sou vaidoso nesse tipo de coisa. Roupa tem que vestir bem. Não vou usar aquela camisa aqui (põe as mãos no meio das coxas).

QUEM: Você malha?
MB:
Tive fases, tipo malha, pára. Neste ano, estou voltando a cuidar de mim. Moro hoje num lugar que é uma Disney. É um condomínio que tem tudo: clube, sala de ginástica, restaurante, lojinhas. Tenho aula de tênis lá todo dia de manhã. Aí ando, dou um mergulho no mar, faço musculação. Mas nada heavy, é só para dizer que fez. Na verdade, acho um saco. Gosto daquela ginástica que você está lá se distraindo e nem percebe. Igual a tênis. Adoro e saio pingando.

QUEM: A peça é uma comédia, mas aborda assuntos amargos, como coisas não ditas pelo casal. Toda relação tende a terminar assim?

MB: Você pode viver eternamente apaixonado pela pessoa com quem está. Só que casamento é uma coisa complicada, exige uma administração muito inteligente. Senão, isso acaba acontecendo. Mas você vê histórias de gente que está há anos casada e apaixonadíssima. Meu pai senta do lado da minha mãe, pega a mão dela e fica fazendo carinho. Minha mãe ri até hoje das piadas dele.


QUEM: Como é essa administração?

MB: Tem que cuidar, dar atenção, carinho, ver a pessoa como quando vocês se conheceram. Com o tempo, fica diferente. Por quê? Porque você deixa de investir, deixa de lado a gentileza. Não puxa mais a cadeira. Fala (faz voz ríspida): 'Senta aí. Que saco!'


QUEM: Nas suas relações, você consegue essa administração?
MB:
Eu tento. Todo mundo tem que tentar. Ninguém garante que você vai ganhar ou perder.

QUEM: Você já tentou algumas vezes e perdeu?
MB:
Um monte de vezes. E vou tentar mais 500, se precisar. Não sou da noite, não sou de farra. Amo vida de casado. Gosto de ter uma pessoa e me dedicar a ela. Tentei sei lá quantas vezes e vou tentar mais não sei quantas.

QUEM: Você é separado das mães de seus dois filhos. No que a separação afeta a relação pai e filho?
MB:
A gente pode piorar como pai, virar um pai over, querendo compensar. Se o Pietro não mora comigo, quando está comigo estou o tempo inteiro junto. Ele não fica com babá. A pior coisa que você perde quando se separa é o cotidiano.

QUEM: Com que freqüência você vê seus filhos?
MB:
Sempre que posso. Se posso ver o Pietro todo dia, vou ver todo dia. E eu o tenho visto todo dia. Ele não fala direito ao telefone, né? Com o Antônio, eu falo toda hora. Antes de vir para cá, estava com ele ao telefone. Chegou ontem de uma viagem da escola.

QUEM: Você se dá bem com as ex que são mães de seus filhos?
MB:
Eu e a Alessandra somos muito diferentes. Não é que a gente não se dê bem. A gente se respeita muito. Mas eu tive duas grandes sortes na vida. Tanto a Alessandra como a Giovanna são mães maravilhosas para meus filhos. Com a Giovanna, estou numa fase ótima.

QUEM: Você e ela chegaram a brigar seriamente por causa do filho.
MB:
Mas foi briga de amor. Ela queria o filho pra ela, eu queria pra mim. A briga não era 'Pô, é isso de pensão? Pirou!?' Eu falei: 'Quero ficar perto do meu filho'. Ela falou: 'Também quero'. E ela arrumou um namorado, não tem culpa, as pessoas se apaixonam. A briga que tive com ela foi isso: querer estar perto do Pietro, mais nada.

QUEM: É uma questão superada, sem mais necessidade da Justiça (houve uma disputa pela guarda)?
MB:
É uma questão superada. A Justiça, Nossa Senhora! Enfim, estou numa fase ótima com a Giovanna. Quando estou no Rio, vou todo dia à casa dela para ver meu filho. Passeio com o Pietro, faço o que ele quer. Ele é muito independente e, às vezes, fala: 'Não quero passear'. Aí fico com ele no jardim. Com a Alessandra, é uma relação de respeito. A gente não tem muito papo, mas conversa sobre o Antônio. É que ele é grande e suas coisas resolvo direto com ele. Acho que me dou bem (com as ex). Adoraria ser amigo. Tem gente que é amigo, né? Ainda não aconteceu. Não porque eu tenha feito alguma coisa errada. Nem elas.

QUEM: Você está agora com Guilhermina Guinle. É a quarta atriz com quem você se relaciona...
MB:
Em 16 anos, tá bom, né? As pessoas falam: você só namora atriz. Mas não fico de bobeira, não fico em boate, na noitada. Me relaciono com quem me encontro. Não fico rodando por aí, dando pinta. Em 16 anos de trabalho, quatro relações, não dá para falar: 'Ai, que mulherengo'. Divide 16 por 4.

QUEM: Dá uma a cada quatro anos.
MB:
Sendo que uma começou agora. Então, divide por 3. Sou praticamente um santo (brincando).

QUEM: Acha mais fácil se relacionar com mulheres da mesma profissão?
MB:
Não sei, acho que depende da pessoa. Uma vez me perguntaram se eu era ciumento. Posso não ter ciúme nenhum ou ser perigosamente ciumento. Depende do que a outra pessoa me dá. Como todo canceriano, gosto que me deixe seguro. Com certeza, minha relação de hoje não é igual à de ontem. São pessoas diferentes. Tem gente que liga para coisas que outra pessoa não liga. Independe de ser atriz.

QUEM: Que características da Guilhermina o atraíram?
MB:
Ela é muito carinhosa. Mas a paixão é coisa que não se explica. É como o sucesso. É uma sucessão de químicas que faz com que aconteça. Senão, todos fariam sucesso, toda novela seria sucesso. Química não se explica. Tive química com ela, foi isso.

QUEM: Por que relutaram em assumir o romance? Não seria melhor assumir e se livrar da imprensa?
MB:
Porque acho que não é história para capa de revista. Também nunca fiquei negando, nunca falei: 'Não, não estou'. As pessoas têm seu tempo, tudo tem seu tempo.

QUEM: Você quer ser pai de novo?
MB:
Quero muito ter mais um filho. Mas não é que a gente esteja planejando, não é nada disso. Tenho um sonho de querer ter outro filho, mas essa é uma coisa minha.

QUEM: Uma menina, agora?
MB:
Pois é, de repente, porque só faço menino. Uma menina ia ser legal. Mas não é uma preferência. Saúde é a preferência.


PAREDÃO – MURILO BENÍCIO


NR: Quem é você?
MB: Sou da paz.

NR: E o Dodi?
MB: Um gangster misterioso

NR: Novela?
MB: Sou a segunda opção dos autores.

NR: Profissão: ator?
MB: Dar a cara pra bater.

NR: Vaidade?
MB: Sou limpinho!

NR: Cabelos grisalhos?
MB: Um charme!

NR: Timidez?
MB: Sou na minha.

NR: Nas horas livres?
MB: Estou com meus filhos.

NR: Casamento?
MB: Acredito no amor.

NR: É romântico?
MB: Como todo bom canceriano!

NR: Fama de namorar atrizes?
MB: Foram só 4.

NR: Filhos?
MB: Faço tudo por eles.

NR: Paparazzi?
MB: Às vezes perco a cabeça.

NR: Mal-humor?
MB: Que nada! Sou divertido.

NR: Sexo?
MB: Fundamental.

NR: E o coração?
MB: No lugar de sempre.

NR: Guilhermina Guinle?
MB: Uma mulher fantástica.

NR: Murilo x Murilo?
MB: De bem com a vida.

 


       

 Murilo Benicio nao esta satisfeito com sua imagem. A essa conclusao se chega ao fim da entrevista de quase tres horas,em uma noite de outubro,no restaurante Giro,em Sao Paulo.Pessoalmente,ele e divertido,piadista, as vezes ironico e,principalmente,nao tem medo de falar.Disserta sobre sua atuacao no cinema com a mesma naturalidade com que conta rusgas de sua vida pessoal. A imagem de arrogante que ficou no ar por muitos anos-em especial,por conta das inumeras brigas com a imprensa e os paparazzi-derrete-se em poucos minutos.E isso que Murilo quer.Pela primeira vez,est preocupado com o que acham dele.E foi isso que fez sua assessoria procurar a reportagem da revista JOICE PASCOWITCH para esta entrevista.
E olha que nao foi facil,Combinado tudo,acertou-se que Murilo vira do Rio direto para o jantar.O voo atrasou e, em vez de chegar as oito da noite,chegou as 11.Mesmo assim,nao quis desistir e rumou para o restaurante.Ao chegar a primeira caipirinha,pediu logo a segunda.E comecou a falar.O longo papo teve inicio seu assunto favorito:cinema.Murilo nao parece dar muita bola para outros projetos.Quer mesmo a tela grande.Seu proximo projeto dirigir.Esta empolgado.Na tv,diz que ja fez tudo que poderia-e alfineta atores iniciantes,que nao estudaram,nao se prepararam.
Casado quatro vezes-sem nunca ter oficializado nenhuma uniao no cartorio-Murilo fala numa boa sobre suas mulheres:Carolina Ferraz,Alessandra Negrini,Giovanna Antonelli e a atual,Guilhermina Guinle.Sobre as ex,deixa claro que mantem um relacionamento estritamente profissional com as maes de seus dois filhos:Alessandra,mae de Antonio,10 anos,Giovanna,mae de Pietro,2.Carolina um assunto que parece nao agrada -lo-foi de quem menos falou.Sincero(a esta altura,ja na quarta caipirinha),Murilo entregou suas armas de seducao e o que faz qundo esta apaixonado.Confira,a seguir,os melhores momentos da conversa.

 

   
ARROGANCIA

"O inicio da minha carreira foi angustiante.Eu era muito timido.Continuo assim,mas hoje tenho defesas.Fiquei resevado.E as pessoas confundem uma pessoa timida com arrogante.E nao gosto de fingir.As pessoas tem o direito de ser como sao.Nao me importo se uma determinada pessoa nao sorri pra mim.E o jeito dela,nao tem a obrigacao.Vou pedir para ser diferente?Querem que eu seja diferente para me encaixarem num determinado padrao que nem sei qual e .E comeco a ser taxado,julgado.Isso me incomoda um pouco.Por eu ter uma profissao que todo mundo sabe quem sou,o que faco,quantos filhos tenho,nao combina eu ser fechado.E todo mundo confunde isso.Quando conheco uma pessoa diferente costumo ouvir:'Nossa,nao imaginava que voce fosse assim.Achei que voce fosse rabugento.'Meu desejo para 2008 e que isso nao volte acontecer.De uma certa forma,fizeram uma estampa minha completamente contraria do que sou.Eu sou um palhaco,um brincalhao."

IMAGEM RUIM

"Antigamente eu achava que essa imagem minha era so besteira de revista de fofoca.Nao dava muita bola.Mas comecei a perceber que,pelas revistas de fofoca,gente de opiniao comecou a pensar o mesmo.Fiquei surpreso,as pessoas acreditam realmente em tudo que leem.E comecei a me questionar:'Sera que vou ter de mudar?O que sera que tenho de fazer para que nao fiquem achando que sou assim?'Eu nao sou isso,sou reservado e ponto final."

TERAPIAS E CRISES EXISTENCIAIS

"Ja fiz terapia diversas vezes,mas nunca deu certo.E dificil pra mim,ate hoje nao sei como funciona.Como e o sistema:chego la ,nao conheco o cara,e ja saio falando tudo?Eu me sinto meio que numa boate,tentando conhecer a pessoa.Em que ponto se da a intimidade de conseguir falar?No intimo,tenho inveja das pessoas que conseguem.Eu nunca tive esse ponto de intimidade com terapeuta nenhum."

RELACIONAMENTO COM AS EX

"Olha, separacao e complicado.Ninguem pode falar que esta se separando e esta tudo bem,porque nao esta !Comigo nunca foi assim.Se estivesse tudo bem,nao estaria me separando.Porque,quando acontece a separacao,agente briga,discute.Principalmente quando tem filho no meio.Ninguem pensa igual:eu penso completamente diferente da Alessandra,e penso tambem diferente da Giovanna.Quando voce esta se separando,significa que voce nao precisa mais aturar aquela pessoa na sua vida.Entao o que eu aturava,porque a pessoa era minha mulher,nao preciso aturar mais.Com filho as coisas comecam a complicar.Ai ja e motivo pra discutir,brigas feias...No fim,a briga pode acabar em um juiz(Giovanna entrou na justica contra Murilo,no ano passado,para conquistar a guarda integral de Pietro).Ai e uma loucura.Escutei coisas que eu realmente achei que fosse morrer sem saber que existiam...Mas as coisas passam,as pessoas voltam a ser felizes,refazem a vida e fica tudo bem.A Giovanna esta otima,eu estou otimo."

GUARDA DOS FILHOS

"Tenho guarda compartilhada do Pietro.Ou seja,agente toma as decisoes juntos.E hoje estou numa fase maravilhosa com a Giovanna.Estou vendo o Pietro todos os dias.Pego ele na escola,levo ele para a minha casa,dou banho nele,a gente dorme,ele vai embora as sete e meia da noite para a casa dela.Com o Antonio e mais facil,porque ele ja tem 10 anos.Ele ja tem radio.A gente conversa o tempo todo.De uma certa forma,mata a saudade.Mas tambem encontro ele muito."

NAMORO COM FAMOSAS

"Nao sou figurinha de noitada,nao faco esse perfil.Eu sou canceriano,adora estar casado,adoro ter uma pessoa.Nao faco nem o tipo solitario e nem o tipo de boate.E trabalho pra caramba.Entao,onde mais poderia achar gente?No trabalho,claro.E dai as pessoas vem e falam:'Poxa vida,ele so namora atriz.'Se eu me separar da Guilhermina,talvez eu namore uma outra atriz.Porque nao vou fazer curso de medicina pra conhecer outras pessoas.Eu nao vou pra boate.Acho que o unico lugar que eu nao vou conhecer ninguem uma casa noturna.No cinema tambem estranho,nao da .Quero deixar claro que as coisas acontecem muito naturalmente.Nao e uma caca.A vida e assim.Eu comeco um relacionamento ,as vezes ate da certo,mas depois termina.E tenho de seguir em frente,conhecer outras pessoas,tenho de ser feliz."

FAMA DE MULHERENGO

"Sempre fiquei muito tempo com as mulheres que me relacionei.Isso deveria ser tao louvavel.E as pessoas ficam falando:'Nossa,ele e mulherengo'Nao sou!Eu fiquei tres, quatro,cinco anos com cada uma...Se fosse um caso de uma semana,de um mes.Mas nao e o meu perfil."

AMIGO DE EX

"Eu e as maes de meus filhos temos de manter um relacionamento.O meu com a Alessandra quase profissional.Nao sou amigo da Alessandra.Nao gosto dela.Tambem nao desgosto.Simplesmente nao tenho essa relacao.De uma forma ou outra,a gente nao virou amigo.Mas isso tambem nao atrapalha em nada.Hoje ela me ligou porque tinha que ir junto com ela no consulado da Italia,que o Antonio ta tirando o passaporte.Nao empato a vida dela,ela nao empata a minha.Mas a gente nao precisa ser amigo por causa disso.Pela Giovanna eu tenho muito carinho.Mas acho dificil virar realmente amigo de uma pessoa com quem ja fui casado. E tao estranho.As pessoas falam:'Voce ve ,o Murilo nao e amigo das ex.'Mas quem ?Eu vou chamar a Giovanna e falar:'Vem aqui pra casa?'Vou chorar por que perdi minha outra namorada?O que a Giovanna quer saber disso?Quem que realmente fala:'Alessandra,tem um filme passando,voce nao quer ir comigo?'Ninguem faz isso."

GIOVANNA ANTONELLI

"Estou dentro da casa dela o tempo inteiro.Converso com ela,mas nao chego e falo:'E ai ,vai quando pra Nova York?'Nao tenho nada a ver com isso.A vida pessoal dela,quem ela esta beijando na boca e problema dela.A menos que ela chegue e fale comigo.Mas nao e uma coisa que acontece.So hipocritas viram amigos de ex.Isso pra mim nao existe.Claro que tenho carinho pela Giovanna,quero que ela seja muito feliz."

ALESSANDRA NEGRINI

"Quero o mesmo para a Alessandra.Mas por que tanto ela quanto a Giovanna sao as maes dos meus filhos.Isso basta. melhor que uma falsa amizade.So de eu saber que torco por ela,ja e o suficiente.Melhor que oi,tudo bem,dar dois bejinhos.Essa coisa falsa nao pra mim."

CAROLINA FERRAZ

"Acho,sim,que essa patrulha em cima de mim come ou com a Carolina.Ali foi uma desgra a,n ?(risos) um saco."(sucinto,Murilo quis mudar de assunto.)

GUILHERMINA GUINLE

"Nunca casei no papel.Mas sempre vivi casado.Como estou agora com a Guilhermina como eu sempre vivi.A dedica o para ela a mesma,o amor o mesmo,a importancia a mesma.Quando estou com alguem e por que realmente importante para mim.Eu quem conquisto,sou eu que presenteio a pessoa com isso.Pra mim e muito facil.Eu que dou meu amor para ela.Sou Cancer com Peixes,isso e ruim,ne ?Sou muito passional.Quando deixo de amar,nao e a pessoa com quem estou que vai acabar com o amor que eu sinto por ela.Sou eu mesmo."


NOVO CASAMENTO

"Nao gosto de ficar sozinho.Eu vivo para uma pessoa.Pra uma pessoa so .Se estou olhando para o lado, e porque dentro de casa nao esta bom.Eu me dedico demais com quem esta comigo.De verdade.E nao e carencia,nao. E um excesso de seguranca.De achar que a gente nao tem de ficar perdendo tempo.Se achei uma pessoa que gosto,vivo tudo que tenho de viver com ela.Nem que dure um mes. E melhor viver um mes de verdade do que tres anos mais ou menos.Eu acredito no casamento.Pelo menos ate onde ele vai ."


FASCINIO COM AS MULHERES

"Claro que fico feliz com isso(risos).Acho que acontece porque sou muito ntegro com minhas verdades.E que entende isso gosta de mim.Se estou a fim de uma muher,eu vou mostrar para ela que estou a fim custe o que custar.E eu vou cuidar dela at quando n o puder mais.Eu sou muito verdadeiro com tudo."


FAMILIA EM CRESCIMENTO

"Tenho vontade de ter mais 13 filhos(risos).Vim de uma familia de homens,e so tenho filhos homens.A gente tenta fazer mulher,mas nao consegue.Ter filho e muito bom,por isso quero mais.Nao tem nada que se pareca com ele abracando voce ,falando que te ama.Ter um filho e estar sempre naquele estado apaixonado de quando se conhece uma pessoa nova.So que a unica diferenca e que nao acaba.Faz dez anos que conheco o Antonio,faz dez anos que estou apaixonado por ele.Se fosse qualquer outra pessoa,ja teria acabado."

RELACIONAMENTO ABERTO E TRAICAO

"Nao acredito em casamento aberto.Para mim e uma confissao de quem nao gosta.Estou namorando uma mulher.Ela vai sair com um outro cara e eu vou achar legal?Isso nao existe.E coisa de quem nao esta nem ai .Ate acho que possa existir com outras pessoas,mas so com quem nao se importa muito com o outro.Eu nao acredito nisso,de verdade.Assim como nao acredito em traicao,de maneira alguma.Para mim,relacionamento tem de ter fidelidade."

SEXO SEM AMOR

"E muito pior,mas existe.E uma necessidade.Existe pra caramba!(risos).Nao quero dizer em quantidade.Mas voce acha que vou esperar me apaixonar por alguem para ter sexo?Na o.Mas reconheco que e muito pior.Quer dizer,nao bem isso.Sexo e sempre bom.Mas quando voce faz com amor,entende o que e sexo."

VAIDADE

"Gosto muito de ver uma pessoa arrumada,cheirosa.Mulher,se nao for feminina,nao da .Isso e uma vaidade minha.Nao visto meus filhos com roupas maiores que eles.Tudo pra mim tem de ser certinho,porque gosto da simetria.Por esse lado,sou muito vaidoso. por outro lado,nao estou ai para cremes,xampus,nada."

CORPO SAO

"Eu me preocupo de ver aonde o meu corpo vai chegar.Se eu largar de mao,aonde esse corpinho vai parar?(risos)Mas tenho uma preocupacao enorme em voltar a fumar(Murilo parou de fumar pouco depois de Pietro nascer.Mas,durante a entrevista,acendeu alguns cigarros).Porque a vida saudavel e outra historia.E gosto de fazer exercicio.Nao para estar forte,mas para estar saudavel.Essa e minha preocupacao."

MULHER BONITA

"Mulher bonita e mulher feminina.Nao tem de ser bonitinha,tem que ser feminina.E a coisa mais deslumbrante que existe.Homem mesmo gosta de mulher feminina.Voce quer que eu diga que mulher bonita e a Guilhermina,ne ?Mas eu vou bem longe pra que ninguem faca nenhuma ligacao.Audrey Hepburn e um exemplo.Linda,feminina ate dizer chega."

PROJETOS PROFISSIONAIS

"Eu nao classifico uma novela como um projeto.Novela sempre vai ter.Afinal de contas,eu sou um funcionario da Globo.Estou numa fase de querer projetos pessoais.Um filme e um projeto,uma peca e um projeto.Quero trabalhos diferentes do que eu venho fazendo esses anos todos.Realizacoes minhas,coisas que eu mesmo produza."

TV GLOBO

"Ja fiz 14 novelas. muito.Na Globo,ja fiz tudo que eu podia fazer.Mas nao sou daqueles atores que desmerece a Globo,nao.Foi por causa dela que fiz cinema,que tive dinheiro pra produzir,que dou uma vida otima para os meus filhos.A Globo sempre me respeitou muito como ator.Mas fazer novela nao e mais desafio,e minha vida normal."

ATORES INICIANTES

"A gente vive um momento muito delicado na tv ha algum tempo.Muita gente que nao e do ramo est la .Isso fez com que o nivel de atuacao caisse-a ponto de eu me sentir mal em compor uma coisa muito complicada.Porque eu vejo que ninguem esta fazendo isso. As vezes eu penso:'O que que estou fazendo aqui?'De um lado,uma pessoa fazendo muita coisa.De outro.outra fazendo nada."

PAPARAZZI

"Essa birra da imprensa comigo veio de paparazzi querendo tirar foto dos meus filhos.Ja joguei uma garrafa de vinho fechado no carro de um paparazzi.Mas so porque eu quero protege-los.Meus filhos nao sao famosos,eles nao tem de ser famosos.Outro dia levei o Antonio e o Pietro no shopping,e escutei cinco vezes o nome do pietro.Ninguem falou do Antonio.Ai eu sai do shopping e pensei:'Gente,ele e famoso!'Sera que ele quer?Sera que com 2 anos de idade ele sabe o que isso?Daqui a pouco ele vai ser cobrado,so porque e famoso.E dai ?Vai que nao e a dele,que ele quer ser medico,sei la .Eles tem de respeitar a vida de uma pessoa ate ela ter discernimento para saber o que quer da vida."

LIDANDO COM A FAMA

"Eu nunca,na minha vida,deixei de dar um autografo para alguem que me pedisse.Podem chegar no meio do meu almoco,eu com a carne na boca.Levanto e tiro a foto.Se e chato,isso um outro papo.Mas e minha obrigacao.O ignorante que te puxa no meio de um almoco nao sabe que esta sendo ignorante.Tem muita gente que nao tem no minimo de educacao,Mas nao tenho raiva dessas pessoas por isso."

VONTADES

"Estou com muita vontade de dirigir filme.Eu e o Walter Lima Jr.queremos fazer um filme(Walter o dirigiu na peca Fica comigo esta noite,com Marisa Orth).Nao posso contar muito ainda,porque nao tenho os direitos.E um direito complicado de conquistar.Nao quero que a pessoa saiba que sou eu que quero.Acabei de produzir uma peca pela segunda vez.Mas,agora,a turne acabou e vou parar com teatro por um tempo."

COMEDIANTE NATO

"Comedia e um dom,acho que a unica coisa que nao da para ensinar.Ou voce sabe,ou nao.Tem a ver com ritmo.Eu acho graca de tudo,que e uma coisa maravilhosa e horrorosa.As melhores cenas de Pe na jaca nao foram ao ar porque eu nao conseguia fazer.O elenco inteiro ficava rindo de mim.Eu me divirto fazendo com dia.Quando a novela saiu,as pessoas me diziam:'Nossa,eu nao sabia que voce era comediante'.A gente fica marcado por tudo que faz,pela novela das 8.Eu fiz duas superdramaticas e as pessoas acham que eu sou um ator dramatico.E sou tambem.So agora as pessoas se tocaram que eu faco com dia.Fazer os outros rir uma dadiva."

RAIZES

"Nasci em Niteroi.Brinco com a cidade,por que ela foi meio que rival do Rio a vida inteira.Minha mae mora la ate hoje.Niteroi e uma provincia deliciosa para se morar.Comprei um sitio perto de la ,isolado,que ninguem ve .Sei que a infancia que eu tive os meus filhos nao vao ter.Eles levam uma vida muito urbana.E ai quando chegam no sitio, uma aventura,imagina.Contato com vaca,cavalo.E nosso refugio,para a nossa saude .Nao uma busca de Niteroi,mas uma busca da infancia saudavel que eu tive."

O COMECO

"Estudei muito antes de atuar.Nossa,estudei dez anos de teatro.Olhando agora,esses anos foram hilarios.Eu morria de vergonha.Minha mae me levava de Niteroi ate o Jardim Bota- nico,me deixava no Tablado e ia pro shopping da Gavea fazer hora.E eu nao queria subir ao palco nunca.Eu era de Niteroi,as pessoas tinham um certo preconceito.Tinha 11 anos. o mais impressionante e que nao desisti,tinha tudo para isso.De uma uma certa forma eu sabia que era aquilo que queria para minha vida e fui seguindo,seguindo.."

TEMPOS DIFICEIS

"Imagina o que os meus pais nao sofreram nessa epoca...eu era gago!Se eu tivesse um filho assim e ele falasse pra mim que queria ser ator,lavaria minhas maos.Meu pai e minha mae olhavam pra mim com pena e deviam pensar:'Gente,ele quer ser ator'.Mas meu pai foi sabio.Ele falou que bancava qualquer loucura que eu meus tres irmaos quisessemos fazer.Mas pediu para lembrar que um dia ele nao estaria mais ali.Isso fez com que um tenha se tornado ator,outro medico,um artista plastico e outro produtor.Sao coisas completamente diferentes-e,por isso mesmo,superverdadeiras da gente."

DA GEMA

"Sou um cara do Rio.Nao daquele tipo surfista,nao acordo todo dia de manha para isso,mas gosto de morar em frente a praia.Nao conseguiria morar em outro lugar.Seria dificil me adaptar a Sao Paulo,por exemplo.Estou acostumado com essa coisa dispersiva do Rio,a natureza que invade a cidade o tempo inteiro.Posso acordar e ir a praia, a tarde tomar um banho de cachoeira.Isso tudo dentro da cidade.E,por mais que eu nao faca isso sempre,gosto de abrir a janela do meu quarto e ver o mar.Saber se tem onda,se esta ventando.Nao saberia viver sem isso."

SER ATOR

" E muito dificil.Mais ou menos como ser jogador de futebol.Quando me perguntam se quero que meu filho mais velho seja ator,respondo:'Deus me livre!'Ele tem duas referencias muito grandes em casa:eu e a Alessandra.Entao e muito facil ele achar que e a dele tambem."

NERVOSISMO DA ESTREIA

"Esperei muito tempo ate 'dar certo'.Foram dez anos ate ter a primeira oportunidade.Tinha um teste para Fera Ferida,novela das 8,e passei.Elenco de apoio,nem aparecia meu nome nos creditos.O papel era um lixeiro com a lingua presa.Ai comecaram a achar que fazia referencia ao Lula,e tiraram isso.Fui gravar a primeira cena,com Cassia Kiss e a Giulia Gam,de quem eu era fa .Fiquei nervoso,com medo de errar,e gaguejei.Fazia anos que eu nao era gago,mas gaguejei.Ai o diretor falou:'Isso e bom!'E foi o maior sucesso.No fim eu tinha ate cenario meu."

MELHOR PAPEL

"O Homem do Ano e uma das coisas que eu fiz que mais gosto.Eu tinha de compor o personagem,nao podia jogar fora.E comecaram a estourar espinhas em mim,porque eu nao conseguia achar de onde ia tirar esse cara.Ai eu liguei pro diretor e falei:'Que coisa maluca,eu nao consigo!Esta chegando a hora de filmar,estou com frio na barriga e sei que na verdade nao fiz nada.'E isso o legal da profissao.No dia em que deixar de sentir o frio na barriga,deixo de ser ator.Entao,por isso que e legal arriscar."

DESILUSAO COM O SUCESSO

" E mais importante errar do que acertar.Voce nao aprende nada com o sucesso.O sucesso nao ensina nada!(enf tico).As pessoas vao te dar parabens-do varredor ao presidente-,mas voce nao vai aprender nada.Voce aprende de verdade quando erra.E se errou, e porque arriscou.Senao eu faria a mesma coisa sempre.Aquele'arrozinho'com feijao.Faria so o que o publico gosta que faca."

DIFICULDADES DE FAZER CINEMA

" E uma pena ser tao dificil fazer cinema. As vezes levamos ate oito anos num projeto.E isso apodrece dentro da gente.Nao vejo uma saida para curto ou medio prazo.Tem tanta coisa que e fora da regra e que se encaixa no esquema,e vice-versa.Por exemplo:eu vejo agora essa historia de Tropa de Elite.A melhor coisa do mundo foi terem pirateado esse filme!No fim das contas,nunca tantas pessoas teriam visto o filme.E tenho certeza que o cinema vai estar cheio.Hoje em dia,o Jos Padilha(diretor)existe.Nao existia com Onibus 174.Pirataria e uma coisa errada,mas fez bem pra ela.Virou cult."

ANTITELEVISAO

"Eu nao assisto tv.Nao sou contra,simplesmente ouco musica,vejo filmes.So fico de olho nessas series americanas.Adoro Roma(minisseries da HBO).Fiquei tao ansioso para ver a segunda temporada,que comprei a importada.Sopranos tambem e uma loucura.O mais impressionante e que ha quinze anos era vergonhoso um ator fazer TV por la .E ai ,da noite para o dia ,eles resolveram fazer aquilo direito."

MUSICA

"Dependendo da musica,voce sente ate o cheiro da poca.A maior frustacao que eu tenho na vida e de nao tocar.Eu procuro nem ouvir musica quando estou triste,porque sei que vai marcar.Sempre que eu ouvir a mesma musica,vou lembrar daquela tristeza e ficar meio deprimido.Entao eu 'poupo'a musica daquela tristeza.Ouco tudo que da para ouvir.Nao sou amante da musica baiana,por exemplo,mas amo Ivete Sangalo.Nao gosto muito de pagode,mas Zeca Pagodinho um genio.O que e bom, e bom e ponto final.Nao tem como falar  "eu nao gosto disso".Tudo que e bom eu ouco."

ARTE E HOBBIES

"Fotografia eu gosto muito.Realizei o desejo de comprar uma foto do Mario Cravo.Esta la na minha sala,linda.Nao entendo de detalhes tecnicos,mas gosto de tudo que e bonito.Eu amava essa foto do Mario Cravo,que tinha uma crianca negra segurando um ganso.Custa US$45 mil.A achei um pouco caro,e comprei outra,mas que me encantou da mesma forma."

LIVROS

"Literatura e meu ponto fraco.Sou mais de cinema.Nunca fui um bom aluno,e a escola foi muito ruim para mim nesse sentido. um crime obrigar uma crianca a ler um livro.Voce nao sabe se ela quer ler,da um prazo para acabar e ainda ameaca a fazer perguntas.Por rebeldia,eu nunca lia.Tiraram o meu prazer de ler.Eu nao tenho hoje um habito de leitura por causa disso.Mas li,recentemente o Cacador de Pipas e gostei muito."

POUCOS E BONS AMIGOS

"Quem me conhece,quem convive comigo,realmente gosta de mim.Disso eu tenho certeza.Quando gosto,tenho intimidade,quero fazer rir,quero fazer feliz,quero que a pessoa do meu lado esteja bem.Se existe um muro para ter intimidade comigo,quando uma pessoa atravessa esse muro,faz parte da minha familia.

OBRIGADA,HELLOIZE!!


O ator Murilo Benício - pai de Antônio e de Pietro - é o convidado do Marília Gabriela Entrevista da semana em que se comemora o Dia dos Pais. A atração vai ao ar no próximo dia 12 de agosto, às 22:00, e além, é claro, de paternidade, os dois conversam sobre carreira profissional, sucesso, relacionamentos, família e os planos para o futuro. Logo no começo da atração, o convidado define como é o Murilo pai. “Demais; sou capaz de brigar por uma bola em uma festinha infantil pelos meus filhos”.
O ator, cujas gravações da novela Pé na Jaca mal acabaram e já está em cena novamente com a peça Fica Comigo Esta Noite, ao lado de Marisa Orth, em São Paulo, conta como faz para atuar como pai.
“Eu dei um rádio para o Antônio, que já tem dez anos e a gente se fala todos os dias. O Pietro ainda é muito novinho e acabou de fazer dois anos, ainda não sabe falar ao telefone”. Murilo também aproveita a ocasião para falar sobre a suposta briga com a ex-mulher Giovanna Antonelli, pela guarda do filho caçula. “Graças a Deus hoje eu estou super bem com a Giovanna; ela está casada com um americano e quando soube da notícia eu fiquei em pânico e com medo de não ver mais o meu filho. Quando a gente se separa, o pai obrigatoriamente se separa do filho. Todo mundo perde, separação é uma coisa muito triste e a cada separação você perde um braço. Eu sempre falo para a minha mãe que eu fico frustrado por não ter conseguido fazer uma família como a dela”.
E quando questionado se já havia perdido a cabeça por um filho, Murilo Benício é direto.
“E eu já não joguei uma mochila em um fotógrafo? Eles estão ali para pegar sempre um momento delicado da sua vida. Eu tive uns destemperos com um fotógrafo porque eu queria a privacidade do meu filho e aí fiquei com fama de maltratar a imprensa. Eu brigo pelo anonimato dos meus filhos e, às vezes, você sente que alguém quer tirar isso de você e por isso eu acabo perdendo a cabeça”, finaliza o ator.
Assustado com a violência no Rio de Janeiro, Murilo conta ainda que se mudou para um condomínio fechado, pensando na segurança dos filhos.
“A minha preocupação maior é com os tempos de hoje e agora moro em um condomínio imenso e, de certa forma, é super seguro, onde meu filho Antônio pode sair e ficar na rua. Ele mora com a mãe no Leblon e eu não tenho confiança em deixá-lo à vontade lá, por exemplo”. O ator fala ainda sobre o seu papel na parte mais difícil da maternidade e da paternidade: educar e dar limites aos filhos. “Cada casa deve dar o limite que tem que ser dado para o filho. O meu filho mais velho fica comigo nos finais de semana, então na minha casa não é rotina, é final de semana. Eu não posso estabelecer uma rotina na folga dele. Lá ele pode tudo, é o sábado e domingo dele. Quando eu me separei da Alessandra, passei 365 dias deixando o Antônio na casa dela e aos prantos. Dessa vez não, o Antônio me ajudou muito”. E termina o pensamento com uma revelação: “eu queria ter mais um filho ainda”.
No campo profissional, Murilo também fala sobre a coincidência de ter feitos tantos papéis cômicos, ultimamente.
“Eu adoro fazer comédia, mas a graça pela graça não é uma coisa que me atraia muito não”. E, com muito humor, o convidado de Gabi também explica os motivos do incômodo quando tem que ficar deitado, morto, durante a peça Fica Comigo Esta Noite. “Ah, sempre coça em algum lugar onde não deve coçar. Também morro de medo de ter vontade de espirrar”. O ator também fala sobre o início da carreira e a maturidade profissional que tem hoje. “Eu queria fazer teatro, era gaguíssimo e muito tímido. Acho que a timidez era medo de dizer besteira, coisa que eu já fiz muito; meu primeiro papel foi aos vinte e um anos e na novela das oito. Hoje, me seguro bastante”. E vai além, quando o assunto gira em torno da opinião de pessoas famosas sobre os mais diversos temas. “A gente parece síndico. Teve uma época então que todo mundo queria que o Caetano Veloso opinasse sobre qualquer assunto, o Caetano era o síndico do Brasil”.
O ator, que atualmente namora Guilhermina Guinle – também atriz e parceira em Inesquecível, último filme protagonizado pelos dois – fala sobre a fama de levar os romances das telas para a vida real.
“Há uma coincidência nisso tudo e eu fico extremamente orgulhoso quando a Guilhermina me fala que eu nunca dei em cima dela. Em quinze anos de Globo, eu tive três namoradas, então é fama”. E aproveita para declarar todo o seu romantismo. “Eu sou romântico, daquele que acredita numa paixão e investe nela, como todas as pessoas. Sou um homem extremamente feminino em minhas relações, eu cobro e discuto a relação”. O entrevistado de Gabi também conta o que mais gosta de fazer em seus momentos de lazer. “Às vezes eu faço nada, de verdade. Fico igual a um lagarto no sol, aquela coisa parada mesmo; mas fico atento a tudo, não perco lançamentos de filmes e adoro assistir sitcoms americanas também”.
Murilo Benício também revela como foi a dolorosa descoberta de que não precisaria mais passar horas e horas estudando e decorando os textos de seus personagens.
“Um dia, durante as gravações da novela O Clone, época em que eu gravava de domingo à domingo, eu cheguei a chorar de cansaço e decidi que não levaria mais textos para casa. Decidi que chegaria antes na Globo e estudaria os textos no camarim. Deu certo”. E, depois de participar do filme Paid, Murilo é categórico ao falar de uma possível carreira no cinema internacional. “Ficar seis meses longe da minha família não está nos meus planos, eu até fiz um filme internacional e passei dois meses filmando em Amsterdã. Eu vejo o Rodrigo Santoro morando fora, ele deve amar, ele não tem filhos, mas para mim é muito difícil”. E finaliza sua participação com a definição sobre o que é ser pai. “Ser pai é estar presente”.


Mancando da perna esquerda,resultado de um tombo de skate que levou com o filho,Antonio,10 anos,Murilo Benicio recebeu O Globo,na sala de estar dos atores,no Projac,com o figurino de Arthur,seu personagem em "Pe na Jaca"(camiseta e calca com suspensorios,depois trocada por cueca samba-cancao).Com o corpo encolhido e levando sempre as maos a boca,sianis de sua timidez,o ator,aos 35 anos,normalmente avesso as entrevistas,falou de tudo-sobre classificacao indicativa,a guarda de Pietro,a falta de educacao,de maneira geral,das pessoas e o sonho de ser diretor.So nao quiz falar sobre o namoro com G Guinle.Nada mais natural,ja que o ator acredita ter ganhado fama de chato justamente por ser uma pessoa reservada."O que tenho a oferecer profissionalmente e mais interessante do que falar sobre a minha vida,que e normal,igual a de todo mundo.

PRIVACIDADE
Toda vez que vou a um restaurante,pelo menos uma pessoa pede para eu me levantar e tirar uma foto com ela.E,agora,todo mundo tem celular que tira foto.Mas se eu comecar a ficar nervoso com essa falta de educacao,vou ficar mal com a minha vida.Mas confesso que esta dificil.Parece que hoje em dia e aceitavel uma pessoa atender ao celular,do seu lado,no cinema.Acabo saindo totalmente da historia do filme para ouvir uma moca falando que esta faltando alface crespa na casa dela.E ha varios exemplos.Uma vez,em Belem,tive de interromper a peca Dois na gangorra" porque alguem na plateia nao parava de tirar fotos,e com flash.Reclamei e fui aplaudido. Mas depois ficou um clima ruim.O povo tinha de ter o mesmo acceso a educacao que tem a esses avances tecnologicos.Antigamente,quando ouvia um celular tocando no cinema,pensava:"Gente,deve ser um transplante de coracao e o orgao acabou de chegar".Mas nao e nada disso.Entao,mudei os meus horarios de cinema.Tento ir so as segundas-feiras,depois do almoco.Final de semana e programa de indio.E e impressionante tambem a falta de qualidade das salas.Essa onda americana de Multiplex nao colou aqui.Outro dia so havia dois funcionarios atendento a mais de 300 pessoas!Perdi 20 minutos do filme por causa disso!"

FILHOS
"Nunca falo deles e me incomoda bastante ver o Pietro nas revistas.Jamais a minha briga com Giovanna deveria ter sido exposta em jornais e revistas.Jamais tinha que estar em frente a um juiz e a uma produtora para me julgarem,sem saber que pai eu sou.A unica coisa que eu quero e ter o meu filho perto de mim.Sou tao pai quanto ela e mae.Tenho que ter os mesmos direitos.E um absurdo o que as leis fazem com os pais.Parece que somos castigados por causa da separacao.Hoje em dia,os pais estao muito interessados em ser pais".

FAMA DE CHATO:
"Ja tenho essa fama por ser reservado e chega uma hora que nao se tem muita coisa a fazer.Ou eu invento uma pessoa que nao sou ou surpreendo os outros,o que e otimo.Nao e uma questao de estrelismo,nada disso.Mas o que tenho a oferecer profissionalmente e mais interessante do que falar sobre a minha vida,que e igual a de todo mundo.Por isso,realmente nao gosto de dar entrevista.E quando entrei na Globo,ha dez anos,e estacionava meu carro debaixo de uma arvore onde hoje esta construida a casa do Big Brother,eu era muito novo.Nao estava preparado para uma parte da imprensa que nao e nada legal.Ja dei declaracoes que foram mal-interpretadas,que viraram um ressentimento para a vida inteira.Quando a gente e novo e moleque,e muito sincero.A gente fala besteira".

CLASSIFICACAO INDICATIVA:
"Quando ouvi o Didi,o Renato Aragao,falar "porrada" no programa dele foi um choque.A TV tem o dever de ser educadora.Por isso,acho que tem que ter uma censura.Mas nao pode ser radical,ja vivemos isso e foi um horror.Mas toda crianca tem acesso a TV.Sinceramente,nao estou acompanhando muito essa questao porque nao recebo mais jornal,mas e o que penso.E eu parei de ler jornal porque as noticias eram sempre tao desanimadoras que eu ja saia de casa derrotado.Quando aconteceu aquela tragedia com Joao Helio(menino de 6 anos que foi arrastado por um carro duns bandidos),me deu vontade de sair da novela,de ir embora para algum lugar e ficar quieto.Se isso acontece,para que gravar?Para que levar uma vida normal?Sei que e uma forma bem comoda de nao me envolver,mas e uma maneira de me defender porque nao ha nada que eu possa fazer para mudar as noticias.So me privar disso para nao sofrer".

TELEVISAO:
"Quase nada me interessa.So vejo Discovery Kids com meus filhos.Quando chego em casa,prefiro ouvir musica.E,depois de "Pe na jaca",queria dirigir um filme.Ja fiz muitos papeis.Da uma canseira.E aqui(Na Globo),eu nao quero ser diretor.Jamais.Ja tive essa vontade,mas passou rapidinho.Aqui e para maluco.Dirigir 20,30 cenas,as vezes,tem que correr,e muito puxado"

SEM CAMISA:
"Nao me preocupei em ficar mais forte para fazer o Arthur.Longe de mim desmerecer o (Marcos)Pasquim sem roupa,ate porque da trabalho ser fortao.Mas o que eu tenho a oferecer ao Lombardi foi sempre algo mais rico do que estar de sunga.Ele me chamou para um trabalho de composicao.Alias,tem ator que nao tem se preocupado com nada.As vezes chega aqui,bota figurino,entra em cena e vai embora.Mas nao aprendi assim.Tambem nao da para recriminar.So recrimino quando chega a ser um descaso,porque tem ator que e um descaso com a profissao".

INFANCIA:
"Quando eu gravei o filme dos "Cassetas",o Claudio Manoel lembrou:"Sou do tempo em que a gente,quando jogava futebol na rua,pisava na bola,levantava o braco e gritava:Carro!Era no meio do transito".Meu filho nem sabe o que e isso.Mas tem um computador so dele.Comprei um sitio em Secretario para eles terem contato com a natureza.O Pietro adora correr atras de galinha.Ele fica "coco,coco!".Neste carnaval,foi a primeira vez que ele andou a cavalo.Nenhum joguinho eletronico vai dar essa emocao a ele".


QUEM: Na novela, o seu lado cômico é bem explorado. Você está gostando disso?
MURILO BENÍCIO: Adoro humor. Em América (novela de Gloria Perez, de 2005), por exemplo, tentei fazer do meu personagem, o Tião, uma pessoa engraçada.

QUEM: Mas você recebeu críticas por isso. E também pelo seu desempenho na novela O Clone (2001-2002). Isso não incomodou você?
MB: Eu sofri muito em O Clone, porque não estava preparado para as críticas. Mas também foi a última vez que sofri por isso. Hoje podem falar o que for que não me abalo nem um pouco. Sei quando meu trabalho está bom e quando ele pode melhorar. Aliás, 80% das críticas são feitas por pessoas que nem são especialistas. É gente que tem coluna em jornal e, de repente, faz sucesso e passa a se levar a sério. Sem contar que cerca de 95% das críticas são feitas porque existe uma má vontade em relação a mim. A imprensa não gosta de mim.

QUEM: Por que a maioria dos seus papéis na TV é parecida?
MB: A TV tem a função de selecionar os atores para agradar ao público, e a gente, às vezes, fica dependendo de um diretor mais ousado, criativo, que queira que a gente faça um outro tipo de personagem. Mas eu não reclamo, não. Se posso fazer o mocinho na TV e o bandido no cinema, está tudo certo para mim.

QUEM: Como você lida com o assédio dos fãs?
MB: O assédio às vezes é chato. Não acho que o ator seja obrigado a dar autógrafo, mas eu me obriguei a isso porque sei que as pessoas gostam de mim. Só não aceito a invasão da imprensa. Brigo mesmo. Na semana passada, eu estava no velório da minha avó e veio um fã tirar uma foto comigo. Aí, quando o ator diz "não", acham que ele é antipático. Mas ninguém critica o fã que é capaz de tirar você de um velório de família para fazer uma foto.

QUEM: O filme Inesquecível fala de traição. Como você encara o tema?
MB: Acho que o ser humano é muito mais complexo do que se imagina. Você pode estar muito feliz numa relação e se apaixonar por outra pessoa. Pode acontecer com qualquer um.

QUEM: Como é a sua relação com seu filho mais velho, Antônio?
MB: O Antônio já é quase um adolescente. Ele tem um radinho e eu me comunico com ele o dia inteiro. Quando ligo, ele me conta as coisas da escola. A Alessandra também me liga para dar notícias quando está com ele.


Como surgiu a maneira do Arthur de falar?
O Ricardo Waddington e, principalmente, o (Carlos) Lombardi, me deixaram bem à vontade. Isso não veio na sinopse do personagem. Foi uma brincadeira. Queria
homenagear pessoas que adoro. A coisa da voz é muito o Evandro Mesquita falando,essa coisa engraçada do carioca, que arrasta as palavras. Ele tem um jeito todo
próprio de falar. E a coisa da mão me inspirei muito no Pedro Cardoso. O Pedro é muito engraçado, ele fala assim com as pessoas (gesticulando com as mãos). Mas eu
não decoro os textos falando dessa forma. Depois de o texto decorado, o personagem vem naturalmente à tona na hora de gravar.

Ele era um cara bem-sucedido, mas está tentando dar a volta por cima. Alguma vez
você se viu sem chão e teve que recomeçar do zero?
Já me vi sem chão por vários motivos, mas nunca tive que recomeçar do zero. O Arthur, de certa forma, tem que descobrir que a vida com as crianças num sítio,
sem dinheiro, pode ser mais rica que a vida que ele proporcionava com o dinheiro.É o que eu acho. Faço todo esse cenário pros meus filhos. Não pego meus filhos no
fim de semana e fico em parques de diversões, gastando dinheiro. Levo pro sítio.Gosto de ver meus filhos correndo atrás de galinhas, com o pé na areia. É a
infância que tive e na qual acredito muito.

Qual foi a sua escola pra comédia?
Minha escola pra comédia, com certeza absoluta, é meu pai e meus irmãos. Tenho um irmão que, pra mim, é o mais engraçado da família. Cresci num ambiente de humor
muito refinado. O humor é associação. Fui instigado pelo meu pai, que sempre teve esse humor de associação das coisas de forma muito inteligente. E é o que eu
tento passar pro meu filho. Tudo na vida se ganha com o humor.

Qual o seu perfil de ‘piadista’?
Gosto de humor sutil. Outro dia estava conversando com a Marisa Orth, que faz uma peça comigo, e ela estava falando uma coisa interessantíssima sobre comédia. A
expressão ‘achar graça’ já diz tudo de comédia. Tem que procurar a graça. Ela não pode ser entregue a você. Quanto mais inteligente e quanto mais você instiga no
público esse exercício de procurar a graça, melhor. Esse é o bacana da comédia.
Tenho muito isso na cabeça, inspirado pelo meu pai. Desde criança, às vezes tinha que parar pra pensar e só entendia a piada bem depois. O bom é isso: você reflete
sobre o que foi dito e depois vê o quanto é engraçado. Herdei isso da minha família.

O que está achando de interpretar Arthur?
Sinto que eu e o (Carlos) Lombardi temos um diálogo maravilhoso, principalmente,nesta novela. Tenho certeza de que ele está de acordo com todos os improvisos que
acrescento ao texto e tenho certeza também de que ele sabe que tudo o que escreve pra mim vou receber muito bem. Fui o grande homem de sorte da novela. O que vem
pro Arthur é o mais engraçado. Estou recebendo isso como um grande presente do Lombardi.


Você usa armas em Inesquecível. Aprendeu a atirar?
Já fiz alguns matadores no cinema. Sei mexer em arma.

Você tem arma?
Já tive. Ganhei uma Magnum 357 do Beto Brant, quando fiz o filme dele Os Matadores (1997). Era linda. Mas joguei no mar do Rio.

Chegou a atirar com ela?
Cheguei.

É mesmo? Em quem?
(Risos) Não, atirei no mato. Ter uma arma é irresponsável. Nunca trará felicidade a quem a possui.

Como foi rodar a cena do acidente em Inesquecível?
Sempre é um tipo de cena preocupante, porque no caso era eu mesmo dirigindo. Claro que na hora do cavalo-de-pau era um dublê no volante.

Gosta bastante de dirigir...
Amo! Odeio ter motorista, me dá enjôo.

Com quase todas as atrizes com quem contracenou, acabou tendo um romance. Por quê?
Já me perguntaram por que emendo uma novela na outra. De América até Pé na Jaca fiquei mais de um ano sem fazer novela. Então, essa coisa que falam não tem nada
a ver. Por isso que parece, também, que eu namorei todas as atrizes com quem trabalhei.

Você tem uma "trilogia bandida" na telona - Os Matadores, Orfeu (1999) e O Homem do Ano (2003) - bem interessante...
Deveria fazer mais, né?

Mas confesso também que estou adorando o seu lado cômico, como o Arthur de Pé na Jaca...
O Arthur foi uma felicidade na minha vida. Tenho um feedback desse personagem, na rua, do telespectador, que nunca tive em toda a minha carreira. É até assustador.
O Brasil inteiro imita o Arthur. Até deixei de buscar meu filho (Antônio, 10) na escola, por conta do assedio, do pessoal imitando. A criançada adora. E eu fiz
esse personagem para o Antônio, pensando nele. Hoje, só faço as coisas para orgulhar os meus filhos e não para a crítica. Não estou mais nem aí para a crítica.


O Arthur já existia? Quer dizer, você já brincava com o Antônio interpretando um personagem parecido?
Não. Sempre fui fã do Evandro Mesquita, do Luiz Fernando Guimarães e do Pedro Cardoso. Quando recebi a missão de fazer o Arthur, quis homenageá-los,
emprestando ao personagem características dos três. O Luiz, não consegui. Já o Evandro, no começo da novela, o Arthur era igual a ele. Várias pessoas vinham me
falar que fechavam o olho e viam o Evandro falando. E o Pedro Cardoso, sempre que está atuando e seu personagem está nervoso, faz um gesto meio virando a mão, que
eu nunca entendi o porquê disso. Aí, incorporei essa característica ao Arthur, levando a mão à boca (ele encena a situação e realmente lembra o Agostinho
nervoso). Às vezes, a mão dele até sai do corpo, é hilário. (risos) Viu? É assim que se constrói um personagem. Copiando os outros! (risos)


Como foi rodar a cena do acidente de carro em Inesquecível? Deve ter sido relativamente fácil, já que o carro é quase igual ao seu (ele tem, entre outros carros, um Land Rover).
Sempre é uma cena preocupante, porque era eu mesmo dirigindo. Claro que na hora do cavalo-de-pau era um dublê no volante. Mas quando estou descendo a estrada das
Paineiras (Alto da Boa Vista, na cidade do Rio), sou eu mesmo, correndo. Na estrada de Teresópolis também era eu dirigindo. Eu amo o carro tipo SUV
(utilitário esportivo). E o Land Rover é o melhor carro que já tive. É um avião. Na estrada então... Mas não quero ficar fazendo propaganda para eles, não.


Fora das telas, faz o tipo arrojado ou sossegado para dirigir?
Olha, eu não corro, sou rápido. Mas não saio fechando ninguém. Não atrapalho os outros. Dirijo superbem. Posso até ir costurando, por medo - de ficar parado no
trânsito, medo de assalto -, mas de uma forma segura.

Gosta de Fórmula Um? Nunca quis correr? Já dirigiu em autódromo?
Não, não e não. Não gosto de Fórmula Um, não assisto. O que eu amo é ter carro. Infelizmente, é uma paixão.

Por quê?
Porque aqui no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro (onde mora) é perigoso (por causa de assalto). E eu não vou blindar um jipe, não vou acabar com o meu
carro. Tenho um Picasso preto que uso só para bater, no Rio. Quando vou pra zona sul, uso ele.

Esteve em Buenos Aires por conta de Inesquecível. Se tivesse de dar dicas de turismo na cidade, que lugares indicaria?
A dica mais óbvia do mundo é ir a Puerto Madero, um exemplo para o Rio. O que foi feito naquela área portuária de Buenos Aires, a restauração que foi feita ali,
transformando o lugar num espaço superagradável e um dos lugares mais charmosos da cidade, cheio de restaurantes, poderia ser feito na região portuária do Rio.
Se fizessem isso no Rio, tenho certeza que a cidade já ia começar a mudar. Mas deve ser difícil, né? Porque eles (administradores públicos) não devem ser tão
burros assim. É uma ação tão óbvia...


Das mulheres com quem contracenou, qual era a mais bonita, a mais Caxias, a mais talentosa e a mais divertida?

A mais bonita, óbvio que eu não vou dizer. E são tantas, farei injustiça se nomear uma de cada categoria. Posso dizer que, sem dúvida, a mais divertida foi a Penélope Cruz (em Sabor da Paixão, longa de 2000, fazem um casal em crise). É uma palhaça. Agora, a Flávia Alessandra e a Juliana Paes, com quem contraceno em Pé na Jaca, são também hilárias.


  


RIO - Descobrir o que Murilo Benício pensa da vida não é uma tarefa fácil. Avesso a entrevistas, o ator sempre dá um jeito de escapar quando as perguntas falam de sua vida pessoal. Mas ele tem opinião. E muita. Diz, entre outras coisas, que o autor de “Pé na jaca”, Carlos Lombardi, tem consciência de que ele não tem que mostrar seu corpo a toda hora.
— Não sou halterofilista. Lombardi sabe que não é para me deixar de sunga pra lá e pra cá. O que tenho a oferecer é muito rico. Só o (Marcos) Pasquim fica sem camisa e dá muito certo — minimiza.
Pai zeloso, Murilo sempre arranja tempo para ficar com os filhos. Mesmo agora, que acumula trabalhos: além do Arthur, de “Pé na jaca”, o ator estréia amanhã, no Teatro das Artes, na Gávea, a peça “Fica comigo esta noite”, ao lado de Marisa Orth.
— Sempre tenho tempo para meus filhos. Agora mesmo! Estou falando com você e Antônio (filho do ator com Alessandra Negrini) está aqui do meu lado. Também não deixo de ver Pietro (filho com Giovanna Antonelli).
Só o que tira Murilo do sério é cogitar a possibilidade de Giovanna se mudar para os Estados Unidos levando Pietro a tiracolo, como foi divulgado na imprensa:
— Ela sabe que não é assim. Isso já está resolvido entre mim e Giovanna. Mas não vou dizer mais nada. Ela tem uma postura diferente da minha com relação à imprensa. Só falo sobre isso com os meus amigos. Esse assunto está nas mãos dos advogados.
Apesar de fazer rir em “Pé na jaca”, na reprise de “Chocolate com pimenta” e agora também no teatro, Murilo diz que o público estranha ao vê-lo em cenas cômicas:
— Os fãs não me param na rua. E falam com minha mãe que não me imaginam fazendo comédia — diz Murilo, que arranca gargalhadas no teatro : — Gosto de humor. Assisti a essa peça há dez anos e ela nunca saiu da minha cabeça.


Você não conhecia o Paulo Sérgio.
Antes de mais nada, achei ele muito gentil. Mas confiei na produção da Mariza Leão (‘Zuzu Angel’, ‘Guerra de Canudos’, ‘Doida Demais’). A história tem um pouco
de Othelo, meu personagem é muito ciumento.
-Você e o Caco Ciocler não tiveram medo de repetir seus personagens de 'América', em que também disputavam a mesma mulher?
Apesar de a gente ter acabado de fazer a novela quando fomos para o set de ‘Inesquecível’, os personagens eram bem diferentes dos da novela. O bom de
trabalhar com o Caco é que a gente se divertia no set.
- ‘Seus Problemas Acabaram’ foi foi mal de bilheteria...
Fiquei feliz de estar com os Cassetas. Foi uma oportunidade incrível. Mas acho estranho fazer um filme de um programa semanal. Qual o interesse de ver um filme
desses? Me imagino no lugar do povo.
- Mas ‘A Grande Família, o filme’ teve 2 milhões de espectadores...
Se todos entendessem o segredo do sucesso, né? Não tem muita explicação.
- Na TV, você homenageia vários atores com o Arthur, de ‘Pé na Jaca’, não é?
Quis homenagear o Evandro Mesquita e o Pedro Cardoso. O Luiz Fernando Guimarães também, mas não consegui. Do Pedro, coloquei aquela mão na boca que o Arthur
sempre usa quando está exaltado. No começo da novela, a voz parecia mais com a do Evandro. Sou fã da Blitz, vi o grupo nascer, ia ao shows deles na escola. Quando
a Blitz surgiu, todo mundo queria fazer parte daquilo. E o Evandro é o estereótipo do carioca, com a voz arrastada, malandragem em demasia. Sempre achei
ele engraçado.
- O personagem não é muito caricato?
O interessante é arriscar, nunca chegaria ao resultado atual se não tivesse corrido um risco grande. E em novela você tem 8 meses para acertar, se der
errado, vai tentando fazer diferente.

O filme mostra um triângulo amoroso, com toque sobrenatural, formado porumator (Murilo) que se casa com uma estilista (Guilhermina), só que ela teve um caso com
o melhor amigo dele (Caco Ciocler).
“Todo mundo já passou por isso. Às vezes, perde amigo, namorada... Todo mundo já se separou, deixou e foi deixado”,
acredita Murilo, que garante ser bem diferente do astro vaidoso que interpreta.“
Ele é arrogante, eu não.As pessoas estão confundindo ter dinheiro com ser superior aos outros”, justifica.
‘Inesquecível’ tem cena forte em que o personagem de Murilo aparece morto. Nenhuma novidade para o ator , que é ummorto na comédia ‘Fica Comigo Esta Noite’,
ao lado de Marisa Orth, com a qual viaja o País. Mas pé na estrada cansa.
“Sou cancerianoclássico, sinto falta de casa”.
Canceriano romântico também. No ar na novela ‘Pé na Jaca’, como o atrapalhado Arthur, Murilo torce pelo final feliz do personagemcom Guinevere (Juliana Paes).
Novela do Lombardi não tem outro intuito: é para ser engraçada.OArthur tem que ficar com a ‘Guilhotine’, é o amor verdadeiro dele”, ri.


Ana: Um dos trabalhos mais marcantes e talvez mais dificil que voce ja tenha feito, foi em O Clone. Como se nao bastassem os gemeos, voce depois interpretou o clone de um deles. Qual foi o momento mais dificil para voce ?
Murilo: O momento mais dificil foi quando chegou o Leo, que era o clone. Porque o Leo era moreno e o Lucas era branco. Cada cena que eu fazia com os dois juntos, eu tomava um banho, para fazer o outro lado da cena. Foi uma exaustacao de trabalho... eu quase tive uma crise ali.
Murilo: Foi la que eu resolvi deixar o texto na Globo, porque eu achei que eu fosse enlouquecer. Acho que foi um momento meu de absoluta rebeldia, eu falei: Nao quero mais levar texto para casa . E deu certo, ate hoje eu trabalho sem levar texto para casa. O que uma libertacao. Nao so voce chegar na Globo meio-dia, para estar arrumado as 13h e gravar ate as 21h. E todo aquele calhama o que voce leva para casa para estudar. Entao, novela e complicado, as vezes, quando voce vai para casa, porque voce tem que fazer todo um trabalho de: tirar todas as cenas que voce tem da semana, dia por dia, voce comeca a sublinhar todas as falas, depois vocw comeca a tentar decorar...

Ana: Como que voce faz? Voce decora na hora o seu texto?
Murilo: Decoro na hora. Agora, a coisa mais engracada tambem, depois de cinco minutos, se voce me perguntar qualquer coisa da cena, eu nao sei.

FUTURO:
Ana: Agora que voce e pai, certamente ve o mundo de uma outra forma. Como e que voce gostaria que fosse o mundo dos seus filhos daqui a 20 anos?
Murilo: Eu acho que o que mais me choca hoje, a violencia descabida. Acho que o que mais me apavora.... a seguranca dos meus filhos. Quando voce e pai, parece que voce vira pai de cada crianca do planeta, ne ? Voce ve uma reportagem na televisao que fala de uma crianca e voce ve aquilo muito diferente de quando voce nao era pai.

Ana: E de um futuro mais proximo, de 2008; qual o seu projeto mais querido?
Murilo: Ta tao bom as minhas ferias que eu nao estou pensando em nenhum projeto (risos).
Eu estou numa coisa de ficar quieto. Eu tenho que ficar muito quieto, sem pensar em nada(...) 2008, nao sei.... Por enquanto eu estou muito no basico, ne ? Paz, saude.... depois eu vou pensar no que eu quero.


Ana: Murilo, que voce tenha um 2008 sensacional, cheio de saude , felicidade....
Murilo: Tudo de bom pra gente, saude, felicidade, dinheiro; mais o que?.... Mais nada, ne ? Mais tudo de bom.


“Matar um animal daquele porte não é como um passarinho, é quase gente.”
Murilo Benício, ator, sobre o que sentiu ao matar um veado numa caçada na Nova Zelândia.O remorso remoeu
Murilo por duas semanas. "Imaginava a família toda reunida perguntando 'onde está Catatau?' E eu matei o Catatau."


O ator Murilo Benício vive um momento de plenitude em sua carreira artística. Protagonista de uma das novelas de maior sucesso da televisião brasileira,o ator conviveu,durante as gravações de "O Clone".entre a rejeição inicial e os aplausos recentes da critica,pelo trabalho desenvolvido.Durante intervalo das intensas gravações na reta final da novela,o interprete de Lucas,Diogo e Léo conversou com a reportagem de OFuxico e falo sobre os temas abordados na história,como drogas,clonagem,familia,além dol processo de interpretação dos seus personagens.

OFuxico: Como você recebeu as críticas negativas sobre a semelhança entre os gêmeos Lucas e Diogo no início da trama?

Murilo Benício: Em primeiro lugar, gostaria de falar que a crítica aconteceu porque as pessoas sempre associaram meu trabalho de ator a uma mudança radical. Ou eu tinha que pintar o cabelo, raspar um dente... Para fazer um trabalho de gêmeos não existe a possibilidade dos dois serem completamente diferentes. Duas pessoas que recebem a mesma educação, têm a mesma idade, quase tudo acaba sendo absorvido da mesma forma. Estudei muito sobre este assunto e não deixei me abalar com críticas. O que eu fiz foi trabalhar a diferença dos irmãos em cima da sutileza, não do escracho. E, na verdade, o foco da novela é o Léo, onde está o ponto de discussão.


O Fuxico: Por isso você fez o Léo totalmente diferente?
Murilo: Basicamente, pelo fato do Léo ter nascido em outras condições sociais, numa época diferente, pude trabalhar com os contrastes, sim. Mesmo que o Léo carregue geneticamente o Lucas, ele é o Léo, uma outra pessoa.


O Fuxico:  E como é viver num ritmo intenso de gravações, interpretando mais de um personagem na mesma trama?
Murilo:Toda novela necessita de uma entrega muito verdadeira do ator. Posso dizer que há muito tempo não passo por um processo como esse. Ao mesmo tempo em que é exaustivo, pois gravamos em média 40 cenas por dia, tem o lado maravilhoso de estar num trabalho especial como “O Clone”. Não existe melhor exercício para o ator do que fazer um folhetim. É um esforço diário e renovador. E fazer mais de um personagem é muito rico.

O Fuxico: A novela “O Clone” é sucesso inegável, principalmente por abordar temas tão reais de uma forma verdadeira, que faz o telespectador realmente refletir sobre os assuntos tão polêmicos. O que você acha dessa abordagem?
Murilo: O texto da Glória Perez é verdadeiro, sem rodeios. E a discussão levantada através de problemas que estão tão perto, e ao mesmo tempo camuflados, é quase um dever de todas as pessoas, independentemente de ser autor ou diretor. Sou uma pessoa que faz do diálogo uma ferramenta, não um objeto em desuso.


O Fuxico:  Você tem um filho, o Antônio.Como seria a sua reação se seu filho acabasse envolvido com drogas?
Murilo: Meu filho é muito pequeno, tem apenas 4 anos, mas não tenho como descartar um envolvimento com drogas, é possível O Antônio mora no Leblon, quando crescer vai ter seus amigos, acho que ele até pode passar pela fase da curiosidade natural do jovem. A arma que tento usar é o diálogo. Não quero ser pai do meu filho, quero ser um amigo. O primeiro a saber de tudo. Mas acho difícil que o Antônio passe por isso, pois tem uma mãe maravilhosa e um pai que gosta da função ser pai. E, se um dia qualquer coisa acontecer, nunca vou deixa-lo sozinho.

O Fuxico: Um outro tema, também abordado na novela, vem causando muitas discussões em todo o planeta: clonagem. Qual é a sua opinião sobre a clonagem, o fenômeno científico em geral?
Murilo: Como idealização, a clonagem possui características interessantes, já que tem a finalidade de reproduzir órgãos idênticos, o que poderia salvar muitas vidas. Mas clonar seres humanos é assustador, não vejo a possibilidade de conviver com a idéia de uma pessoa não ter a essência da alma e do mistério da vida. Acho que a tecnologia é fundamental para o desenvolvimento, mas não substituir algo que não temos poder.
 

O Fuxico:E o Léo....Quais são os próximos passos do léo , eu soube que le vai encontrar a Ivete.....

Murilo:Leo está passando por um momento decisivo da novela, começando a fazer cenas difícies do Leo, qdo as pessoas começam a encontrar com ele pela 1ª vez.

 

O Fuxico:É muito complicado ficar fazendo vários personagens ao mesmo tempo....Isso atrapalha ou vc acaba se aprofundando mais em cada um deles?

Murilo:Vc tem um tempo menor para cuidar de um personagem, mas não sei dizer se é difícil, acho que não, faco dois, mas tem tanto atores que fazem novela e teatro ao mesmo tempo, acho que de certa forma os atores sempre estão fazendo dois personagens.  

 

Você se ofereceu para protagonizar "O Clone". O que o empolgou tanto assim na novela?
 A possibilidade de interpretar os gêmeos e o clone. Algo difícil de acontecer na carreira de qualquer ator. Então, foi o único trabalho na Globo que liguei interessado em fazer. Na época, inclusive, era a Denise Saraceni quem iria assumir a direção. Conversei com ela e a Denise disse que já havia falado com o Fábio Assunção. Mesmo assim, deixei claro que me interessava e, se precisasse, podia contar comigo. Me instigou a possibilidade de viver três personagens, sendo que um deles envelhece 20 anos.

 

Você não fica preocupado com a responsabilidade?
Murilo - Não. Porque estou fazendo esta novela a partir dos outros. Com o Jayme Monjardim, Glória Perez, Marcos Schechtman e meus companheiros de elenco. Na cena em que o Lucas recebeu a notícia da morte do irmão, por exemplo, dependi muito do Stênio para realizar a gravação. A gente trocou uns palpites e observei muito os movimentos do Stênio, que tem uma grande energia em cena. Por isso, falo que estou fazendo a partir dos outros esta novela. Tenho muita coisa em que pensar.
 

Em quê, por exemplo?
Murilo - Tenho de me preocupar com o aspecto mais técnico mesmo. Nas gravações entre os gêmeos, por exemplo, tinha de observar texto, marcações, iluminação e ainda não mexer em nada do cenário. Não mover um guardanapo, pois as imagens eram fundidas e teríamos de gravar de novo. Uma cena dessas depende de muita coisa para dar certo, inclusive de efeito especial. E quando o clone e o Lucas se encontrarem na terceira fase, vai ser a mesma dificuldade, pois os dois vão aparecer na mesma cena.

 

É uma maneira também de você dividir a responsabilidade de um eventual fracasso...
Murilo - Não penso como responsabilidade. Já vi tantos atores ótimos fazendo grandes fracassos. Isso não me deixa tenso e nem encaro como responsabilidade. Estou fazendo o trabalho em "O Clone" da mesma forma que fiz outras novelas na Globo, mesmo que tenha sido uma ponta, como em "Fera Ferida". Para mim, não tem papel maior ou menor. Obviamente que tenho a responsabilidade de puxar a novela. Isso faz com que eu discuta mais sobre o personagem. A diferença agora é que tenho de me envolver com a produção como um todo e não só chegar e gravar. Tenho de pensar em como vou interpretar o clone, por exemplo.

 

O Lucas vai aparecer 20 anos mais velho na terceira fase da novela e amargurado com o destino de sua vida. Como você vai caracterizar esse drama do personagem?
Murilo - Estou pensando bastante sobre o tempo biológico que separa as pessoas. Estive prestando atenção no meu filho, que tem agora quatro anos. Eu tenho 30. É praticamente a mesma diferença de idade que vai haver entre o clone e o Lucas. Meu filho tem uma disposição que eu não tenho nem no melhor dos meus dias. Ele fica para lá e para cá, grita, pula... Acho que isso é uma característica de uma pessoa jovem. O adulto já tem um tempo mais lento. Não por cansaço, mas por serenidade para fazer as coisas. Vou tentar passar esta diferença de ritmo entre o clone e o Lucas.


Existe a possibilidade de você também ser pego de surpresa e ter seu personagem totalmente modificado. Você está preparado para este tipo de reviravolta, já que novela é uma obra aberta?
Murilo - Na minha opinião, esta imprevisibilidade é o grande barato de se fazer novela para o profissional de televisão. O ator tem de estar com o seu personagem preparado para qualquer coisa durante uma novela. Muitas reviravoltas. Hoje, posso estar tendo uma linda história de amor com a Jade e amanhã largar a amada e ficar com uma pessoa que não estava nem prevista na sinopse. Você não pode deixar de jeito nenhum que isso influencie sua interpretação. Tem de ser profissional. E acho que este é um exercício que o ator precisa fazer para se tornar completo.

 


CHAT       

clonemaniaco: Como vc lida com o assedio das fas e da imprensa?

murilo benicio:Quer que eu fale das fãs ou da Imprensa? Com as fãs eu não tenho o menos problema, as pessoas que me assediam de uma forma super saudável, querendo falar comigo, falar da novela. A imprensa é que às vezes exagera. Mas eu não vou generalizar porque também tem uma imprensa boa por aí.....

 

odessa:Vc faria o que o Lucas faz por amor?

Acho que não da forma que ele está fazendo, acho que eu seria um pouco mais decidico. Mas o Lucas é essa pessoa de difícil resolução das coisas e a cada ano ele parece que mais se complicou do que simplificou a vida dele. Eu não chegaria ao ponto que o Lucas chegou não.... Não sei.....

fefe:Lucas, tenho 7 anos e ainda não sei escrever muito. Eu queria saber como é fazer o Lucas e o Leo ao mesmo tempo, é dificil? 

Enfim, é legal, de um lado eu posso fazer uma pessoa que tem mais idade, mai maduro, um pouco limitado com o físico, com o andar, com o caminhar, e o outro é uma pessoa jovem, que lida bem com o corpo, que faz todas aquelas coisas, então é interessante, é engraçado....

roberto:Voce acha que a droga leve pode não ser algo ruim?

A droga leve? O que seria uma droga leve? Vc fala de cigarro, tá falando de bebida...Eu não sei, eu só acho que droga é sempre uma coisa ruim. E na maioria das vezes o uso da droga é uma fuga para q coisa que a gente não alcance sobriamente. O caminho é ficar sóbrio mesmo. É sempre ruim, ainda mais a droga sem ter nada na cabeça é pior ainda....

Vc imaginava que essa coisa da droga, da Mel daria toda essa repercussão que tá dando agora? A gente fez um chat semana passada sobre isso... Vc imaginava que tivesse essa repercussão? e vc se sente meio com uma responsabilidade grande de estar tratando um assunto como esse?

 Eu acho que teria essa repercussão pq a novela é um sucesso, foi um dos grandes certos da Glória e não há mídia melhor para falar de um assunto tão sério. E nada como essa novela pra atingir uma quantidade tão grande de espectadores....

lia:gostaria de saber, como vc faz para gravar dois personagens com a aparência completamente diferente, e qual o personagem que está curtindo mais fazer.

O pessoal da maquiagem tem muito trabalho. O Leo é mais moreno, o Lucas não, a gente praticamente nao usa maquiagem. Eu acho que o Leo estaria mais perto da pessoa que eu sou, mas os dois sao muito diferentes. Eu não gosto mais de um ou de outro... É diferente....

lyquinha:Murilo????? como vc reagiria se soubesse q sua filha estaria envolvida com drogas??? 

 Eu tenho um filho de 5 anos de idade, o Antônio, e a única coisa que eu me preocupo é em deixar ele super a vontade para que ele me diga tudo sempre, para que isso nao seja uma surpresa. Hj o acesso à droga é cada vez mais fácil, isso é preocupante para a gente que é pai. Então eu não tenho a ilusão de que eu não vou passar por isso. Mas se eu passar por isso, tenho que ser o primeiro a saber. Por isso tento ter esse contato de confiança bem forte com meu filho.

É verdade que Fabrizio ficou gago por causa de uma falha na gravação Murilo?

A história era assim... Ele tinha um defeito, o Fabricio ia ter língua presa, mas acharam melhor ele não ter, porq acharam que estaria imitando o Lula ou alguma coisa do gênero. Era minha primeira novela, eu estava muito nervoso, eu fiz uma sena num estúdio, era com a Kássia Kiss e a Júlia Gam e eu de aluno e derrepente eu tava contracenando com essas pessoas tão importantes e eu fiquei tão nervoso, tão nervoso que gaguejei na cena e aí o diretor disse isso é bom e ele ficou gago!

O que vc acha da clonagem humana?  

Acho que a clonagem humana é feita para que a gente descubra a cura de várias doenças, para que vc possa reproduzir, por exemplo, o coração, e não uma outra pessoa. Porq as pessoas são únicase não se deve em hipótese alguma duplicá-las

Vc prefere fazer cinema ou televisão ? e qual o filme brasileiro atual vc considera digno de um Oscar?

 Filme brasileiro ainda não vi. A gente está tão atrapalhado que a gente tem muito pouco tempo para ir ao cinema. Mas é muito diferente fazer cinema e TV, eu gosto de fazer os dois da mesma forma assim, eu acho que vc aprende muitas coisas em cada um deles. No final nao tem uma coisa melhor que a outra.

Mas é diferente só pelo ritmo ou pela caracterização de cada personagem?

Não...A TV é um exercício para o ator maravilhoso, parece que vc está estudando teatro ao mesmo tempo que faz televisão, decora as cenas e faz. No cinema não, primero vc estuda 2 meses todo aquele roteiro pra vc começar a filmar, é bem diferente.

Gostaria de saber se vc se acha bonito?

Me acho uma pessoa que passaria em um teste... 50% bonito.

O que é preciso pra ser uma grande atriz? é obrigatório um curso de preparação, ou é só mostrar que tem talento para interpretar?

Eu acho que a primeira coisa que vc tem que pensar é saber se vc realmente quer isso como profissão. Tem muita gente que se confunde e quer fazer por causa do glamour e isso não dá certo.

Qual tipo de programa  vc gosta de fazer nas horas livres?

Eu tenho muito pouco tempo né?  Nas poucas horas livres sempre estou com meu filho, tô sempre passeando com ele, faço programa de criança, levo ele ao cinema, ele ama cinema, a gente anda de skate, patins, vai à praia, dá um mergulho.

Oi Murilo , qual sua comida preferida?

 Não saberia dizer. eu não sou uma pessoa fresca pra comer não, eu como de tudo.

 Qual a sua opinião sobre a poligamia?

 Não sei, dentro da cultura árabe eles tem uma outra forma de pensar. a gente nasceu num país em que a gente é culturamente machista e acredita nas nossas coisa como se fossem verdades absolutas e eles tb. Acho que na minha vida nao caberia, mas tb nao posso falar de uma outra religião.

Murilo, me conta do que você achou da comida lá em Marrocos... E o país, é legal?

O país é muito legal, é muito bonito, a gente foi numa época terrível, a gente pegou 53 graus no Saara. A gente nao se dava muito bem com a comida, não fazia muito bem por causa da temperatura. Mas eu lembro de ter ido a restaurantes e ter comido super bem.  

 E o sucesso da novela nos Estados Unidos, vc fea um filme em Hollewwodd vc acha que se deve alguma coisa com a outra?

Não acho q não tem nada a ver Acho que a novela é sucesso mesmo. Claro que tem um time maravilhoso fazendo a novela, desde os diretores à maquiagem. Um dos sucessos dessa novela foi a integração de todo o elenco, de toda uma equipe e aqui é uma coisa rara ter uma equipe tão grande e tão integrada.

Também a respeito da cultura muçulmana você não acredita que ela esteja sendo exposta de forma estereotipada?

Eu não conheço a fundo a cultura muçulmana, mas acredito que para fazer uma obra de ficção, isso pode ser feito, se a gente seguisse à risca, talvez não tivessemos personagens tão interessantes qto a gente tem nessa novela, então eu acredito na repercussão.

 

TCHAUM,GENTE! VOU GRAVAR! TÔ INDO PRO ESTÚDIO!

BEIJO!


Mesmo nas últimas semanas da novela O Clone, Murilo Benício não consegue parar nem para uma conversa rápida com os colegas. Enquanto os atores da novela se reúnem na ante-sala esperando a hora de gravar, Murilo passa várias vezes pelo corredor, ora na pele de Lucas, ora como o clone Léo. Não reclama, pois previa trabalhar mais do que a maioria do elenco. ‘‘Mas a recompensa também é dobrada’’, ressalta. Na verdade, a satisfação do ator tem explicação. Murilo não estava cotado para o papel. Os primeiros indicados foram Eduardo Moscovis e Fábio Assunção, que não aceitaram o convite. O próprio Murilo se ofereceu para trabalhar na produção. Atitude corajosa, já que as chances de êxito de O Clone eram vistas com resistência na Globo.


Você se ofereceu para protagonizar O Clone após dois atores desistirem e a novela chega ao fim com ótimos 60 pontos de média. Aumentou seu prestígio na Globo?
Talvez, pois realmente peguei uma parada dura. Foi muito trabalho. Confesso que dá até pena de estar acabando a novela porque toda a equipe se entendeu bem em O Clone. Acho que dei conta do recado sim. Foi uma experiência maravilhosa até mais para mim do que para qualquer outra pessoa, porque tive altos e baixos na novela. Senti uma coisa legal durante toda a produção, que é não estar agradando o tempo inteiro. Às vezes, a gente precisa deixar de ser egoísta e desejar ficar interessante o tempo inteiro, porque é uma novela que está andando. Não é o Murilo Benício. É legal saber que tal hora você vai estar mais de lado e outra pessoa em evidência.
  
Você foi alvo de muitas críticas durante a novela. Isso chegou a afetar seu rendimento como ator?
Não deixei me abater. Acho tudo uma besteira. Não ligo mais para críticas. Então, não tenho nem o que dizer. Imagina, até o Miguel Falabella apareceu me sacaneando... Tento não dar mais importância para este tipo de coisa. O que importa para mim é que, pessoalmente, a novela como projeto foi maravilhosa e uma surpresa. Porque as pessoas desde o começo acreditavam no projeto, mas não esperavam este sucesso todo que foi. Até porque uma novela, por mais sucesso que seja, dificilmente alcança o nível de sucesso que O Clone alcançou. Por isso, não tenho medo de dizer que esta novela superou as minhas expectativas em relação a tudo. Até a equipe e aos atores que estavam envolvidos com o projeto e em relação ao resultado final.
  
A própria emissora ficou receosa do sucesso de O Clone devido aos temas da novela, no caso, a clonagem, drogas e o mundo muçulmano. Na sua opinião, o que levou O Clone a chegar na reta final com tanta audiência?
É uma união de fatores que levam a novela a ter o reconhecimento do público e a audiência crescente do início ao fim. Sem dúvida que a Glória Perez desenvolveu a trama de uma maneira que fez com que o público não rejeitasse e começasse a se interessar pelo mundo muçulmano, apesar do atentado de 11 de setembro. Mas um item foi essencial: a escalação dos atores, que acabaram sendo sabiamente escolhidos.
  
Durante O Clone, qual o momento mais difícil para você em termos de interpretação?
Foi quando fiquei armando o campo para o Léo chegar. As pessoas não entenderam, mas o Lucas ficou meio apático e sem grandes expressões, porque era daquela maneira que estava interpretando ele. Era para ser aquilo mesmo. Então o Lucas ficava meio chato e eu não tinha muito o que fazer. E este foi um momento difícil, porque as pessoas começaram a criticar. Elas cobram mesmo e não entendem. Mas confesso que até eu achava o Lucas meio chato. Era um cara chato, que não tinha uma determinação. Isso não é chato só para o espectador. Para mim também.
  
Interpretar as cenas em que você aparece duplamente é a parte mais complicada da novela?
Sem dúvida em termos técnicos é realmente complicado. Até porque me prendo aos movimentos que o dublê fez. Então, nem posso fazer algo muito diferente. Não é raro fazer uma cena em que tentava virar o rosto e o diretor falava para não virar tanto porque o dublê não havia feito daquela maneira. Aí você fica mais uma vez um pouco amarrado com isso em termos de interpretação. E a parte técnica, de posicionamento, é trabalhosa de realizar.

Quando o Lucas encontra o Léo, se estabelece um drama meio existencialista, no sentido da pessoa mais velha reavaliar a sua vida. Esta situação chegou a mexer com você?
  
Realmente, as cenas em que o Lucas se depara com Léo são bem instrospectivas. Mas não sei até que ponto mexe comigo. Me toca mais me ver através de meu filho. Ele faz com que eu lembre muitas passagens da minha vida que não lembrava. Os fatos da escola, namoradas... Ver o desenvolvimento de meu filho faz com que tenha referência para fazer esta relação do Lucas e Léo com mais maturidade do que se não tivesse um filho, por exemplo.
  
Você disse que não estava tão preocupado com a composição porque, se não achasse o tom do personagem, o Jayme ajudaria. Até aonde ele interferiu no rumo de seus personagens?
Ele me ajudou muito, porque o Jayme entende de ator. Foi um surpresa isso para mim, pois não havia trabalhado com ele. O Jayme sabe o que o ator precisa em determinado momento e dá pequenos toques durante as gravações que motivam o ator. Então ele soube ajudar, indicar o ponto que eu sentia mais dificuldade e onde estaria preparado para seguir sem ele. O Jayme sabe intervir na hora certa, uma qualidade para qualquer diretor.
  
Além das críticas, você foi alvo de fofocas durante O Clone, inclusive que estaria namorando Giovanna Antonelli. Como encara este tipo de especulação?
Influencia mais na vida particular do que na profissional. É chato. É uma pena porque tem gente que lê e acredita. Mas não afeta tanto o meu desempenho nesta altura da minha vida profissional. Sem dúvida que, se fosse mais inexperiente, teria muita dificuldade de fazer esta novela. Mas estou há dez anos na Globo e isso, de alguma forma, me deu uma maturidade muito grande para não me abalar com nada.

 

Murilo Benício é outro que ficou insatisfeito com a mesma trama, onde viveu Léo. "Ele vivia à beira de um ataque de nervos, mas nunca explodia. Fiquei sete meses nesse vaivém", declarou Murilo na época.

 "Está sobrando galã na tevê brasileira. O que falta é sinceridade na interpretação""Espero que a novela gere uma discussão ética sobre a clonagem. O homem não pode ser Deus", prega.


 

Aos 26 anos, casado com a atriz Alessandra Negrini - que faz a Paula, em "Anjo Mau" -, e pai do pequeno Antonio, de quase um ano, Murilo demonstra disposicao. Concilia as

gravacoes de "Por Amor" com os ensaios da peca "Deus", dirigida por Mauro Mendon a Filho, prevista para estreiar em janeiro.

O contrato com a Globo ate o ano 2001 deu a ele estabilidade financeira suficiente para pensar em projetos bastante pessoais. "Quero dirigir um filme. Tenho o esboco de uma

 historia de amor maravilhosa. So falta colocar no papel", diz empolgado.

Vale TV - Voce resolveu deixar de ver "Por Amor" para nao modificar o Leonardo. Altas doses de vaidade podem fazer mal ao personagem?
Murilo  - Essa e a minha quarta novela e as pessoas ja me reconhecem. Entao, nao tem como nao bater uma vaidade. Se eu visse a novela e quisesse consertar o personagem, significaria que eu nao estaria sabendo administrar a vaidade de ator que tenho. uma neura, mas uma neura que todo mundo tem.

Vale TV- Qual foi sua primeira reacao ao se ver como o Leonardo?
Benicio - Vi a primeira cena e me achei muito feio. Estava horrivel e tinha de mudar. No dia seguinte, me vi pedindo para uma maquiadora para tapar uma espinha. Ai , decidi que nao ia enveredar por esse caminho. Se o personagem e feio e me achei feio, estou fazendo bem. A minha proposta de ator nao e ficar bonitinho.

Vale TV - Em outros trabalhos, voce demonstrou disposicao para fazer caracteriza es radicais. O publico espera de voce personagens de composicao complexa?
Benicio- Espero e acho isso bom. A Regina Braga, que faz a Lidia em "Por Amor", nao me conhecia. Ela faz muito teatro e e meio desligada de teve , mas me viu no filme "Os Matadores". Noutro dia, o marido dela comentou com ela que eu era o mesmo do filme e ela disse que nao era possivel. E a diferenca e a barba raspada, porque o cabelo que estou usando e o mesmo do filme. Acho que tem uma coisa da minha natureza de mudanca, uma coisa que nao faco nem muita forca. E natural porque eu invisto muito na alma do personagem.

Vale TV - Como foi o processo de composicao do Leonardo?
Benicio - O Leonardo e o personagem que eu menos compus. Foi muito interiorizado. Deixei que a diferenca que o transformasse num patinho feio fosse o jeito de olhar e de falar para dentro. Uma coisa menos bvia que colocar uma lente grossa. Estou investindo mais para o lado da voz, do olhar, da maneira de me portar em determinadas situacoes.

Vale TV - O texto do autor Manoel Carlos tem sido elogiado por retratar cenas do cotidiano das pessoas. O que voce acha?
Benicio - Sempre digo que ele e o Chico Buarque das mulheres da novela. Ele e um autor extremamente feminino, apesar de saber escrever cenas legais para os homens tambem.

Vale TV - O projeto do seriado "As Tias do Mauro", que acabou sendo cancelado, se encaixaria nesse perfil de programas mais inteligentes?
Benicio- Desde o comeco nao queria ter feito o seriado. Ja havia ficado seis meses em cartaz com a peca e nao via sentido em me repetir na teve . E acabou nao dando certo. Quando me disseram que nao ia ao ar, fiquei chateado.

Vale TV- Voce ganhou o Kikito por sua atuacao no curta-metragem Decisao, de Leila Hip lito, no ultimo Festival de Gramado. Isso foi importante para voce ?
Benicio- Premio e besteira.E legal estar sempre fazendo trabalhos novos e as pessoas estarem vendo, mas a premiacao e muito relativa. As vezes, quem ganha merece, noutras

nao. Tem muita politicagem. Fazer uma coisa atras de premio e completamente furado. Devo admitir que sempre e legal ganhar um premio, por ser um reconhecimento em ultima instancia, embora nao seja a coisa mais importante para o ator.

 


Fases de uma mesma história

Depois dos gêmeos de 18 anos, Murilo Benício vive as divergências entre o Lucas adulto e o jovem Léo

 

 

Os críticos e os telespectadores estão cobertos de razão: até Murilo Benício concorda que Lucas anda chato desde a última passagem de tempo de O Clone. Está sempre com cara de quem comeu e não gostou, o olhar perdido, mal gesticula e, quando fala, parece que nem move os lábios. O que muitos não sabem é que tal economia de expressões é calculada. O ator quer deixar clara a diferença entre Lucas e seu clone, Léo. "Às vezes temos que sacrificar o personagem em prol da novela. O Lucas está chato porque é um cara que deu errado: perdeu o irmão e a mulher que amava, fracassou no casamento e seu trabalho não é o que ele queria que fosse. Eu precisava fazer o contraste entre sua falta de entusiasmo e o vigor de Léo. Se ele tivesse força e brilho no olhar, como seria o clone?", indaga.

  Choveram críticas, mas a estratégia deu certo. Desde que o clone reapareceu, agora aos 18 anos, a audiência da novela subiu e vem ultrapassando os 50 pontos. Para felicidade de Murilo, que já não agüentava mais ouvir palpites.
"Durante muito tempo eu ouvi tudo o que as pessoas diziam sobre o Lucas e o Léo. Até um certo ponto isso é ótimo, porque a gente nunca sabe de onde vêm as grandes idéias. Mas chegou uma hora em que tive que decidir que caminho seguiria para não enlouquecer. Teve gente reclamando até porque o Lucas não abre a boca direito  para falar, sem saber   que eu  decidi  que quando ele falasse  seus dentes não apareceriam".

  
O ator conta que desde o início das gravações da novela, quando estava compondo Lucas e Diogo, já procurava traçar o retrato de Léo.
"Para mim, o Lucas é a lua; ele só ficava iluminado porque refletia o brilho do Diogo, que era o sol. Quando o Diogo morreu, ele se apagou. Só agora, com a chegada do Léo, outro sol, é que ele vai se acender de novo".

  Lucas vai tentar reconstruir sua vida quando perceber que pode perder Jade (Giovanna Antonelli) para Léo, ou seja, para ele mesmo, mais novo e mais entusiasmado.
"Ele vai querer mudar, cortar o cabelo, fazer ginástica... Enfim, voltar a ser jovem", diz Murilo, que usa peruca para compor o personagem mais velho mas descartou o enchimento criado para fazer Lucas parecer gordinho.

  A princípio, o ator pensou em compor Léo exatamente como era Lucas quando jovem. Mas, após uma conversa com o diretor de núcleo Jayme Monjardim, concluiu que isso pareceria inverossímil.
"O clone humano ainda é uma coisa surreal. Podemos brincar com esta idéia, mas achamos que o Léo não poderia ser tão parecido com o Lucas por ter sido criado num ambiente diferente. O Lucas é um filhinho de papai, e o Léo dorme na rua. Ele tem muito do Diogo e do Lucas, mas sua sensibilidade é tanta que beira o desequilíbrio emocional. A diferença entre Lucas e Diogo, sim, é que fiz bem sutil: afinal eles foram criados da mesma maneira, e só diferiam na personalidade".
  
Pela sinopse da trama, quando a notícia da existência do clone se espalhar, Lucas processará Albieri (Juca de Oliveira) por ter usado seu material genético sem autorização. Embora não tenha idéia do desfecho reservadopara Léo, Murilo acha - por mera intuição, segundo ele - que o ideal seria que o clone morresse. E há grandes chances disto acontecer, pois já ficou claro que Léo se preocupa com o crescimento contínuo da mancha que tem nas costas: pode ser que, como a ovelha clonada Dolly, ele sofra de envelhecimento precoce.

Léo é o ponto alto do trabalho de Murilo em O clone e a novela, no entender do ator, o momento mais importante da sua carreira na TV.
"Ainda não estou acostumado com o Léo. Às vezes, tenho que parar e pensar como ele reagiria. Para mim, o Léo sabe que há algo de errado com ele e teme descobrir o que é. Recebi críticas horríveis, mas não fiquei abalado, o que me fez perceber que estou mais maduro. Acreditei numa idéia e segui adiante. E olha que foram muitas críticas", salienta.

 


P: Quando você era criança você gostava de piada?
R: Piada, eu gostava muito de piada, eu acho que até hoje né? Humor é uma coisa que eu acho que todo mundo tem que ter, acho que é o que faz uma pessoa ser interessante antes de mais nada é essa pessoa ser bem humorada.

P: Você gosta mais de ouvir ou de contar?
R: Eu gosto de ouvir, eu vou armazenando.

P: Olha só, você prefere assim soltinho o cabelo ou com peruca igual você usa no Lucas?
R: Eu vou ser sincero, eu prefiro fazer com meu cabelo normal porque peruca apesar de ter dado muito certo, peruca limita muito o ator, eu não posso passar a mão assim quando to fazendo o Lucas, não posso olhar pra baixo que ela sobe aqui em baixo e não dá pra coçar, tem que bater, eu fico assim o dia inteiro no estúdio.

P: Qual o papel que você mais gostou de fazer, o Leo o Lucas ou o Diogo?
R: Eu gosto de fazer mais o Leo agora porque o Leo tem uma coisa mais próxima de mim. O Lucas é uma pessoa que tem 40 anos de idade, uma idade que eu nunca tive, então eu vou meio tateando pra fazer o Lucas. O Leo tem uma idade que eu já tive, 20 anos de idade, eu sei mais ou menos como que eu era naquela época então fica uma coisa mais próxima de mim.

P: Você é muito tímido?
R: Sou, sou muito tímido, desde criança. Essa coisa das pessoas acharem que ator obrigatoriamente tem que ser muito espontâneo, muito solto em todos os lugares isso é meio folclore. Porque a maioria dos atores que eu conheço, os grandes atores são bastante tímidos.

Passam cenas de novelas que o Murilo fez.
Murilo: É legal ver pra caramba, porque você perde a referência e você vê um monte de coisa que você já fez.

P: Quantas novelas?
R: Acho que essa é a oitava, uma coisa dessa...

P: Passa rápido né?
R: Passa de voar o tempo, ao mesmo tempo de você ter mais vivência, mais experiência, conhece mais pessoas, parece que você viveu uma eternidade. Ás vezes eu falo, poxa já to 10 anos na Globo, mas ao mesmo tempo que passou muito rápido, parece que eu estou a 100 anos vivendo.

P: Eu acho você muito bonito, você se acha um Murilo bonito?
R: Cada pergunta que tem, é.... simpático, mais ou menos, olha só, já veio estragar, vamos passar pra outra pergunta logo, antes que eles comecem a falar que eu sou feio....

P: Você gosta de roupa colorida?
R: Acho que roupa é uma oportunidade muito bacana de você expressar como que você está se sentindo num determinado dia, então eu gosto de botar um amarelo quando ta um sol bonito. Eu tenho vestido mais cores ultimamente.

P: Você fez capoeira pra dar aqueles mortais?
R: Eu fiz capoeira durante 6 meses da minha vida, a muitos anos atrás. Mas onde eu aprendi aquilo foi um período grande da minha vida que eu fiz ginástica olímpica.

P: Pra você, qual o mais fácil de fazer, o Lucas ou o Leo?
R: Era o Lucas, porque o Lucas eu já tava acostumado. Existe também um período que você tem que tomar um pouco de intimidade com o personagem. Então pra começar a fazer o Leo foi muito difícil, mas agora não, agora já to a vontade pra fazer o Leo, agora não tem mais fácil.

P: Se você tivesse um filho ou uma filha drogada, como você se sentiria?
R: Eu acho que ninguém ta livre de passar por essa experiência, eu tenho um filho de 5 anos de idade, que mora no Rio, ou seja mora nessa cidade, onde isso é muito comum, as pessoas terem uma experiência em relação a isso. A única coisa que eu quero é manter um contato com meu filho a vida inteira, fazer que ele confie em mim. Pra se algum dia alguma coisa parecida com essa acontecer na vida dele pra que eu seja o primeiro o saber e não o último a saber como acontece com os pais.

P: Você já fez alguma coisa por amor?
R: Várias, desde criança...

P: Quando o Diogo, caiu do helicóptero e morreu, foi difícil pra você fazer aquela cena?
R: Eu acho que não foi difícil pra mim, é sempre difícil pra equipe essas cenas que tem muito efeito especial, eles montaram um helicóptero em tamanho natural num desses estúdios aqui atrás e fizeram um blue screen atrás, como que chama isso? É isso, uma cromaqui atrás. Uma parede azul que você põe o fundo que você quiser. Acho que a gente levou mais de uma semana pra fazer aquela cena do acidente, só a cena, foi complicada. Na TV é menos de 5 minutos.

P: Sua cor preferida?
R: Eu gosto muito de preto.

P: Mulher mais bonita?
R: Mulher mais bonita... aquela mulher que é feminina.

P: Melhor lugar?
R: Sua casa

P: Qual filme você mais gostou de assistir?
R: Era uma vez na América

P: Livro de cabeceira?
R: Não tenho livro de cabeceira.

P: Comida que você mais gosta?
R: Eu como muito bem qualquer coisa, mas eu gosto muito de um camarão com catupiri, bem feito, com batata palha uma coisa bem caseira.

P: De quem você faria um clone?
R: Eu sou contra essa história de fazer uma outra pessoa igual, acho que cada pessoa é única e especial na maneira dela ser. Agora a gente gostaria de ter um outro Pelé, outras pessoas tão importantes.... Mas não um clone dele

P: É verdade que você fez plástica no nariz?
R: Fiz

Márcio conta uma história que estava separando a briga dos cachorros dele e acabou sendo mordido. E Murilo, que é vizinho dele, levou ele pro hospital pra fazer curativo. Diz que ele é um grande amigo, um bom pai, agradece a presença. E se despede


 - Os seus personagens na TV são bem diferentes e nenhum foi o galã da história. O que acha? 
 - Tive sorte de experimentar vários trabalhos e a oportunidade de fazer coisas interessantes.O dia em que a Globo quiser enquadrar-me como galã, vai enquadrar-me, porque o veículo é tão forte que faz qualquer coisa. Eles sabem que podem contar comigo para diferentes papéis. A Globo já me considera um ator específico. Não faço um tipo, não trabalho na Escolinha do Professor Raimundo, faço um trabalho com sinceridade, não uma piada. 

- Você parece tão tímido quanto Leonardo. 
- Geralmente, sou calado. As pessoas associam, erroneamente, o artista a uma pessoa extrovertida. 

- Profissionalmente, isso ajuda ou atrapalha? 
- Às vezes, ajuda, porque fico centrado, com mais tempo para avaliar, saber o que estou fazendo, para onde estou indo. Acho que a pessoa muito extrovertida, que está falando com todo o mundo o tempo todo, não toma muito conta das coisas. 

- Qual o seu personagem preferido até agora, na TV? 
- O Fabrício, de Fera Ferida. A gente tem sempre muito carinho pela estréia. 

- Costuma ver-se no vídeo? 
- Não vejo TV, nunca vi um capítulo de Por Amor. Não tenho tempo. 

- Como lida com o assédio e os outros compromissos da carreira? 
- Não tenho problemas com isso. Faz parte e é o mínimo que exigem do ator. Quem não quiser, que vá ser dentista. 

- Que tipo de pai você é? 
- Procuro aprender a ser pai constantemente. Não é fácil. O homem não teve um ensaio para ser pai. Já a mulher exercita isso logo quando nasce, brincando de boneca, de fogão, de receber visitas. Tento sair sozinho com Antônio, por mais que eu tenha medo, porque ele é pequeno, só tem um ano. Troquei muita fralda, faço questão de dar banho, de estar presente. 
 

Quando descobriu que tinha vocação? 
- Muito cedo e isso causou-me muitos problemas, porque rejeitava a escola convencional. Dei muito trabalho: fui expulso duas vezes do colégio e repeti quatro vezes de ano. Colei e nunca fui um aluno exemplar. Fui até parar em psiquiatra, pois não entendia por que estudar, por exemplo, Biologia. Hoje, estou num caminho. Encontro amigos que eram os melhores da classe e estão parados. 

- Você é contra a escola? 
- Não falo mal de escola e sim de uma experiência que tive. Não leio, pois não aprendi a ter prazer com a leitura. Toda cultura que tenho vem do cinema. (uma professora jogou um livro nele e parece que por isso ficou gago na infancia)


 - Você acha que os ensaios ajudaram essa integração de papéis?
 - Talvez. Mas não gosto tanto assim de ensaiar, em se tratando de cinema.

 - Por quê?
 - Em cinema, quanto mais espontânea for uma interpretação, mais vibrante ela fica. Você perde a espontaneidade se fica repetindo muito as falas, como num ensaio. Por isso é que cinema é a tela mais perigosa para 
um ator. 

 - Entre cinema, teatro e televisão, o que você prefere fazer?
 - Ainda não dá para viver bem tendo uma carreira só no cinema no Brasil. Gosto muito de teatro, porque esse é o território do ator - mesmo assim, fiz muito pouco, só duas peças. A TV é o melhor exercício que um ator pode ter.

 - Mesmo se a novela é ruim?
 - Mesmo assim. Se a novela é muito ruim, você tem oito meses pela frente para descobrir como melhorar aquilo! Além de ter de decorar 35 cenas de um dia para outro. 

 - Que tipo de desafio o estimula a aceitar um papel?
 - Pensar que, em princípio, eu não poderia fazê-lo. Esse tipo de angústia me motiva.


Eu e o Stênio Garcia já ficamos tensos na cena em que o Leo encontrava o Ali. Agora só penso nesse encontro dos meus dois personagens. Estou preocupado.Fico imaginando o que Leo e Lucas vão pensar quando se virem" - diz o ator.
O ritmo intenso das gravações poupou Murilo de um incômodo: o de escolher seu personagem preferido. Ele jura nao estar tendo tempo de torcer pelo destino nem de um nem de outro:
"Mas acho que o Leo não deve terminar com a Jade, só não sei explicar o porque. Quanto ao Lucas, ainda não tenho idéia de qual seria o final ideal para ele. Mas penso que aquilo que o Leo sentiu ao ver a Jade, o Lucas não tem mais capacidade para sentir" - diz o ator.
Confuso ao definir destinos, determinado ao aceitar os papéis. Murilo garante que, diferentemente do que pensa a maioria dos telespectadores, fazer três personagens na mesma novela não foi encarado como um grande desafio.
"O ator brasileiro está acostumado a fazer vários papéis no teatro. A grande diferença é que em "O Clone" é o mesmo público que assiste a todos ao mesmo tempo" - diz Murilo, que rebate as críticas que recebeu na primeira fase da novela, por fazer Lucas e Diogo tão parecidos e pouco expressivos:
"Acho que fiz as escolhas certas, não as mais agradáveis. As pessoas pegavam muito no meu pé porque queriam interpretações mais circenses. Mas optei pela serenidade e, se tivesse outra chance, faria exatamente a mesma coisa. Essa foi uma das novelas em que me senti mais feliz."

 


No final das contas, qual dos três Carlos é mais próximo de você?

MB - Idealmente, nenhum deles. Eu não gosto de me ver na tela do cinema, é algo que me faz sentir mal. Por isso, tento compor meus personagens de uma forma que eu não me reconheça ali no filme. É mesmo como uma máscara.
 


"Adoro trabalhar fora do país, mas se me invitam vou, filmo e volto, porque nao posso ir em forma permanente. Meus filhos estao em Brasil e devo me ocupar deles. Admito que e possivel que assím me terminen fechando portas, mas por sorte, como o cine brasileiro está tao considerado hoje no exterior, acho que uma maior intertroca será possivel", disse Benicio

. "Este longa e algo novo para Brasil porque presenta um universo e uma atmósfera muito especiais"

"As coisas estao realmente bem e ha muitos projectos bons. Vejo um crescimento no cine brasileiro, que comeca se conhecer fora do meu país, como acho que acontece também no caso do cine argentino. Nada e fácil como em todo o que se encara com o esforco de produccao nacional,mas por sorte nosso cine hoje tem outra cara


Com o fim da novela, o ator quer aprender a tocar violão e fazer curso de culinária

Se você já leu por aí que Murilo Benício é mal-humorado e acreditou, esqueça. Ele é apenas tímido. E nada que resista a um bom par de horas de conversa entre as cenas que ele grava no Projac. No fim, muito mais descontraído do que no começo da entrevista, o lado brincalhão do ator já saltava aos olhos. Sua maior qualidade? O bom humor, responde ele, sem pestanejar.

"Aqui no estúdio, se você reparar, pareço ser o mais extrovertido da turma. É porque estou em casa, tenho intimidade com as pessoas. Com quem conheço sou um palhaço, falo besteira", explica Murilo. Já com os fotógrafos, a história é bem diferente. "Fama é um horror. Eu me separei da Giovanna (Antonelli) e tem paparazzi atrás de mim. Um inferno. Dizem que somos metidos, mas não sabem o que é a nossa vida", reclama.

  Aos 32 anos, não tem nem o discurso de um garotão avoado, nem o de um homem ranzinza. Murilo Benício é pé-no-chão, estudioso e trabalhador. O jeito manso de falar, apesar dos gestos às vezes irrequietos, mostra que o ator amadureceu.
"Sou nervoso, estouro com uma facilidade impressionante. Não tenho muita paciência para as coisas. Mas já melhorei 300%", conta.

  Não existe assunto tabu para Murilo. Reservadíssimo, não gosta de falar muito do que acontece fora da TV. Aos poucos, dá para arrancar que ele é péssimo dono de casa, que a mãe é sua maior fã, e que é um pai preocupado demais.
"Tenho sentimento de culpa por não estar tanto com o Antônio (seu filho de 8 anos com a atriz Alessandra Negrini)", assume ele.

  Murilo não gosta da fama de namorador de atrizes. Além de Giovanna e Alessandra, ele já foi casado com Carolina Ferraz. E admite que não é fácil se relacionar com colegas de trabalho.
"Dois atores juntos são uma bomba-relógio. No dia em que começa o namoro é uma chuva de Imprensa, no dia em que termina também. Como se uma separação não fosse comum", explica.


  Os olhos brilham ao falar de trabalho. Danilo, ele diz, não é mocinho típico. É atrapalhado, meio cafajeste e cômico."Danilo foi a minha rebeldia contra os protagonistas quetêm que ser bonitinhos sempre", disse o ator. "Eu tive muitas oportunidades na carreira, nunca fiquei estigmatizado. Não entrei aqui fazendo o mocinho, senão eu ia ser até hoje. É difícil tirar um rótulo", disse Murilo que adora ir ao cinema. Sozinho. "Sessão das 14h30 de segunda-feira, sabe? Aquilo para mim é tudo. Tenho este tipo de solidão", revela.


¿Cómo foi interpretar Danilo de "Chocolate com Pimenta", que e um Don Juan?
Desde o comeco nao dimos muita importancia a isto. A telenovela e muito lúdica, por isso nao tem nenhum compromisso com essa verdade ou o trivial de fazer um Don Juan, o par romántico da telenovela deu espaco para invertir bastante em humor.

¿Pensa que a telenovela "O Clone" foi um ponto de mudanca na sua carreira?
Nao sei. A telenovela tem muito sucesso no exterior, em Portugal e Argentina, por exemplo,mas nao posso me esquecer das outras novelas,dos outros trabalhos.

¿Em sua opiniao,a ideia sobre a clonagem mudou depois da telenovela? ¿O que pensa sobre este assunto?
Eu acho que a reproduccao de ovulos para o transplante sem riscos de rejeicao e um bom caminho para a ciencia.Mas nao estou a afavor da clonagem para que se faca uma copia do ser humando.

Em 1989 foi para California a provar sorte para ser ator. ¿Cómo foi essa temporada?
Me serviu muito para aprender inglés e para "suar" bastante. Com essos empregos e subempregos, a gente entende muito bem o que significa lavar o chao,fechar um restaurante ou servir uma mesa.Esses 2 anos que esteve ai me serviram muito como leccao de vida.

De todos os empregos que teve a essa altura: ¿quál foi o mais difícil?
Opino que todos estiveram num mesmo nivel. Quando nao se tem muita seguridade falando inglés, e complicado servir uma mes,apor exemplo.Alguem pergunta alguma coisa em ingles que a gente nao sabe responder,e uma situacao delicada.Nao e nada confortavel.

¿Se arrepende desda "loucura" ou viajaría de novo?
Nao me arrependo. Haver ido ali foi muito importante para minha vida, a causa de todo o que aprendí: uma maduridade de dez anos en dos. Quando a gente sai da casa dos pais,tem que ser ingeniosos,para ganhar seu proprio dinheiro.


Mesmo assim,em 2000 voltou para os Estados Unidos para fazer "Sabor da Paixão": ¿Cómo foi fazer  par romántico com Penélope Cruz?
Foi maravilhoso, ela e maravilhosa.Todo o elenco passou muito tempo junto.Naquela época, o sucesso do filme foi devido a integracao do elenco,porque o filme em si nao teve tanta repercusao.Mas a integracao do elenco foi absoluta,viramos muito amigos.

¿Faz algúm exercicio físico?
Gosta muito jogar tenis.


Conhecido por ser um ator de composição, Murilo Benício vem tentando mudar nos últimos trabalhos. Isso porque, nos primeiros, ele foi radical. Em Irmãos coragem, Murilo raspou parte da sobrancelha e serrou um pedaço do dente para viver o capanga Juca Cipó. Em Fera ferida, surpreendeu até o autor Aguinaldo Silva adicionando uma gagueira ao gari Fabrício. O ator afirma que aprendeu que só vale a pena fazer composição quando é fundamental. Em O clone, em que viveu três papéis, ele se apegou a detalhes. O gêmeo Lucas, por exemplo, não mostrava os dentes e o clone Léo tinha um tique no pescoço imitado de Jude Law em Inteligência artificial. Em Chocolate com pimenta, em que vive Danilo, um playboy dos anos 20, o ator se baseia no que aprendeu sobre os costumes da época da novela. "A minha preparação para Chocolate é estudar o texto, uma noite antes de gravar. Fico bolando como vou fazer as cenas", entrega Murilo.


 

Você está gravando cenas da EQM. Acredita neste fenômeno?

 Acredito, mas não tenho base para dizer por quê. Acredito que algo acontece depois, não acho que a gente morre e acaba. Acredito em reencarnação.

 

 Qual é a sensação de gravar cenas em inferno e purgatório?

É tudo muito técnico, é difícil ter envolvimento emocional o tempo todo. Como muitas coisas vão entrar depois, por computação gráfica, eu tenho que imaginar que estou vendo as coisas. É difícil, um trabalho frio.

 

 Qual é o balanço que você faz de Tião?

 Gostei de ter feito. Não porque é o Tião, mas porque vi que ainda consigo fazer coisas diferentes. Depois de 13 anos fazendo novelas é difícil se renovar, ainda ter coragem para tentar, saber que você pode errar. Ainda mais que, quando erra, é aquele inferno! O saldo é positivo, porque me vi arriscando. Este é o mérito.

 

 Tião tem humor. Você gosta disso?

 Descobri este lado em “Chocolate com pimenta”. Fiquei pensando que faria o mocinho, tendo que segurar toda aquela estrutura... Aí com Danilo resolvi fazer comédia. Deu certo e botei no Tião também. Aquele mocinho de sempre não peca, e ele peca. O cara erra, tem suas limitações, não se casa com a pessoa que ama. Mais humano impossível!

 

 Acha natural não ficar com quem se ama?

 Tião aprendeu a amar Simone (Gabriela Duarte), nunca foi apaixonado por ela. Com Sol (Deborah Secco), por quem ele tem paixão, não deu certo. Acontece, é natural. Às vezes, uma paixão é interrompida tão repentinamente que você fica com a sensação de que foi o amor da sua vida. Fica a sensação infinita e inacabada daquilo.

 

 Você acha que Sol e Tião vão terminar juntos?

 Não sei. De repente seria interessante ela não ficar com ele. Seria pioneiro. Em que novela a mocinha não fica com o mocinho no fim? Acho rico Tião estar sem a Sol, é mais humano. Mas não fico torcendo, querendo saber como vai ser o fim. Se eu pudesse, só saberia o que vai acontecer cinco minutos antes de gravar. Gosto de surpresa.

 

 Não há a possibilidade de Tião morrer?

 Não! As pessoas não perdoariam a Glória Perez se isso acontecesse.

 


Como é fazer cinema para você?
Eu gosto muito de fazer cinema. Nele você tem a possibilidade de exercitar o que pratica na televisão e no teatro. No cinema você faz três cenas por dia, com todo o cuidado, podendo ensaiar, porque você sabe que ficará para a eternidade, sabe que em 50 anos poderá alugar esse mesmo filme. Já com a novela, o máximo que poderá acontecer é assisti-la num "Vale a Pena Ver De Novo"...


O que mais te interessou no projeto Sexo Amor e Traição?
O Jorge Fernando. É uma delícia trabalhar com ele! Tenho a sensação de que estamos num albergue encontrando uma turma. Eu já tinha trabalhado com ele e sabia que ele contagiava o set, fazendo tudo ficar mais leve. O outro motivo é que acredito muito nesse elenco, e todos estão trabalhando muito bem!


Como você definiria seu personagem?
O Carlos é um pouco louco e inquieto. Ele sabe que alguma coisa está dando errado em sua vida mas não consegue definir qual rumo tomar. Acho que todos já passaram por isso alguma vez na vida...


Você tem alguma expectativa relacionada ao sucesso desse filme?
É a mesma que tenho pelo cinema nacional. Finalmente me parece que as pessoas não têm mais preconceito contra filmes brasileiros. Estamos caminhando numa boa direção e o público está cada vez mais interessado em prestigiar esse cinema. Acredito o filme será um grande sucesso!


Os três personagens que interpretou em "O Clone", Murilo Benício acha que, sem dúvidas, fazer os gêmeos Diogo e Lucas foram os mais difíceis.

"Por serem gêmeos, as diferenças eram pequenas entre eles".

Viver o clone Leo foi muito mais fácil para ele.

"Leo viveu em outra época, era bem mais jovem, ele e Lucas eram completamente diferentes", afirma o ator.


*EGO:* Mera coincidência interpretar uma celebridade que decolou na fama, mas não encontra felicidade no casamento?
*Murilo:* Como assim?
*EGO:* Você é uma das maiores estrelas do Brasil. Acaba de separar-se de Giovana Antonelli, com quem tem um filho. Já namorou beldades, e ainda tem outro filho com Alessandra Negrini.
*Murilo:* Acho que o Diego, meu personagem, não tem absolutamente nada a ver comigo. Ele é imaturo, inconseqüente, lida com vaidade de uma forma doentia. Tem características que eu tinha quando era adolescente. A gente cresce, e o fato de eu ter me separado significa que não funcionou, apesar de termos tentado muito.
*EGO:* Como está lidando com a separação?
*Murilo:* Estou ótimo. Chega uma hora que passa. A vida está aí para ser vivida. Mas não é nada fácil como as pessoas pensam. Foram dois anos de muito sofrimento até que finalmente optamos por seguir caminhos diferentes. Torço pela felicidade dela.
*EGO:* Como está sendo a relação de vocês?
*Murilo:* A Giovana está namorando e está ótima. Eu estou sozinho e feliz. Nos falamos sempre, pois temos um filho juntos. O mais importante de tudo é que ele esteja felicíssimo, sempre!
*EGO:* Você tem dois filhos de mães diferentes. É muito difícil lidar com duas ex-mulheres?
*Murilo:* Ah, é (risos)! Mas eu nasci pra ser pai, adoro! Aos oito anos já sonhava com o rosto dos meus filhos. Sério mesmo. Não me arrependo, de maneira nenhuma, nem por um segundo, de ter feito esses meninos. Sou louco por eles e não há um único dia que eu passe sem vê-los.
*
EGO:* Você já tem sete longas no currículo. Como é contracenar com Guilhermina, que está estreando na telona?
*Murilo:* Estou adorando! Ela é muito talentosa e já provou que veio pra ficar. A gente conversa sobre as cenas, troca idéias e se diverte demais. Temos química, deu certo. Já sobre o Caco não posso falar a mesma coisa. Desde que me roubou a Sol (personagem de Deborah Secco, em América) fiquei com um pé atrás. Agora o cara aparece de repente e quer pegar a minha mulher (gargalhadas).


Sou fã do Casseta & Planeta desde a época em que faziam shows em teatro. Minha família é muito bem-humorada e também fã do grupo. Meu irmão não perde um programa – se ele não estiver em casa, deixa gravando para assistir no dia seguinte.

Sempre admirei o humor dos Cassetas e trabalhar com eles foi uma honra que tenho na minha carreira e que dedicarei aos meus filhos. O maior projeto do ser humano é ser feliz, e fazer rir é uma forma de se aproximar desta felicidade. A cada cena que eu fazia, pensava nos meus filhos.

Botelho Pinto é um advogado fracassado. Não consegue ganhar uma causa. Fiquei muito à vontade em interpretá-lo porque, mesmo com todos os exageros, e por mais que eu me esforçasse, não chegava à altura dos meus novos colegas. Foi uma delícia explorar esse lado e não sei quando terei outra oportunidade de seguir por esse caminho. Atuar em Seus Problemas Acabaram foi uma oportunidade de não lidar com a autocrítica. O ator é sempre tão vaidoso, preocupado em apresentar seu melhor lado, estar sempre mais bonito. Cair na outra vertente me deixou muito relax – não era importante estar bonito, com a postura ereta. Contracenar com Maria Paula foi ótimo – ela é um doce e uma pessoa muito atenta. É a mulher da casa, a mãe de todos, distribui carinho, é a princesa e também a rainha do set. Me diverti muito – não sou um ator muito concentrado e aproveitava para rir tudo que podia durante os ensaios. Foi uma experiência ótima – sem falar que devo ter sido muito econômico: passei o filme com o mesmo terno e esparadrapo colado nos óculos.

A experiência foi ótima em todos os sentidos – me senti entrando na casa dos outros, uma família bem constituída e fui muito bem acolhido por todos, cada um com suas peculiaridades. José Lavigne é um diretor genial que sabe tocar um set como ninguém – além de experiência profissional tem experiência de teatro e de vida, que afinal é o que conta.
Fazer esse filme foi um trabalho muito especial que terei muito orgulho em deixar para meus filhos.

Murilo se sentiu livre para interpretar Botelho Pinto,ja que conseguiu deixar a auto censura de lado:"fiquei muito a vontade em interpreta-lo,porque,mesmo com todos os exageros,e por mais que eu me esforcasse,nao chegava a altura dos meus novos colegasFoi uma delicia explorar esse lado e nao sei quando terei outra oportunidade de seguir por esse caminho"
Alem de emprestar seu talento ao filme,Murilo tambem viu outra grande ventagem em sua participacao:"devo ter sido muito economico:passei o filme inteiro com o mesmo terno e um esparadrapo colado no oculos".


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